A utilização de IA no trabalho está a aumentar, mas o acesso à formação diminui e mais de metade dos trabalhadores corre o risco de ficar para trás, segundo a PwC
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A crescente adoção de Inteligência Artificial (IA) está a criar diferenças cada vez maiores entre trabalhadores, numa altura em que o acesso a recursos de formação e desenvolvimento profissional está a diminuir, conclui o “Global Workforce Hopes and Fears Survey 2026”, da PwC. O estudo revela que 64% dos trabalhadores utilizaram ferramentas de IA no trabalho nos últimos 12 meses, mais dez pontos percentuais do que no ano anterior. A utilização diária de IA generativa também aumentou, passando de 14% para 22%, enquanto 59% esperam utilizar ainda mais estas ferramentas durante os próximos 12 meses. Apesar deste crescimento, apenas 51% afirmam ter acesso aos recursos de aprendizagem e desenvolvimento de que necessitam, contra 59% no ano anterior. A situação é particularmente relevante entre os 56% classificados pela PwC como “engine room”: trabalhadores cujas competências são menos escassas e que ainda não avançaram significativamente na utilização de IA. Neste grupo, apenas dois em cada cinco dizem dispor dos recursos de formação necessários. Em sentido contrário, quem utiliza IA diariamente apresenta níveis mais elevados de confiança. Cerca de 68% sentem-se seguros relativamente ao emprego, contra 57% entre os utilizadores menos frequentes. Os utilizadores diários são ainda 12 pontos percentuais mais propensos a pedir uma promoção, 15 pontos mais propensos a confiar na gestão de topo e 21 pontos mais confiantes na capacidade de aprender novas competências. A PwC divide a força de trabalho em quatro grupos de acordo com a escassez das suas competências e o grau de utilização de IA. Além dos “engine room”, que representam 56% da amostra, identifica 14% de “front-runners”, com competências escassas e fortes capacidades em IA; 18% de “AI insurgents”, com competências menos escassas, mas que já recorrem à IA para aumentar o desempenho; e 11% de “indispensables”, cujas competências são muito valorizadas, embora ainda estejam menos avançados na utilização da tecnologia. A retenção dos profissionais mais preparados para trabalhar com IA poderá, contudo, tornar-se um desafio. Quase um terço (29%) dos “front-runners” afirma ser muito ou extremamente provável mudar de empregador no próximo ano. Este grupo é também 33 pontos percentuais mais propenso a pedir uma promoção. “Existe um risco real de a força de trabalho global começar a avançar a velocidades diferentes”, afirma Pete Brown, Global Workforce Leader da PwC. O responsável considera que as empresas precisam de continuar a desenvolver os profissionais mais avançados, sem deixar de criar oportunidades para que o restante quadro de pessoal adquira novas competências. O estudo identifica igualmente um aumento da pressão sobre os trabalhadores. Apenas um terço afirma ter dinheiro disponível no final do mês, uma descida de oito pontos percentuais face ao ano anterior, enquanto 27% consideram que o cansaço ou burnout limita a sua produtividade. Entre os riscos para a segurança do emprego, 57% apontam a volatilidade económica e 44% receiam que a IA passe a desempenhar mais tarefas. A transformação das funções também está a acelerar. Entre os trabalhadores que registaram mudanças no local de trabalho, 58% consideram que estas foram mais intensas no último ano do que anteriormente. Cerca de 40% afirmam ainda ter necessitado de aplicar novas competências nas suas funções em grau elevado ou muito elevado. O “Global Workforce Hopes and Fears Survey 2026” baseia-se nas respostas de 49.364 trabalhadores de 48 países e regiões e de 29 setores de atividade, recolhidas durante maio e junho de 2026. Segundo a PwC, os resultados foram ponderados de acordo com a distribuição por idade e género da população ativa de cada país ou região, com o objetivo de tornar a amostra amplamente representativa dos trabalhadores nas geografias analisadas. |