Maioria das empresas enfrentam problemas de rede que afetam o desempenho da IA

Um estudo da Flexential revela que a latência se tornou o principal obstáculo ao desempenho das infraestruturas de inteligência artificial. A crescente separação entre os ambientes de processamento e armazenamento de dados está a aumentar a pressão sobre as redes empresariais

Maioria das empresas enfrentam problemas de rede que afetam o desempenho da IA
thien / AdobeStock

A infraestrutura de rede está a tornar-se um dos principais obstáculos à expansão da Inteligência Artificial (IA) nas empresas. Segundo o relatório “2026 State of AI Infrastructure: AI-Ready Isn't Infrastructure-Ready”, da Flexential, 96% das organizações registaram pelo menos um problema de desempenho de rede que afetou os seus workloads de IA nos últimos 12 meses.

O estudo, realizado junto de mais de 350 decisores de IT de empresas com receitas anuais superiores a cem milhões de dólares, identifica a conectividade como um desafio operacional mais generalizado do que as limitações de energia e espaço nos data centers.

A crescente distribuição das infraestruturas de IA por diferentes ambientes está a aumentar a dependência das redes. Segundo a investigação, a percentagem de organizações que utilizam GPU em cloud pública passou de 30%, em 2024, para 54%, em 2026. Em contrapartida, a proporção de empresas que mantém os dados utilizados pela IA nesses ambientes diminuiu de 59% para 26%.

Esta separação entre processamento e dados obriga a transferir maiores volumes de informação entre infraestruturas, aumentando as exigências de largura de banda, latência e interligação.

Latência ultrapassa limitações de largura de banda

A latência é atualmente o problema de rede mais referido pelas organizações, sendo identificada por 71% dos inquiridos, mais do dobro dos 32% registados em 2024.

As limitações de largura de banda surgem em segundo lugar, com 56%, seguidas pela falta de fiabilidade das ligações, mencionada por 45% dos participantes.

A evolução reflete, segundo a Flexential, a crescente distribuição geográfica das aplicações de IA, incluindo sistemas de inferência que exigem ligações eficientes entre utilizadores, modelos e fontes de dados.

Em comparação, apenas 25% dos inquiridos identificaram dificuldades em aumentar a capacidade de espaço e energia dos data centers, enquanto 4% apontaram estas limitações como o único problema enfrentado.

“A energia determina onde a IA pode funcionar, mas é a rede que determina o seu desempenho quando entra em operação”, afirma Ryan Mallory, CEO da Flexential, em comunicado.

O responsável sublinha que a disponibilidade de capacidade elétrica não é suficiente quando faltam infraestruturas de fibra, operadores de telecomunicações e ligações diretas aos fornecedores de cloud.

Falta de fibra ótica atrasa projetos de IA

A disponibilidade de conectividade de elevada capacidade está também a influenciar as decisões de investimento e localização das infraestruturas.

Segundo o relatório, 91% das organizações já enfrentaram limitações relacionadas com fibra ótica, diversidade de operadores, interligação ou conectividade de baixa latência, mesmo em instalações com condições favoráveis de fornecimento energético.

Nos últimos 12 meses, a disponibilidade de fibra aumentou os custos para 54% das empresas e provocou atrasos na implementação de projetos de IA na mesma proporção. Metade dos inquiridos afirma ainda que estas limitações obrigaram a alterar a localização das infraestruturas.

Para 42% das organizações, o acesso a fibra de elevada capacidade e a vários operadores tem atualmente tanta importância como a disponibilidade de energia e espaço na escolha de locais para executar workloads de IA.

A conectividade também está a condicionar o calendário dos projetos: 59% dos participantes indicam que a disponibilidade de rede afetou o momento ou a sequência das implementações, enquanto 29% afirmam que limitou diretamente os locais onde podem executar as aplicações.

Empresas reforçam aposta em infraestruturas distribuídas

O estudo identifica ainda uma mudança nos modelos de implementação das infraestruturas empresariais de IA. A adoção de software-defined networking atingiu 58%, mais 20 pontos percentuais do que em 2024. Paralelamente, a utilização de serviços de colocation de terceiros para processamento em edge aumentou de 37% para 46% no último ano.

Em sentido contrário, a percentagem de organizações que implementam hardware de IA nas próprias instalações diminuiu de 32% para 24%.

Estas tendências apontam para uma maior utilização de infraestruturas distribuídas, geridas através de software e dependentes de ligações entre diferentes fornecedores e ambientes tecnológicos.

“Os clientes costumavam perguntar quanto espaço e energia lhes podíamos disponibilizar. Agora querem saber o que acontece ao tráfego quando sai do edifício”, afirma Patrick Doherty, chief revenue officer da Flexential, igualmente em comunicado.

Para a empresa, a crescente separação entre os ambientes de processamento e armazenamento está a colocar a interligação no centro das decisões sobre infraestrutura de IA, tornando a qualidade das redes um fator determinante para o desempenho das aplicações empresariais.

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