Estudo da McKinsey revela que cerca de 60% dos portugueses que usam IA generativa recorrem à tecnologia para investimentos, comparação de bancos e gestão financeira
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A Inteligência Artificial (IA) generativa está a ganhar um papel cada vez mais relevante na relação dos portugueses com os serviços financeiros. Segundo o relatório “Global Banking Annual Review 2025”, da McKinsey & Company, cerca de 60% dos utilizadores portugueses de IA generativa já recorrem a esta tecnologia para gerir tarefas financeiras. O estudo revela que Portugal apresenta elevados níveis de conhecimento e adoção desta tecnologia. Cerca de 95% dos consumidores afirmam conhecer ferramentas de IA generativa e aproximadamente 67% já as utilizam. Entre as gerações mais jovens, a utilização é ainda mais expressiva, atingindo 80% na geração Z e 75% entre os Millennials. No setor financeiro, a IA está a ser utilizada sobretudo para aconselhamento em investimentos (37%), compreensão de produtos financeiros (32%) e comparação de serviços ou instituições bancárias (28%). Segundo a McKinsey, cerca de 27% dos utilizadores recorrem à IA generativa para tarefas financeiras pelo menos uma ou duas vezes por mês, demonstrando que estas ferramentas estão a passar de uma utilização pontual para um apoio recorrente na gestão financeira pessoal. O estudo indica ainda que cerca de 80% dos utilizadores portugueses recorrem a ferramentas de IA generalistas, como assistentes externos, enquanto apenas 22% utilizam soluções disponibilizadas diretamente pelos bancos. Para Benjamim Vieira, sócio sénior da McKinsey, esta mudança representa uma transformação estrutural no comportamento dos consumidores e nas expectativas em relação à banca. “Os consumidores recorrem cada vez mais à IA para se informarem melhor, compararem alternativas e apoiarem decisões financeiras cada vez mais relevantes”, afirma o responsável em comunicado. “Já não basta disponibilizar canais digitais modernos. É necessário integrar a IA nos momentos críticos das interações entre o cliente e o banco”. A IA generativa começa também a influenciar decisões bancárias concretas. Cerca de 40% dos utilizadores afirmam recorrer à tecnologia para apoiar decisões de compra e 19% dos consumidores que abriram uma nova conta bancária nos últimos dois anos utilizaram IA generativa nesse processo. Além disso, aproximadamente 88% dos utilizadores consideram que as funcionalidades de IA vão influenciar a escolha do banco no futuro, reforçando a importância da inovação tecnológica na competitividade do setor financeiro. Apesar da elevada adoção, persistem preocupações relacionadas com confiança e privacidade. As principais barreiras identificadas pelos consumidores portugueses incluem proteção de dados (37%), respostas demasiado genéricas (32%) e falta de confiança nas recomendações fornecidas pela IA (23%). Ainda assim, cerca de 65% dos utilizadores afirmam confiar mais no seu banco principal para disponibilizar serviços baseados em IA do que em empresas tecnológicas ou fintechs. O estudo mostra também uma evolução gradual da confiança na qualidade do aconselhamento financeiro gerado por IA. Cerca de 29% dos utilizadores consideram que este aconselhamento já é tão bom ou melhor do que o de um consultor humano, percentagem que sobe para 33% entre os utilizadores da geração Z. Apesar disso, a interação humana continua a ser valorizada em situações de maior complexidade financeira. Embora 28% dos utilizadores prefiram recorrer imediatamente a um assistente de IA, cerca de 47% continuam dispostos a esperar mais de 30 minutos para falar com uma pessoa em casos mais críticos ou sensíveis. |