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A importância do desenvolvimento de novas competências da FCT

É na convicção de que Portugal tem de estar profundamente preparado para enfrentar esta mudança que uma parte da missão da FCT passa pelo aumento de competências digitais dos portugueses

A importância do desenvolvimento de novas competências da FCT

O Departamento da Sociedade da Informação (DSI) da FCT foi criado em 2012, aquando da fusão entre a FCT e a UMIC–Agência para a Sociedade do Conhecimento, tendo ficado com a missão de promover a mobilização de políticas públicas em Portugal para a Sociedade da Informação e do Conhecimento, e promover relações de cooperação e associação com entidades estrangeiras.

A atualidade e a pertinência das competências atribuí-das ao DSI encontram espelho na dinâmica acelerada pelo fenómeno da economia e sociedade digitais. Perante a constatação de uma sociedade global em constante transformação digital, o trabalho e a missão do departamento são um desafio diário, até porque vivemos numa “realidade em que a Internet pode mudar de um dia para o outro, ou melhor, pode mudar da manhã para a tarde, com todas as implicações que isso acarretará.

É na convicção de que Portugal tem de estar profundamente preparado para enfrentar esta mudança que uma parte da missão da FCT passa pelo aumento de competências digitais dos portugueses. Logo em 2012, com a criação do DSI, a imediata preocupação foi criar uma Rede TIC e Sociedade, com base na experiência que tinha adquirido na UMIC com os “Espaços Internet” que permitiam o acesso à Internet de forma gratuita por toda a população portuguesa.

O DSI, em colaboração com diversos stakeholders, elaborou a “Estratégia Nacional para a Inclusão e Literacia Digitais 2015-2020” (ENILD), recorrendo à Rede TIC e Sociedade como rede de intervenção multistakeholder.

 

Na mesma altura, foi criada a Coligação Portuguesa para a Empregabilidade Digital (CPED) como a resposta nacional ao desafio, lançado em 2013, pela Grand Coalition for Digital Jobs da Comissão Europeia, para colmatar a falta de competências digitais na Europa e preencher o défice de profissionais em TIC. A CPED era formada por diferentes stakeholders que se propunham, em conjunto, adotar medidas para a formação de jovens em TIC, a requalificação da força de trabalho desempregada, a consciencialização para a oportunidade ímpar de empregabilidade que este contexto configurava e a internacionalização do setor TIC.

Com base nesta experiência, entendemos ter reunido todas as condições para que o DSI pudesse abraçar um novo Programa que acabou por alavancar a ENILD e a CPED, a nível governamental, i.e., a Iniciativa Nacional Competências Digitais e 2030 (INCoDe.2030).

Trata-se de um Programa muito interessante porque promove as competências digitais de forma holística, integrada e ímpar a nível internacional. Inclui ações estratégicas e estruturantes na inclusão, literacia e acessibilidade digitais, na educação, na qualificação e na requalificação, na especialização até à produção de novo conhecimento, onde se incluem a Ciência Aberta e as Tecnologias Futuras e Emergentes, como a Robótica, a Computação de alto desempenho, a Inteligência Artificial, a Internet das Coisas e tecnologia Blockchain, entre outras.

Atendendo ao facto das políticas públicas relativas à Internet e à Sociedade Digital, no âmbito da missão do DSI, serem, pela sua própria natureza, internacionais, o DSI assegura e apoia a representação nacional nos fora e organizações internacionais com papel decisivo na governação da Internet e desenvolvimento da Sociedade de Informação e das TIC às escalas europeia e mundial, com vista a obter, em primeira mão, informações sobre desenvolvimentos noutros países, e contribuir para afirmar a voz de Portugal nos fora internacionais mais relevantes nesta matéria, quer sejam na UE, na OCDE, na ONU através do CSTD1e do IGF2, e no GAC3da ICANN4.

As atividades prosseguidas e os resultados obtidos demonstram que a missão do DSI é complexa, incluindo constrangimentos vários ligados ao funcionamento da Administração Pública que não nos podem demover do nosso foco. A missão é igualmente exigente, por requerer uma articulação e ação permanentes com os mais variados stakeholders públicos, privados, academia, comunidade técnica e sociedade civil e desafiante, pelas metas e objetivos que temos e ainda manter a necessária capacitação para a permanente interação com novo conhecimento.

Liderar o DSI é ter uma equipa preparada para perceber e percecionar de forma rápida como o mundo está a evoluir, e motivá-la para ter uma visão que permita melhor defender e afirmar os interesses nacionais.

 

 

Por Ana Neves, Diretora do Departamento de Sociedade da Informação da Fundação para a Ciência e Tecnologia

 

 

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IT INSIGHT Nº 15 Outubro 2018

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