2024 é o “ano da adaptabilidade” no mundo do trabalho

Assegurar a transição verde e abraçar a inteligência artificial são dois dos fatores que estão a redefinir as fundações de como se vai definir o mundo do trabalho

2024 é o “ano da adaptabilidade” no mundo do trabalho

No meio da crescente digitalização do trabalho, da transição energética e da rápida evolução do tecido socioeconómico, o novo estudo de tendências do ManpowerGroup para 2024, “The Age of Adaptabiliy”, revela a importância crescente da adaptação, na construção de um futuro do trabalho movido por uma força de trabalho moderna e sustentável.

O ManpowerGroup previu a Human Age há mais de uma década, quando identificou que o capital humano se tornaria um grande diferenciador e motor do crescimento económico, com a tecnologia a permitir aumentar as capacidades humanas em vez de as substituir. Agora, “The Age of Adaptability” reforça essa análise à luz da crescente transformação digital e avalia o impacto de uma série de novos fatores, tais como os desequilíbrios geracionais, o foco na diversidade, equidade e inclusão, a transição verde e a crescente consumerização do trabalho.

Estamos a entrar numa era em que a adaptação é fundamental. As forças combinadas da Inteligência Artificial, da automação e da economia verde estão a transformar os empregos e as necessidades de competências a uma velocidade sem precedentes, exigindo uma força de trabalho adaptável e qualificada. A transformação do mundo do trabalho precisa de criatividade e flexibilidade, mas também de um investimento significativo na capacitação das pessoas para enfrentar as oportunidades e desafios desta nova era”, destaca Rui Teixeira, Diretor Geral do ManpowerGroup Portugal, em comunicado.

Devemos ser intencionais na aceleração do progresso humano e na construção de uma força de trabalho capacitada para o futuro. As empresas têm de tomar a dianteira, fornecendo percursos claros para a aquisição de competências futuras, recursos de upskilling acessíveis e orientação profissional para garantir a transição bem-sucedida da sua força de trabalho”, conclui.

O estudo identifica quatro forças – Alterações Demográficas, Adoção Tecnológica, Aceleradores da Competitividade e Escolha Individual – e várias tendências que refletem a transição para um novo equilíbrio entre trabalhadores e empregadores.

Reduzir fosso entre gerações através do reskilling e upskilling estratégicos

As organizações enfrentam o desafio de gerir o aumento da geração Z na sua força de trabalho. Esta geração representará 58% do total de trabalhadores até 2030, enquanto a população trabalhadora experiente está de saída. Esse desequilíbrio demográfico coloca diversos desafios à gestão do talento, com a perda de conhecimento provocada pela saída dos baby boomers que estão a reformar-se, a procura, por parte da geração Z, de novas competências e a necessidade de requalificação dos trabalhadores em meio de carreira, para que possam aceder a novas funções.

A requalificação e a mentoria direcionadas e os programas de formação multidisciplinar contribuem para ajudar os trabalhadores da geração Z e os mais experientes a partilhar o conhecimento tradicional, reduzindo os desequilíbrios de talento entre gerações e ajudando a fidelizar os trabalhadores maduros.

A força de trabalho do presente – e do futuro – será impulsionada pelas mulheres

Milhões de mulheres abandonaram o mercado de trabalho durante a pandemia, num movimento que, muitos temeram, levaria décadas a corrigir. No entanto, a recuperação está a ser notavelmente rápida, com as taxas de emprego feminino a voltar aos níveis pré-pandemia em apenas três anos.

Atualmente, as mulheres representam ligeiramente mais de 50% da força de trabalho global. Contudo, é crucial garantir a representação adequada das mulheres nas bases de talento, especialmente em setores em crescimento, onde ainda ocupam menos de um terço dos cargos de gestão e liderança e áreas relacionadas com a tecnologia.

DEIB, um catalisador de inovação e criatividade

A promoção da diversidade, equidade, inclusão e pertença (DEIB) tornou-se uma estratégia fundamental de negócio, gerando benefícios como o aumento da inovação e uma maior capacidade de atrair e reter talento. As equipas diversas trazem perspetivas mais amplas e o melhor talento valoriza cada vez mais um ambiente inclusivo na hora de escolher um emprego. No entanto, ainda há um importante caminho a percorrer por parte das empresas e uma disparidade na perceção por parte dos colaboradores, já que enquanto 68% dos líderes afirmam proporcionar um ambiente inclusivo, apenas 36% dos colaboradores concordam com essa afirmação.

Subaproveitado e subvalorizado: o talento imigrante é fundamental

A escassez de talento atual impulsiona os empregadores a adotar abordagens inovadoras de atração de profissionais, recorrendo a bases de talento globais. A integração bem-sucedida de equipas multiculturais cria vantagens sustentáveis, aliviando a atual escassez de talento e gerando benefícios adicionais a longo prazo. As organizações mais inovadoras estão a liderar na atração de competências a nível mundial, implementando as melhores práticas de inclusão que atraem candidatos internacionais. As suas forças de trabalho integradas representam melhor a diversidade de valores e perspetivas dos clientes, impulsionando uma maior inovação.

