Resiliência emerge como motor estratégico de competitividade económica

Relatório identifica infraestruturas, digitalização, acesso ao capital para PME e estabilidade regulatória como prioridades para desbloquear crescimento sustentável nos mercados emergentes

Resiliência emerge como motor estratégico de competitividade económica

A resiliência deixou de ser apenas a capacidade de recuperação após uma crise e passou a ser um fator central de competitividade e crescimento, sobretudo nos mercados emergentes. A conclusão consta de um novo white paper do Resilience Consortium do Fórum Económico Mundial, desenvolvido em colaboração com a McKinsey & Company e baseado em contributos de mais de 270 executivos.

O relatório, intitulado “Resilient Firms and Economies: How Companies, Governments, and Multilateral Development Banks Can Unlock Growth in Emerging Markets”, indica que, apesar de a preparação para disrupções estar a melhorar, apenas uma em cada quatro empresas se considera verdadeiramente equipada para gerir choques em múltiplas dimensões de resiliência.

Segundo dados do “World Economic Outlook” do Fundo Monetário Internacional, os mercados emergentes representam cerca de 60% do PIB mundial. No entanto, estão também são as economias mais expostas a riscos como alterações climáticas, fragmentação geopolítica e disrupções nas cadeias de abastecimento.

O estudo sublinha que transformar resiliência em crescimento exige ação coordenada entre governos, empresas e bancos multilaterais de desenvolvimento. A análise identifica quatro prioridades estratégicas.

A primeira passa pelo reforço de infraestruturas e cadeias de abastecimento. Energia, transportes e logística fiáveis são apontados como fundamentais para reduzir a vulnerabilidade a choques e aumentar a produtividade. O relatório destaca a importância de modelos de financiamento mistos, enquadramentos de garantias mais claros e soluções ajustadas aos mercados locais.

A segunda prioridade é a aceleração da digitalização e do desenvolvimento de competências. Embora a infraestrutura digital seja cada vez mais relevante para a integração nas cadeias de valor globais, a adoção permanece desigual. Parcerias entre financiamento de desenvolvimento, setor privado e instituições locais podem ajudar a colmatar estas lacunas, acompanhadas por investimento em competências digitais.

O acesso ao capital para pequenas e médias empresas surge como o terceiro eixo crítico. As PME são motores de emprego e inovação, mas continuam a enfrentar dificuldades no financiamento. Mecanismos de partilha de risco e apoio técnico podem incentivar instituições financeiras a expandir o crédito a este segmento.

Por fim, o relatório destaca a necessidade de reduzir fricções e incerteza política. Enquadramentos regulatórios previsíveis e decisões consistentes são vistos como essenciais para atrair investimento de longo prazo. Ferramentas normalizadas para parcerias público-privadas e modelos claros de alocação de risco podem acelerar projetos estratégicos.

O white paper reconhece que a resiliência implica custos iniciais, particularmente em economias com espaço orçamental limitado. No entanto, defende que, quando tratada como uma estratégia de crescimento, a resiliência pode gerar retornos sustentáveis, reduzir riscos sistémicos e desbloquear novas oportunidades de investimento.

Segundo o Fórum Económico Mundial, o futuro económico global dependerá, em grande medida, da capacidade dos mercados emergentes para resistir a choques, adaptar-se rapidamente e investir de forma consistente. Nesse contexto, resiliência e crescimento deixam de ser objetivos concorrentes e passam a ser interdependentes.

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