“Este é um ano de grande mudança para nós”

José Oliveira, CEO da BI4All, faz a comparação entre o mercado de big data e analítica de há 15 anos – quando a empresa nasceu – para os dias de hoje e recorda que, antes, uma análise de três variáveis era difícil de fazer porque “não havia sistema que aguentasse”

“Este é um ano de grande mudança para nós”

Em que ponto é que a BI4All está e como é que veem o mercado de momento? 

A BI4All faz 15 anos este ano. Já somos uns monstros desta matéria. Precisamente no 15.º ano, alterámos toda a estrutura da organização para estarmos prontos para os próximos 15 anos. A alteração foi significativa; estávamos focados na produção, na entrega e nos clientes a 100%. A essa estrutura hoje chamamos delivery e mudámos tudo, alterámos todo o conceito: temos nearshore, corporate account, PME. 

Temos a BI4All Norte, para a zona norte do país. Depois temos outra área ao lado que é a estrutura de conhecimento, e temos as áreas fortes em que apostamos para os próximos anos, que é machine learning, inteligência artificial, data science, big data, corporate performance management. 

Também temos uma área de vendas, nacional e internacional, temos uma área de marketing puro, e temos finalmente a área financeira e de recursos humanos. 

Não estávamos organizados assim; tínhamos as pessoas, mas foi uma grande alteração. Isto porque a estrutura em que estávamos organizados partiu destas 50 pessoas para 250, mas já não dava mais para continuarmos o modelo estava a esgotar. Esta alteração tornou-se efetiva a 1 de junho. 

Coincidiu mais ou menos com a mudança para as novas instalações de Lisboa. 

Exatamente. Este é um ano de grande mudança. Só estamos a ocupar 1.100 metros quadrados dos sete mil disponíveis. Estamos a começar as obras e queremos na próxima primavera iniciar a mudança. Estamos sempre a crescer. Vamos chegar às 300 pessoas este ano e o objetivo para o próximo é chegar às 400. 

Falando de analítica, diria que os conceitos fundamentais evoluíram, mas mantiveram-se maioritariamente constantes, a grande inovação foi na infraestrutura subjacente? 

Evidentemente, uma não vive sem a outra. Não seria possível evoluir o analytics se não evoluíssemos o armazenamento, a capacidade de resposta e de processamento. Era aqui que as coisas morriam. Fiz projetos, por exemplo, na área de transportes, e lembro-me que o senhor me pôs três variáveis para cruzar à frente. Na altura fizemos um piloto e, entretanto, aquilo parou. Não era muito complexo. 

O problema era o cálculo que estava ali por trás; na altura não havia sistema que aguentasse aquele cruzamento. Três dimensões. Hoje em dia aguentamos tudo e mais alguma coisa. 

As próprias ferramentas não podiam ser desenvolvidas porque não havia capacidade de resposta. Hoje, não só a capacidade de resposta dos sistemas, como o custo disso, baixou significativamente. Portanto, com essa capacidade, os criativos e os matemáticos tiveram capacidade de dar asas àquilo que aprenderam na faculdade. 

A natureza dos projetos em que a BI4All está envolvida mudou? 

A cada ano que passa o software sofre mutações enormes, ou seja, acrescentam qualquer coisa, editam sempre qualquer coisa. 

A diferença principal era que o business inteligence era um processo reativo. Nós recosíamos, processávamos e apresentavamos os dados. O analytics já faz previsões, estimativas, já faz mais do que o outro [software] fazia. Esta é a primeira inovação. 

Depois mudou tudo: o grafismo, a forma como olhamos para a informação, os próprios conceitos de gestão estão a mudar, temos de pensar que o mundo mudou, e a própria gestão tem uma evolução significativa. 

Se olharmos para os gestores “à moda antiga”, há empresas que estão mais agarradas a meia dúzia de indicadores. Em negócio tradicional, isto funciona; em negócio corrente não funciona bem assim. 

Lembro-me que há semanas tive uma reunião com uma pessoa de um grande cliente nosso do retalho e uma das coisas que essa pessoa me colocou em cima da mesa foi uma ideia que teve há cinco ou seis anos, que era vender dados às empresas, às marcas - o perfil do cliente numa determinada região, por exemplo - e vender estes dados para as empresas tomarem decisões. 

