A inteligência artificial pode encurtar em cerca de 30% os ciclos de desenvolvimento imobiliário e aumentar as margens dos promotores, segundo um estudo da BCG
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A Inteligência Artificial (IA) pode ajudar a acelerar a construção de habitação, reduzir custos e aumentar a previsibilidade dos projetos imobiliários, segundo o estudo “BCG Executive Perspectives for Real Estate – AI-First Companies Win the Future”, divulgado pela Boston Consulting Group (BCG). De acordo com a consultora, a adoção de soluções de IA poderá reduzir em cerca de 30% os prazos associados ao desenvolvimento de projetos imobiliários, abrangendo fases como a seleção de terrenos, licenciamento, planeamento, construção e entrega. O estudo é divulgado num contexto de forte pressão sobre a oferta habitacional, marcado também por desafios estruturais no setor, nomeadamente atrasos na execução dos projetos e derrapagens orçamentais. Segundo a BCG, 66% dos projetos imobiliários registam atrasos nos calendários previstos e 39% ultrapassam os custos inicialmente estimados. A consultora considera que muitas destas ineficiências resultam da fragmentação entre intervenientes, falta de padronização e problemas de execução, fatores que tornam o setor particularmente propício à aplicação de tecnologias de IA. Apesar disso, o imobiliário continua a apresentar um nível de maturidade em IA inferior à média de outros setores económicos. Carlos Elavai, Managing Director & Partner da BCG Lisboa, dá conta que “a inteligência artificial tem potencial para se afirmar como uma alavanca decisiva em toda a cadeia de desenvolvimento imobiliário, com impacto real no encurtamento de prazos, na melhoria da tomada de decisão e na redução de desperdício, desde a fase de projeto até à execução”. Para o responsável, “a adoção de AI pode impulsionar uma transformação estrutural na forma como os projetos são concebidos, avaliados e entregues”. A BCG estima que a IA possa gerar um aumento de margem entre quatro e sete pontos percentuais nas empresas de promoção imobiliária. Os ganhos resultam da combinação de aumentos de receita e reduções de custos em áreas como procurement, design generativo, simulação, gestão de obra, apoio ao licenciamento e deteção antecipada de desvios orçamentais. O estudo aponta também benefícios noutras áreas da cadeia de valor. Na gestão de investimento imobiliário, a consultora estima melhorias entre três e quatro pontos percentuais na taxa interna de rentabilidade (IRR), enquanto na gestão de ativos e propriedades prevê aumentos entre dois e três pontos percentuais do EBIT. Entre as aplicações com maior potencial de impacto destacam-se ferramentas de visão computacional para monitorização de obras, identificação de riscos e acompanhamento do progresso dos projetos. Num dos casos analisados pela BCG, a utilização destas tecnologias permitiu aumentar a produtividade em 12% nos primeiros seis meses e reduzir os incidentes em 48% ao longo de um ano. A consultora destaca ainda o papel da IA no planeamento e desenho de projetos, através de ferramentas de simulação e design generativo capazes de testar cenários, antecipar conflitos e otimizar sequências construtivas, reduzindo retrabalho e custos adicionais. Segundo a BCG, o sucesso da adoção da IA dependerá da capacidade das organizações em definir objetivos claros, priorizar casos de uso com impacto mensurável e desenvolver competências internas para integrar estas tecnologias nos processos de negócio. |