A forma como as organizações olham para a cloud mudou significativamente.
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Deixou de ser vista apenas como um destino para dados ou para o seu processamento e passou a ser entendida como um ecossistema dinâmico, que estende workloads até ao Edge Computing e suporta novas arquiteturas de aplicação. As abordagens cloud-native, serverless e baseadas em containers têm ganho importância, permitindo desenvolver e escalar aplicações com níveis de agilidade e eficiência sem precedentes. Esta evolução está também ligada ao crescimento acelerado do Edge. De acordo com o relatório da Gartner “Emerging Technologies: Revenue Opportunity Projection for Edge Computing”, este mercado poderá atingir 511 mil milhões de dólares em 2033, um aumento expressivo face aos 131 mil milhões registados em 2023. O impulso é explicado sobretudo pela proliferação de dispositivos IoT e pelo papel cada vez mais relevante da inteligência artificial, que exigem processamento distribuído e capacidade para tratar grandes volumes de dados em tempo útil. É precisamente no IoT que o Edge assume um papel crítico. O processamento local reduz a latência e permite respostas rápidas, essenciais em soluções como smart cities, veículos autónomos ou automação industrial. Do mesmo modo, nas iniciativas de AI e machine learning, a execução no Edge possibilita analítica em tempo real e decisões autónomas em cenários sensíveis ao tempo, como a condução autónoma. Segundo o “Market Guide for Edge Computing” da Gartner, estima-se que, em 2029, pelo menos 60% das infraestruturas de Edge incorporem soluções de IA generativa, mostrando a convergência cada vez mais forte entre estes domínios. Em paralelo, o movimento cloud-native tem acompanhado estas exigências, tornando-se rapidamente o padrão para desenvolver aplicações escaláveis, resilientes e com custos otimizados. Tecnologias como containers e arquiteturas serverless permitem decompor aplicações monolíticas em serviços independentes, acelerando a inovação e aumentando a flexibilidade. O estudo “Cloud Native Applications Market – Global Forecast to 2028” da Markets and Markets prevê que este mercado atinja 17 mil milhões de dólares em 2028, refletindo uma adoção sustentada destas abordagens. A convergência entre cloud, Edge e arquiteturas cloud-native tem ainda implicações diretas em áreas estratégicas como AI/ML e sustentabilidade. O treino e a execução de modelos de IA exigem elasticidade e processamento paralelo — capacidades inerentes a estas tecnologias — enquanto a otimização do consumo de recursos se torna essencial para apoiar iniciativas de sustentabilidade, cada vez mais prioritárias para as organizações. Neste cenário, a prática de FinOps assume um papel central. A Gartner prevê que o investimento global em cloud pública alcance 723,4 mil milhões de dólares em 2025, mais 21% do que em 2024. Com o aumento dos workloads de IA, tanto em cloud pública como privada, torna-se fundamental adotar práticas rigorosas de gestão financeira que permitam controlar custos, otimizar consumo e garantir previsibilidade. Estas transformações refletem uma mudança estrutural na forma como as organizações desenham e gerem os seus ecossistemas tecnológicos. A convergência entre cloud, Edge, arquiteturas cloud-native e práticas como FinOps será determinante para responder às exigências de escalabilidade, eficiência e controlo nos próximos anos, exigindo uma abordagem cada vez mais integrada e estratégica à modernização tecnológica.
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