Quase metade das empresas portuguesas já estão a utilizar IA

Estudo revela que 41% das empresas em Portugal afirma que já está a utilizar soluções de inteligência artificial

Quase metade das empresas portuguesas já estão a utilizar IA

Nos últimos anos, o mercado da Inteligência Artificial (IA) tem estado em forte crescimento, especialmente no contexto empresarial. De acordo com um estudo recente da Microsoft, a dimensão total do mercado de IA ultrapassou os 241 mil milhões de dólares, projetando-se que atinja os 738 mil milhões de dólares até 2030.

No caso da IA generativa, verificou-se um aumento de 90% em relação ao ano de 2022 e de 692% em relação a 2020. Face a esta evolução, os empregadores, tanto a nível global como em Portugal, começam já a incluir a adoção de ferramentas de Inteligência Artificial nas suas estratégias, enquanto ajudam as suas equipas a implementar estas tecnologias de forma responsável.

A introdução da IA no mundo do trabalho é já uma realidade inegável que está a impactar empresas e profissionais, que precisam de se adaptar para aprender a trabalhar com esta ferramenta, aumentando assim a sua produtividade. De facto, num período de três anos prevê-se que cerca de 80% das empresas já estejam a utilizar a IA nas suas operações, o que lhes permitirá superar desafios empresariais de forma mais eficaz. Embora surjam ainda algumas reservas por parte dos profissionais, atualmente a maior parte do talento começa a perceber que esta inovação pode efetivamente influenciar positivamente o seu trabalho. Face a este cenário, é fundamental que ambos os lados consigam desenvolver estratégias eficazes, ao nível da capacitação, da gestão da mudança e também de uma implementação ética e responsável, para promover uma transição benéfica para todos, garantindo que estão preparados para este que será, sem dúvida, o futuro do trabalho”, começa por explicar Nuno Ferro, Brand Leader da Experis, em comunicado.

Para analisar o atual contexto de implementação da IA e o seu impacto nas empresas e nas pessoas, a Experis lançou o “Global Insights Whitepaper – Construir uma Estratégia Centrada nas Pessoas para a Produtividade Impulsionada por IA”, estudo que apresenta as atuais tendências atuais de adoção, os obstáculos à sua implementação e os principais benefícios antecipados.

O estudo analisa as respostas de mais de 40 mil empregadores em 42 países para compreender de forma mais clara a adoção atual e futura de IA em diversos setores. Atualmente, cerca de metade das empresas a nível global (48%) já utiliza ferramentas de IA, sendo que, em Portugal, as organizações se revelam um pouco mais cautelosas, com 41% a referir usar estas ferramentas.

A nível global, são as Grandes Empresas, e em particular as Grandes Empresas entre mil e cinco mil colaboradores, as que mais recorrem a esta ferramenta, com mais de metade (54%) a afirmar já estar a usá-la atualmente. Já no caso das empresas de menos de 50 trabalhadores (Micro e Pequenas Empresas), esta adoção é dez pontos percentuais inferior. Em Portugal, o contexto é similar, mas com uma adoção um pouco menos acentuada. No caso das empresas portuguesas, a adoção é mais elevada nas Médias e Grandes Empresas, com taxas superiores aos 44%. Já as Microempresas são aquelas que se demonstram mais cautelosas, com apenas 33% a afirmar já utilizar a IA.

De uma maneira geral, os empregadores planeiam acelerar esta implementação de tecnologias de IA nos próximos anos. De facto, entre aqueles que não são utilizadores atuais, 33% a nível global e 38% em Portugal afirmam que a sua organização planeia recorrer a ferramentas de IA nos próximos três anos. Esta evolução aumentará o uso médio global destas aplicações para 81% dos empregadores em todo o mundo, até 2027. Para aproveitar em pleno estas ferramentas e criar valor centrado no cliente, aumentará, assim, a necessidade de construir uma força de trabalho qualificada.