Quando teve a ideia, não conseguia, por um lado, vender o conceito aos decisores, que não estavam preparados para essa informação. Por outro lado, tinham alguma dificuldade para conseguirem que os sistemas dessem resposta a um grande volume de dados a tempo e horas. 

Hoje em dia é banal pensarmos em vender informação, o big data permite isto. Mais: o Big Data, associado à data science, tem a capacidade de fazer isto em segundos. 

O perfil do interlocutor nas empresas mudou, em termos de nível na empresa e know-how? 

Há quinze anos um decisor não tinha nada. Hoje, tem qualquer coisa, nem que seja uma pivot table e faz lá os seus cruzamentos. Sabem o que é que querem, ou pelo menos têm um caminho, já viram funcionar. 

Quem é que dentro das organizações toma a iniciativa? 

Depende muito. Sempre começámos pelas áreas financeira e comercial, sempre foram as áreas core nas organizações, e também porque as empresas ganharam esta dimensão. 

Por exemplo, 50% do nosso negócio está em nearshore, está em Portugal. Estes clientes têm diretores de operações, diretores de áreas. O decisor é um interlocutor, é um business analyst; sabe as necessidades que tem por país e por região. É claramente um homem de negócio. 

A cloud é uma força. Já é relevante para os clientes ou ainda há uma desconfiança em ter os dados na cloud? 

Acho que cada vez mais as empresas percebem que a cloud é o futuro, nem que seja por uma questão de custos, de armazenamento. 

Não há nenhuma empresa em que não se recomende a cloud, tanto a nível de processamento como a nível de armazenamento. Isso é indiscutível. Outra questão é a própria arquitetura de construção de um sistema de analítica. Nós aceitávamos o desenvolvimento dos modelos sobre um data warehouse tradicional, de acordo com o que eram os modelos em estrela, etc.. 

Estes modelos servem para sistemas tradicionais e respondem, por exemplo, se quisermos uma análise de vendas ou analisar os recursos humanos, ou da área de vendas independentemente - estes sistemas funcionam e devem continuar a funcionar. 

No entanto, na maioria das empresas, já há um princípio de armazenamento de dados completamente diferente do tradicional. Está relacionado com a mudança de paradigma que é a dimensão de dados, a capacidade de armazenar e a capacidade de em algum momento querermos alterar – mesmo que tenhamos um sistema tradicional, desde que seja um modelo assente já na nova organização de dados. 

Notam uma diferença no perfil do utilizador final? 

Depende se ele já usava ou não, se usava num projeto sério, algo de que gostava e que lhe servia para resultados, para utilizar a informação e era útil. Se já usava, é um utilizador que já consideramos avançado, é uma lebre, e está sempre a correr e 'come' aquilo tudo. 

Também existem os utilizadores mais antigos, que estão habituados à sua pivot table. Mudar aquelas pessoas para outra coisa que implementamos dá um trabalho enorme. Até podem usar só Excel para pôr as propostas, para pôr os seus dados. 

Querem montar um CRM, e têm de deixar de fazer assim, que fazem já de olhos fechados e é preciso montar aquilo segundo uma organização. São reações à mudança que, muitas vezes, é preciso ir inovando pouco a pouco, as pessoas têm que ir ganhando confiança nos dados e nos próprios sistemas. 

Qual é o greenfield para a BI4All? Onde é que está a grande oportunidade? 

Todos os anos defino um business plan e uma estratégia de acordo com a parte da comunicação, a tendência, do mercado como o estou a ver. Previ este ano já ter acima de 50% do negócio em internacional, no entanto é 'ela por ela'. 

Isto porque as empresas portuguesas, nesta alavancagem da economia nacional, também começaram a investir, e começaram a perceber como é que a BI4All fez um trabalho talvez melhor do que algumas grandes consultoras. 

Neste momento, as empresas estão a vir ter connosco. Temos um plano de ação perfeitamente definido, tanto em comunicação, como marketing, como lançamento de ebooks. 

Falamos de modelos em que, trabalhando numa área, aquilo tem uma solução para a área em que diz logo como é que se deve montar. Temos as soluções e sabemos que o futuro é o desenvolvimento de soluções, porque nem todas as empresas podem desenvolver ou podem pagar o custo hora/homem para o desenvolvimento de uma solução. 

A única forma que existe de colmatar o problema é então comprar uma solução que funcione; talvez não seja 100% como quer, mas será 70/80%, o que já resolve uma data de problemas com um custo acessível. Esse é o futuro, não tenho a mínima dúvida. 

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