Apesar do investimento crescente em IA no marketing, 70% dos consumidores consideram que os anúncios gerados por inteligência artificial “não têm alma”
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A utilização de Inteligência Artificial (IA) nas equipas de marketing continua a acelerar, mas a confiança dos consumidores está a tornar-se um dos principais desafios para as marcas. A conclusão surge do novo relatório “The State of Marketing and AI”, divulgado pelo Canva. O estudo revela que 99% dos líderes de marketing planeiam aumentar o investimento em IA durante 2026, numa altura em que a tecnologia já faz parte do trabalho criativo diário de praticamente todas as equipas analisadas. Segundo os dados recolhidos junto de 1.415 líderes de marketing e 3.547 consumidores em vários mercados internacionais, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Japão, 97% dos responsáveis de marketing utilizam IA nas suas tarefas criativas do dia a dia. No entanto, a adoção massiva da tecnologia está a gerar uma reação crítica por parte dos consumidores. Sete em cada dez inquiridos afirmam que os anúncios criados por IA “não têm alma”, enquanto 65% consideram que os conteúdos gerados artificialmente são “tão óbvios que se tornam ridículos”. Apesar disso, a relação dos consumidores com a IA no marketing continua ambivalente. O relatório mostra que 68% não se importam com anúncios criados com IA desde que estes sejam mais úteis ou relevantes, embora 78% prefiram conteúdos produzidos por pessoas, mesmo admitindo que a IA possa melhorar os resultados. O Canva refere que muitas equipas de marketing já veem a IA como um parceiro estratégico. Cerca de 41% dos líderes classificam a IA como um “diretor” dentro das equipas, enquanto 39% a encaram como um “colaborador”. O impacto operacional também é significativo. Segundo o estudo, 89% dos profissionais poupam pelo menos quatro horas por semana graças à utilização de IA, e um quarto afirma economizar mais de um dia completo de trabalho semanal. Emma Robinson, Head of B2B Growth Marketing do Canva, sublinha que a tecnologia está a mudar profundamente a produção de conteúdos, mas não elimina a importância do fator humano. “A IA mudou a forma como o marketing é produzido, mas não aquilo que o torna eficaz”, afirma. A responsável acrescenta que “velocidade e escala são importantes, mas não constroem confiança por si só”, defendendo que o verdadeiro desafio está em criar sistemas onde “a IA impulsiona a eficiência enquanto o julgamento criativo protege aquilo que torna uma marca distinta”. O estudo destaca ainda preocupações crescentes com aquilo que os consumidores classificam como “AI slop”, conteúdos considerados genéricos, repetitivos ou emocionalmente vazios. Cerca de 69% acreditam que o futuro da publicidade poderá tornar-se excessivamente uniforme devido ao uso massivo de IA. Entre os consumidores mais jovens, nomeadamente Millennials e Geração Z, a perceção é mais flexível. Cerca de 70% afirmam prestar mais atenção à “vibe” ou autenticidade de um anúncio do que à forma como este foi produzido. Ao mesmo tempo, cresce a exigência por transparência e regras claras. O relatório mostra que 74% dos consumidores se sentiriam mais confortáveis com publicidade criada por IA se existissem políticas formais que regulassem a sua utilização. A proteção de dados, a divulgação explícita do uso de IA e a possibilidade de controlar o nível de personalização dos anúncios surgem igualmente entre as principais preocupações dos consumidores. |