COVID-19. Como é que o mundo está a lidar com o tráfego extra de Internet?

O COVID-19 está a fazer com que o o tráfego de internet registe números sem procedentes, criando assim um desafio aos fornecedores de banda larga e rede móvel

COVID-19. Como é que o mundo está a lidar com o tráfego extra de Internet?

A pandemia global do COVID-19 está a fazer com grande parte da população trabalhe a partir de casa, utilizando plataformas de colaboração. A juntar a esta realidade, a utilização em massa das redes sociais e de plataformas de streaming faz com que haja uma pressão sem precedentes sobre as redes de banda larga.

Os fornecedores de rede estão assim a enfrentar, na maioria dos países, um desafio crescente e que pode exigir algumas soluções criativas dos operadores. É importante suportar  o tráfego online muito mais movimentado do que o habitual, ao mesmo tempo que se tem de garantir a confiança no acesso à conectividade de todos os utilizadores.

A Comscore afirma que o uso de dados nos EUA aumentou 18% desde 1 de março até 17 de março em comparação ao período homólogo do ano anterior, tendo isto acontecido à medida que as escolas fechavam e as pessoas começavam a trabalhar em casa. O uso de dados internos para TV conectadas aumentou 27% em março em relação há um ano, com a utilização de internet para colunas inteligentes a subir 30% e smartphones 34%.

Há algumas semanas, cinco das principais operadoras espanholas, incluindo a Orange e a Vodafone, avisaram que as suas redes poderiam entrar em colapso muito em breve devido a um aumento de 40% no tráfego através de redes IP e de 50% em chamadas de voz, pedindo aos seus utilizadores que usassem a internet de forma responsável.

Ao mesmo tempo, a Netflix concordou em reduzir as taxas de streaming em toda a Europa para ajudar a manter o tráfego da internet durante esta pandemia, tal como fez a Amazon, Apple TV+, Disney+ e Facebook.

Thierry Breton, um comissário europeu, criou a hashtag #SwitchToStandard no Twitter, para recomendar o uso de definições mais baixas quando o HD não é necessário com o objetivo de diminuir a pressão entre as redes.

Por outro lado, no Reino Unido, o tom é mais tranquilizador. Em vez de se pedir aos clientes que se abstenham de usar serviços de internet, os fornecedores de rede têm insistido que sua infraestrutura é capaz de suportar o aumento da procura. A ISPA-UK, a organização que representa os fornecedores de serviços de internet, afirma que as redes já foram construídas a pensar em picos de utilização.

"Até agora tem-se verificado um aumento no uso da banda larga durante o dia. Portanto, há muito mais gigabytes a passar pela rede. Os fornecedores fazem isto quando a rede não está ocupada, o que a torna amplamente gerenciável. Estou bastante confiante de que os provedores serão capazes de lidar com esta tendência", garante James Barford, analista de telecomunicações da Enders Analysis.

Barford explica que, embora o aumento da capacidade não seja novidade para os fornecedores de banda larga, a velocidade com que eles são obrigados a fazê-lo diante de um vírus que se espalha rapidamente é um novo desafio. "Eles sabem como aumentar a capacidade porque a capacidade vem crescendo de 30 a 40% ao ano nos últimos dez anos. Mas crescer de 30 a 40% ao mês será mais desafiador".

É difícil prever como as tendências de consumo vão mudar nas próximas semanas. Um porta-voz da Virgin Media explica que foi feita uma avaliação completa e foram colocados planos de continuidade em prática,  por enquanto.

Para Barford, a conectividade livre não é necessariamente o melhor caminho a seguir. "O Coronavírus é extremamente disruptivo para toda a economia e, em algumas áreas, medidas excecionais devem ser tomadas apenas  por necessidade – como fornecer apoio governamental aos trabalhadores", explica.

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