Gartner prevê impacto generalizado da IA nos dados

A Gartner revelou as principais previsões para Data & Analytics até 2030. A consultora indica que a inteligência artificial irá transformar governança de dados, talento e ferramentas empresariais

Gartner prevê impacto generalizado da IA nos dados

A Gartner divulgou as principais previsões para Data & Analytics (D&A) até 2030, destacando o impacto crescente da Inteligência Artificial (IA) em áreas como liderança, governação de dados, talento e dinâmica de mercado.

As previsões foram apresentadas durante o Gartner Data & Analytics Summit, que decorreu entre 9 e 11 de março em Orlando, nos EUA.

Segundo Rita Sallam, Distinguished VP Analyst da Gartner, afirma que “o ritmo de mudança nos dados e na inteligência artificial é tão rápido que cada ano parece um novo capítulo de um romance de ficção científica”.

A analista acrescenta que “em 2026, as fronteiras entre inteligência humana, de máquina e organizacional continuarão a esbater-se. As empresas dependem dos dados de formas sem precedentes, com sistemas de IA não apenas a apoiar, mas a colaborar como parceiros”.

Competências em IA entram nos processos de recrutamento

Uma das previsões indica que, até 2027, 75% dos processos de recrutamento vão incluir certificações ou testes de competências em IA.

A Gartner considera que as organizações vão ter de adaptar as estratégias de talento para acompanhar o ritmo da inovação em inteligência artificial.

“Os líderes devem incentivar uma medição rigorosa e baseada em dados das competências para identificar lacunas entre as ambições em IA e a preparação da força de trabalho de IT”, afirma Rita Sallam, os líderes de Data & Analytics.

IA desafia ferramentas de produtividade

Outra previsão indica que, até 2027, a IA generativa e os agentes de IA vão criar o primeiro grande desafio às ferramentas de produtividade tradicionais em 30 anos, podendo provocar alterações num mercado estimado em 58 mil milhões de dólares.

De acordo com a Gartner, a criação de conteúdos está cada vez mais baseada em modelos de IA generativa que analisam e sintetizam grandes volumes de informação, em vez de começar a partir de conteúdos criados manualmente.

Neste contexto, os líderes de D&A devem apostar em ferramentas adaptadas a experiências baseadas em agentes de IA, incluindo novas interfaces, formatos de documentos e integrações.

Agentes de IA vão gerar grandes volumes de dados

A Gartner prevê também que, até 2029, os agentes de IA possam vir a gerar dez vezes mais dados provenientes de ambientes físicos do que todas as aplicações digitais de IA combinadas.

Aplicações baseadas em agentes autónomos estão a gerar grandes volumes de dados relacionados com movimento, interação espacial e comportamento em ambientes físicos, ao criar oportunidades para modelos de simulação e previsão.

Governança e camadas semânticas ganham importância

Outra tendência apontada pela consultora indica que até 2030 metade das organizações utilizará agentes autónomos de IA para interpretar políticas de governação e normas técnicas, transformando-as em contratos de dados verificáveis por máquinas.

A Gartner alerta também que 50% das falhas na implementação de agentes de IA poderão resultar de governança inadequada, sobretudo na fase de execução das plataformas e na interoperabilidade entre sistemas.

Para mitigar estes riscos, Rita Sallam recomenda que as organizações experimentem agentes de governança de dados em ambientes controlados antes de escalar a sua utilização.

Startups IA-native e novas lideranças

A consultora prevê ainda que até 2030 surja uma nova geração de empresas tecnológicas altamente eficientes, capazes de atingir receitas recorrentes elevadas com equipas reduzidas, graças à utilização intensiva de IA.

Ao mesmo tempo, a Gartner considera que as organizações que obtiverem maior diferenciação através da IA serão lideradas por executivos que combinam competências tecnológicas com fortes capacidades relacionais e de liderança.

Por fim, a consultora antecipa que as camadas semânticas universais passarão a ser tratadas como infraestrutura crítica, a par das plataformas de dados e da cibersegurança, permitindo melhorar a consistência dos dados e reduzir riscos associados ao uso de inteligência artificial.

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