A SAP está a alargar o Joule com uma nova interface e agentes capazes de executar tarefas em diferentes áreas de negócio. As organizações podem definir o nível de autonomia e manter regras de autorização e auditoria
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A SAP apresentou novas capacidades para levar agentes de Inteligência Artificial (IA) aos processos de negócio, com o Joule Work e os Joule Assistants a assumirem um papel central na estratégia da empresa para o que designa como “Autonomous Enterprise”. A abordagem procura ir além da utilização da IA para pesquisa e geração de respostas. Os Joule Assistants podem executar tarefas diretamente nos processos empresariais, recorrendo aos dados, permissões e mecanismos de auditoria existentes nas aplicações SAP. Segundo a tecnológica, as empresas podem determinar o nível de autonomia atribuído aos agentes, mantendo controlo sobre as ações que estes podem executar. O Joule Work está a iniciar a disponibilização junto dos clientes como uma nova interface de IA para as soluções SAP. A tecnologia permite utilizar linguagem natural para trabalhar com informação proveniente de sistemas SAP e de terceiros. A contextualização das respostas é suportada pelo SAP Knowledge Graph, que, segundo a empresa, estabelece relações entre mais de sete milhões de campos de dados. A SAP já utiliza internamente o Joule Work junto de 110 mil colaboradores e afirma estar a registar ganhos de produtividade de 20% em áreas como finanças, recursos humanos e compras. Um grupo inicial de clientes também começou a utilizar a tecnologia. Quando uma consulta em linguagem natural não é suficiente, os Joule Assistants podem avançar para a execução de tarefas. A SAP refere que estas operações respeitam os dados empresariais, autorizações e audit trails definidos pela organização. A arquitetura também suporta o protocolo Agent2Agent, permitindo ao Joule comunicar com agentes e tecnologias de IA de terceiros. A SAP está a aplicar estes agentes a diferentes processos empresariais. Nas finanças, a empresa aponta casos de utilização relacionados com reconhecimento de receitas, divulgação de informação e conformidade comercial. As primeiras implementações do International Trade Assistant terão reduzido até 50% o esforço necessário para tarefas de classificação comercial, segundo dados da SAP. Na supply chain, os agentes são direcionados para planeamento, produção e logística, enquanto nos recursos humanos podem apoiar a identificação de necessidades de competências e decisões relacionadas com benefícios. Compras, customer experience e processos específicos de setores como indústria, retalho e comércio de matérias-primas estão entre as restantes áreas abrangidas. A SAP Business AI Platform funciona como camada para desenvolver, contextualizar e governar IA em ambientes SAP e de terceiros. Através do Joule Studio, empresas e programadores podem criar ou ampliar competências e agentes através de processos que vão de no-code a pro-code. A plataforma permite escolher entre mais de 70 modelos de IA. O SAP Business Data Cloud e o SAP Knowledge Graph fornecem os dados e o contexto empresarial utilizados pelos agentes. A gestão destes sistemas é complementada pelo AI Agent Hub nas soluções SAP LeanIX, destinado a centralizar o inventário dos agentes utilizados numa organização. A SAP refere ainda que a sua arquitetura de governação possui certificação independente ISO/IEC 42001. Signavio, LeanIX e WalkMe integram igualmente esta estratégia, permitindo analisar processos, gerir aplicações e agentes e acompanhar a adoção das tecnologias. Em paralelo, a SAP anunciou a entrada no mercado de pagamentos com o SAP Pay, suportado pela Tereina, empresa do grupo. Integrada diretamente no SAP Cloud ERP, a solução permite executar e reconciliar pagamentos dentro do mesmo processo quando uma fatura vence. O objetivo é reduzir a utilização de ficheiros manuais e a dependência de processos externos. As novidades mostram uma estratégia em que a SAP procura transformar a IA de uma camada de assistência numa componente operacional do ERP e de outros sistemas empresariais. Para as organizações, a mudança coloca maior peso na governação dos agentes, nas permissões atribuídas e na qualidade dos dados utilizados para suportar decisões e ações automatizadas. |