Tanto em Portugal como a nível global, a maioria da força de trabalho (65%), em todos os níveis hierárquicos, acredita que a IA terá um impacto positivo no futuro do trabalho. No entanto, o nível de otimismo varia com base na região e no nível hierárquico dos trabalhadores. Em Portugal, as lideranças séniores e intermédias são as mais otimistas (70%), seguidas dos profissionais administrativos (68%). Os trabalhadores da linha da frente, isto é, os profissionais de fábrica ou de atendimento, são os mais cautelosos, com apenas 53% a manifestar o mesmo otimismo.

São os profissionais da região das Américas Central e do Sul os mais entusiastas em relação ao impacto positivo da IA, em todos os níveis hierárquicos, sendo que é na Europa, Médio Oriente e África que os profissionais se revelam menos otimistas. Na verdade, pouco mais de metade dos trabalhadores de fábrica ou de atendimento (54%) desta região acredita que a Inteligência Artificial terá um impacto positivo nas empresas.

35% dos empregadores em Portugal apontam as preocupações com a privacidade e a regulamentação como o principal desafio da adoção da IA. Seguem-se os elevados custos de investimento e a resistência dos profissionais à mudança, ambos com 30% dos empregadores a responder nesse sentido. Um total de 29% dos empregadores refere igualmente a falta de competências, por parte dos trabalhadores, para usar a IA de forma eficaz. O cenário é similar ao observado a nível global, onde a principal preocupação, apontada por 33% dos empregadores, diz respeito aos custos da adoção da IA. Do mesmo modo, as preocupações com a privacidade e regulamentação e a falta de competências dos profissionais foram também destacadas por 31% das empresas.

Embora os principais desafios apresentem variações de setor para setor, as questões da privacidade e regulamentação associadas ao uso generalizado da IA, surgem como um dos principais focos de atenção em todos os setores, exceto no setor dos Transportes, Logística e Automóvel. Em simultâneo, o custo de adoção foi considerado como o principal desafio para os setores de Bens e Serviços de Consumo, Tecnologias de Informação, Serviços de Comunicações, Transportes, Logística e Automóvel e Indústria Pesada e de Materiais. Paralelamente, fatores como a resistência dos profissionais à mudança e a falta de competências para aproveitar em pleno as capacidades da IA destacaram-se igualmente entre os três principais desafios de grande parte dos setores.

Quando questionados sobre o impacto nos próximos dois anos da IA e do Machine Learning (ML) no desempenho geral das empresas e na função de RH, houve um consenso em todos os setores e regiões de que este será positivo. Na verdade, 72% dos líderes, tanto a nível nacional como global, acreditam que estas tecnologias terão um impacto positivo no desempenho das suas empresas até 2026.

Além do desempenho geral da empresa, é na formação dos trabalhadores que este impacto se revela mais positivo, com 74% das empresas a reforçar esta prioridade. Destacam-se ainda benefícios ao nível do upskilling e reskilling (68%), dos processos de recrutamento (66%) e do compromisso e onboarding, (64%), entre outros.

Quanto à influência destas tecnologias no crescimento do número de trabalhadores, os inquiridos mostram também um otimismo cauteloso, o que contraria a perceção comum de que a implementação de tecnologias baseadas em IA resultará em menos empregos. Em Portugal, 48% dos empregadores acredita que a implementação destas ferramentas levará mesmo a um crescimento das suas equipas, face a 25% que antecipam uma redução e 23% que não antecipam qualquer impacto.

De uma maneira geral, em todos os setores e regiões os líderes acreditam que as tecnologias baseadas em IA terão um impacto positivo nas diversas operações das suas empresas. Ao mesmo tempo, tanto em Portugal como a nível global, a maioria da força de trabalho acredita que esta transição contribuirá positivamente para o futuro do trabalho. Para que isto aconteça, é fundamental que, nos próximos anos, estas tecnologias sejam implementadas de forma responsável em processos como a gestão de talento, permitindo assim que tanto os profissionais como as organizações consigam promover uma transição inclusiva e eficaz.

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