Empresas valorizam cada vez mais o potencial e a capacidade de adaptação dos candidatos

A experiência profissional continua a ser relevante nos processos de recrutamento, mas as empresas estão a dar maior importância às competências comportamentais, à capacidade de aprendizagem e ao potencial de evolução dos candidatos, segundo a Adecco Portugal

Empresas valorizam cada vez mais o potencial e a capacidade de adaptação dos candidatos
MikoN/peopleimages.com / AdobeStock

As empresas estão a alterar os critérios utilizados na seleção de profissionais, atribuindo um peso crescente às competências comportamentais e à capacidade de adaptação. Segundo a Adecco Portugal, a experiência profissional e as qualificações continuam a ser importantes, mas já não são suficientes para avaliar a adequação de um candidato a uma determinada função.

A evolução acompanha as transformações do mercado de trabalho, nomeadamente a aceleração tecnológica e a crescente integração da Inteligência Artificial (IA) nas organizações. Neste contexto, as empresas procuram profissionais capazes de adquirir novas competências, responder à mudança e acompanhar a evolução das funções.

“Um currículo continua a ser uma peça fundamental numa candidatura, mas já não é suficiente para compreender o potencial de uma pessoa. Hoje, interessa perceber não apenas aquilo que o candidato fez até agora, mas aquilo que é capaz de fazer, aprender e desenvolver no futuro”, afirma Vânia Borges, diretora de Recursos Humanos da Adecco Portugal, em comunicado.

Competências comportamentais ganham importância

Com base na experiência das suas equipas de recrutamento, a Adecco identifica a adaptabilidade, a comunicação, o pensamento crítico, a resiliência e a capacidade de aprendizagem como fatores cada vez mais relevantes na avaliação dos candidatos.

A transformação tecnológica está a contribuir para esta mudança, uma vez que as organizações precisam de profissionais preparados para desempenhar funções que evoluem continuamente. A capacidade de adquirir conhecimentos e aplicar competências em novos contextos assume, por isso, maior importância.

A motivação é outro dos aspetos valorizados. Segundo a Adecco, os recrutadores procuram compreender as razões que levam um candidato a procurar determinada oportunidade, o conhecimento que demonstra sobre a organização e a forma como enquadra a função no seu percurso profissional.

“Dois candidatos com percursos profissionais semelhantes podem gerar perceções completamente diferentes ao longo de um processo de recrutamento. A forma como comunicam as suas competências, demonstram motivação, compreendem a oportunidade e mostram capacidade de adaptação pode ser determinante para a decisão”, explica Vânia Borges.

A preparação para as entrevistas ganha, assim, maior relevância, sobretudo na capacidade de relacionar a experiência profissional com os desafios concretos da função.

Presença digital complementa o currículo

A Adecco destaca também a crescente importância da presença profissional online, nomeadamente através do LinkedIn. Um perfil atualizado e coerente com o currículo permite aos recrutadores obter uma visão mais abrangente das competências, experiências e interesses profissionais dos candidatos.

Mais do que reproduzir a informação apresentada no currículo, estas plataformas podem ajudar a contextualizar o percurso profissional, demonstrar conhecimentos e evidenciar competências que não são imediatamente identificáveis numa candidatura tradicional.

A consultora considera ainda que esta evolução poderá beneficiar profissionais com percursos menos lineares, incluindo aqueles que mudaram de setor ou desempenharam funções em diferentes áreas. Nestes casos, a capacidade de demonstrar competências transferíveis e potencial de aprendizagem pode assumir particular relevância.

Potencial de evolução influencia decisões de contratação

Para a Adecco, a principal mudança está na passagem de uma avaliação centrada no histórico profissional para uma análise mais abrangente das capacidades dos candidatos.

As empresas procuram perceber não apenas se um profissional reúne as competências necessárias para desempenhar determinada função no presente, mas também se terá capacidade para acompanhar a sua evolução.

“A grande mudança está na passagem de uma lógica centrada exclusivamente no percurso profissional para uma avaliação muito mais completa da pessoa. A experiência continua a contar, mas o potencial, as competências comportamentais e a capacidade de evolução passaram a fazer parte da equação”, afirma Vânia Borges.

A responsável sublinha que esta transformação exige também uma preparação diferente por parte dos candidatos, que devem ser capazes de demonstrar o valor das suas competências e a forma como podem contribuir para os objetivos das organizações.

Num mercado de trabalho marcado pela evolução tecnológica e pela transformação das funções, a Adecco considera que a capacidade de aprendizagem e adaptação será cada vez mais determinante nas decisões de recrutamento, complementando a experiência e as qualificações profissionais.

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