Pôr as pessoas no coração da IA

A ascensão da IA está a transformar o mundo do trabalho, com as empresas a antecipar uma perturbação de 23% nos empregos nos próximos cinco anos, entre a criação de novas funções e a eliminação de outras. Não obstante, para aproveitar o potencial desta tecnologia para impulsionar o crescimento e os ganhos de produtividade, as empresas deverão dar a prioridade às pessoas, adotando abordagens inovadoras que incorporem as necessidades, competências e o bem-estar dos trabalhadores, à medida que a tecnologia se torna incontornável no seu trabalho.

A tecnologia deve permitir dar condições às pessoas para se conectarem umas com as outras, construírem relações com significado e inovarem de forma criativa e ética. Nesse sentido, a atuação das empresas, e o próprio enquadramento político e legal, deve evoluir para apoiar a ideia de que os profissionais têm o potencial e a responsabilidade de orientar a trajetória da transformação ao nível da IA.

A IA vai criar mais empregos do que os que destruirá

A combinação da inovação tecnológica com o engenho humano irá gerar um maior crescimento económico e ajudar a superar os desafios da sociedade. Ao mesmo tempo, os avanços tecnológicos abrem oportunidades para um trabalho mais significativo, se as pessoas tiverem as competências necessárias.

O ManpowerGroup previu a Human Age há mais de uma década, quando identificou que o capital humano se tornaria um grande diferenciador e motor de crescimento económico. Ao longo dos últimos anos, ouviram-se muitas narrativas sobre destruição de emprego por causa da automatização. O que se acreditava é que a tecnologia pode aumentar as capacidades humanas em vez de as substituir. De facto, a maioria dos empregadores (58%) antecipa um impacto positivo da IA e realidade virtual no número de trabalhadores da sua organização, nos próximos dois anos.

À medida que as empresas se adaptam à IA, o futuro do trabalho será impulsionado pelos humanos, que deverão requalificar-se para colaborar efetivamente com as tecnologias modernas. As pessoas devem mudar as suas perspetivas e encarar a IA como uma oportunidade para expandirem os seus conhecimentos técnicos e competências profissionais.

O paradoxo da produtividade: explorar o potencial humano e a tecnologia avançada

Para desbloquear a produtividade latente, as empresas devem procurar a combinação ideal entre pessoas e tecnologia, melhorando a cultura organizacional e desenvolvendo as lideranças.

Nesta corrida por maiores índices de produtividade, o trabalho remoto ofereceu um primeiro patamar de evolução no desempenho. No entanto, atualmente, a ascensão da IA é vista como o novo impulsionador. Apesar deste otimismo, o seu impacto dependerá de como as empresas e a sociedade vão gerir a adoção destas novas tecnologias. Efetivamente, 20% dos empregadores, globalmente, consideram a Adoção Tecnológica como um dos mais importantes aceleradores de produtividade.

Uma transição verde promovida pelas pessoas

A transição verde assume destaque na agenda global. No entanto, na procura de uma maior sustentabilidade, organizações e sociedade como um todo têm de ter um foco crescente no impacto nas pessoas e na prosperidade. A transformação verde das empresas será o primeiro criador de emprego, a nível mundial, nos próximos cinco anos, segundo dados do Fórum Económico Mundial, pelo que investir nas competências necessárias para assumir funções ligadas à sustentabilidade e implementar estratégias de net zero torna-se, cada vez, mais um imperativo ambiental, económico e social.

Por outro lado, a sustentabilidade assume uma importância crescente na construção da imagem das empresas. Atualmente, os candidatos consideram atentamente o desempenho ambiental das empresas, antes de aceitarem uma oferta de emprego, com 62% a investigar a reputação ambiental e 60% a valorizar ações visíveis contra problemas ambientais.

O desafio dos managers: gerir a transformação contínua

Os managers tiveram um papel fundamental, na gestão do período pandémico, aprendendo a liderar remotamente, a motivar equipas e promover o bem-estar e saúde mental. Agora, enfrentam um novo desafio, com a necessidade de guiar as equipas num contexto de transformação acelerada, impulsionada pela IA, a automatização e a procura de uma maior sustentabilidade. Com as competências digitais e de sustentabilidade a surgirem como novos requisitos, as suas funções incluem motivar as equipas, tranquilizar preocupações sobre o emprego e impulsionar as iniciativas de requalificação que permitirão que trabalhadores de todos os níveis de competências consigam participar no futuro do trabalho.

Onshore vs. Nearshore vs. Offshore

O risco e a incerteza vão continuar a impactar as empresas no próximo ano, impulsionados pelos cenários de conflito, pelo receio de uma recessão e pelas perturbações nas cadeias de abastecimento. Estas últimas estão gradualmente a ser atenuadas, mas ainda persistem desafios como a segurança e as disrupções nos trajetos, a procura de maior sustentabilidade, a volatilidade da procura e a variabilidade nos custos dos combustíveis. As empresas estão a preparar-se para futuras perturbações, diversificando redes de fornecedores e bases de talento. Nesse sentido, 53% dos fabricantes afirmam ter near- ou re-shored as suas operações nos últimos 24 meses, em resposta à crescente incerteza geopolítica e ao aumento dos salários em alguns países em desenvolvimento.

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