Smart Contracts

Os benefícios dos smart contracts

Mais seguros, rápidos e precisos, para além de autónomos, são alguns dos benefícios dos smart contracts. Mas, afinal, o que são estes contratos inteligentes?

Os benefícios dos smart contracts

O hype da blockchain já passou e é agora que as organizações começam a olhar verdadeiramente para os benefícios que a tecnologia pode trazer para as suas opções. E há vários: segurança, transparência e imutabilidade são apenas alguns deles.

Os smart contracts, ou contratos inteligentes, são outro dos benefícios. Trazem uma componente de automatização à blockchain que permitem executar termos de um acordo, ou iniciar relações de transação sem a necessidade de intervenção humana.

"Smart contracts são mais do que meros contratos", refere Rui Serapicos, Presidente da Aliança Portuguesa de Blockchain, que acrescenta que "na prática" são "a implementação digital de contratos". "Um smart contract é uma aplicação executada numa rede blockchain, sendo esse programa o gémeo digital de um contrato", detalha.

Paulo Alves, CEO da Proside, empresa portuguesa que está a trabalhar com tecnologia blockchain, explica que smart contracts são contratos digitais "que, mediante uma ocorrência de uma ou várias condições previamente definidas, são capazes de ser automaticamente executados".

Estes contratos permitem facilitar a troca de valores entre duas ou mais partes. Esta troca de valores pode ser dinheiro, mas também conteúdos, ações de uma empresa, imóveis ou "qualquer outro ativo que tenha valor para as partes envolvidas", indica Paulo Alves.

Benefícios dos contratos inteligentes

Tanto Paulo Alves como Rui Serapicos indicam os seis principais benefícios dos smart contracts: precisão, transparência, velocidade, segurança, economia e confiança. Depois, existe também o facto de ser 100% digital e de suportar uma lógica de backups.

Sobre estes dois últimos pontos, os smart contracts "nascem e vivem no mundo virtual ou digital", como refere Paulo Alves. Já sobre a lógica de backups, Rui Serapicos relembra que "os dispositivos centralizados de armazenamento de dados podem falhar". Por sua vez, "os contratos inteligentes replicam todas as transações para que todas as partes tenham um registo das mesmas" e, nesse sentido, "a probabilidade de que todas as partes sofram falhas no armazenamento de dados é muito reduzida".

"A natureza humana é propícia a erros", diz o presidente da Aliança Portuguesa de Blockchain. Nos contratos inteligentes, afirma Paulo Alves, "todos os detalhes são explícitos" e, caso não estejam reunidas todas as condições, "a operação é abortada, pois não existe ambiguidade nem subjetividade nos termos e condições".

De destacar, também, a autonomia, onde "a natureza descentralizada da blockchain subjacente a estes contratos inteligentes, bem como a própria natureza do contrato significa que nenhuma parte externa é necessária no processo", declara Rui Serapicos.

Por fim, e além dos benefícios que não foram mencionados, os smart contracts permitem poupar dinheiro, uma vez que "os processos automatizados reduzem significativamente os custos", como diz o presidente da Aliança Portuguesa de Blockchain, pois, como afirma Paulo Alves, evitam a utilização de intermediários e, como tal, "ficam mais económicos para quem os disponibiliza e usa".

Smart contracts nas organizações

No futuro, e admitindo que irá existir uma adoção generalizada de tecnologia de ledgers distribuídos, todos os setores poderão usufruir de smart contracts. No entanto, Rui Serapicos indica que, "na sua base, os contratos inteligentes revolucionam não apenas o espaço jurídico, mas também o financeiro, logístico e transacional". Paulo Alves acrescenta, também, os setores de "imobiliário e logística".

O CEO da Proside explica que os contratos inteligentes "simplificam os processos de trocas comerciais, globalmente, sem necessidade de contratar intermediários para mediar a supervisão do mesmo, pois a sua execução é automática e segura, evitando o envolvimento de mais entidades".

A Aliança Portuguesa de Blockchain declara que, desde a sua "aplicabilidade inicial em Ethereum em 2015, os smart contracts têm vindo a criar novos modelos de transação através destes instrumentos". Deste modo, diz, "todas as organizações que tenham tarefas repetitivas que considerem automatizar poderão optar por smart contracts", e os setores que mais poderão beneficiar desta tecnologia são os que "tipicamente utilizam muitos contratos standard".

Principais dificuldades

A tecnologia blockchain e de ledgers distribuídos ainda é relativamente recente. Se as organizações se debatem com a ausência de talento em tantos outros setores mais tradicionais, encontrar profissionais capazes de fazer toda a preparação inicial é particularmente difícil.

Paulo Alves explica que uma organização tem que "ter competências de programação informática para transcrever as regras do negócio para programação", normalmente na rede Ethereum e em linguagem e programação Solidity. Além disso, também é necessário "estar à vontade com a economia digital baseada em criptografia".

Rui Serapicos refere sete passos necessários para uma organização implementar ou utilizar smart contracts: identificar o objeto e as partes do contrato e acordar os termos; desenvolver um contrato aberto como ponto de partida; definir os tokens associados ao contrato; definir o medium (meio de gestão de tokens e troca entre as partes); desenvolver os casos de usos dos tokens e do medium; desenvolver o código do contrato inteligente; e, por fim, criar uma comunidade/cadeia de valor para o valor.

Potencial para alterar o futuro

Os smart contracts têm o potencial de alterar o paradigma das transações entre organizações, entre pessoas ou entre as pessoas e as organizações.

É um facto que a tecnologia blockchain está (ainda) muito associada a criptomoedas, mas a tecnologia em si vai muito para lá dos ativos criptográficos. As organizações podem aproveitar a tecnologia – e em especial os smart contracts – para alterar as suas operações e maximizar as suas receitas num futuro não tão longínquo.

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