A adoção acelerada de inteligência artificial poderá gerar até 480 mil milhões de euros por ano para a economia europeia até 2030, segundo a McKinsey
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A Inteligência Artificial (IA) pode vir a desempenhar um papel determinante na recuperação da produtividade e da competitividade da Europa, contribuindo com até 480 mil milhões de euros anuais para o PIB do continente até 2030, segundo o estudo Accelerating Europe’s AI Adoption: The Role of Sovereign AI, da McKinsey & Company. O relatório defende que a Europa enfrenta um desafio estrutural de crescimento económico e produtividade, que se tem agravado nas últimas décadas. Neste contexto, a IA surge como uma das principais alavancas para inverter a tendência de estagnação e impulsionar o crescimento económico. Para Benjamim Vieira, Sócio Sénior da McKinsey, “sem decisões rápidas, investimento consistente e coordenação entre setor público e privado, o continente arrisca-se a perder uma oportunidade crítica para reforçar a sua competitividade global”. Segundo a McKinsey, o potencial económico da IA resulta sobretudo dos ganhos de produtividade nas organizações. Dos 480 mil milhões de euros de valor económico potencial identificados, cerca de 416 mil milhões correspondem a ganhos de produtividade nas organizações que utilizam IA, enquanto aproximadamente 63 mil milhões estão associados ao crescimento de empresas europeias que desenvolvem e comercializam soluções nesta área. Apesar das oportunidades, o estudo alerta para o atraso europeu face a outras regiões. Entre 2020 e 2024, as empresas norte-americanas investiram cerca de 300 mil milhões de dólares em IA, quase cinco vezes mais do que os cerca de 62 mil milhões investidos por empresas europeias no mesmo período. A McKinsey considera que esta diferença de investimento reflete uma menor velocidade de adoção e uma forte dependência europeia de fornecedores externos em áreas críticas, incluindo infraestruturas cloud, hardware e modelos fundacionais de IA. O relatório destaca o conceito de “IA soberana” como um fator essencial para acelerar a adoção destas tecnologias. Segundo a consultora, a capacidade de desenvolver e controlar competências críticas de IA pode vir a reduzir dependências externas e aumentar a confiança das organizações na utilização destas soluções. Entre os principais obstáculos identificados estão as preocupações relacionadas com segurança e localização dos dados. O estudo revela que 44% dos líderes tecnológicos europeus apontam questões de segurança como motivo para evitar a utilização de cloud pública, enquanto 31% referem a necessidade de manter dados em geografias específicas. Benjamim Vieira reforça que “desenvolver e controlar competências críticas de IA é essencial para reduzir dependências externas, acelerar a adoção em setores estratégicos e capturar valor económico tanto através de ganhos de produtividade como do crescimento de empresas europeias de IA”. O estudo conclui que a Europa não precisa de liderar toda a cadeia de valor global da IA, mas deve concentrar-se nas áreas onde pode gerar maior impacto económico, nomeadamente no desenvolvimento de aplicações, software especializado e soluções que permitam acelerar os ganhos de produtividade nas organizações. Segundo a McKinsey, a combinação de talento, capacidade científica, base industrial e investimento poderá permitir à Europa transformar a IA num motor de crescimento sustentável, desde que consiga acelerar a adoção destas tecnologias nos próximos anos. |