A automação com IA já contribui para a redução da contratação de jovens em 18% das empresas portuguesas que diminuíram o recrutamento de profissionais em início de carreira
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A falta de experiência, a pressão para obter resultados imediatos e a crescente adoção de Inteligência Artificial (IA) estão a dificultar a entrada dos jovens no mercado de trabalho português, segundo os resultados do “ManpowerGroup Employment Outlook Survey” para o quarto trimestre de 2026. O estudo revela que 71% dos empregadores nacionais mantiveram ou aumentaram apenas ligeiramente a contratação de profissionais em início de carreira durante o último ano. Esta evolução ocorre num contexto em que a taxa de desemprego jovem em Portugal atingiu 20,1% em julho de 2026, significativamente acima dos 5,7% registados para a população em geral. Entre as empresas que reduziram a contratação de jovens profissionais, 30% apontam como principal motivo a diminuição generalizada do recrutamento. A falta de experiência é referida por 25% dos empregadores, enquanto 23% afirmam que a pressão sobre os custos e a necessidade de produtividade imediata os levam a privilegiar candidatos mais experientes. A falta de competências técnicas e comportamentais constitui outra barreira, identificada por 29% das empresas portuguesas. Já 22% referem um desajustamento entre as expectativas dos candidatos e os requisitos das funções. A transformação tecnológica começa também a influenciar as oportunidades disponíveis. Em Portugal, 18% dos empregadores que reduziram a contratação de profissionais em início de carreira afirmam que a automação impulsionada pela IA contribuiu para eliminar ou reduzir tarefas tradicionalmente desempenhadas por estes trabalhadores. A nível global, esta percentagem sobe para 23%. Apesar destas dificuldades, as tecnologias digitais continuam a representar uma área de recrutamento. Segundo o estudo, 17% dos empregadores portugueses contratam jovens para funções relacionadas com Tecnologias de Informação e Dados, enquanto 16% recrutam profissionais em início de carreira para atividades ligadas ao desenvolvimento e treino de sistemas de IA. As áreas com maior incidência de contratação de jovens são, contudo, a Logística (29%), a Indústria e Produção (25%) e a Administração e Suporte (25%). Seguem-se Engenharia (19%), Recursos Humanos (18%) e Vendas (17%). “Num momento em que as empresas procuram responder a necessidades de produtividade cada vez mais imediatas, o desafio passa também por criar condições para que os profissionais em início de carreira possam desenvolver experiência e competências em contexto real de trabalho”, afirma Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup. O responsável considera que a combinação entre formação, experiência prática e desenvolvimento de competências digitais será determinante para aproximar os jovens das necessidades das empresas. O ManpowerGroup Employment Outlook Survey baseia-se num inquérito a 39.878 empregadores de 42 países e territórios, realizado em julho de 2026. O estudo analisa as intenções de contratação para o quarto trimestre do ano, utilizando critérios padronizados de dimensão das organizações e setor de atividade para permitir comparações internacionais. As projeções de emprego são ajustadas sazonalmente. |