Um estudo da BCG revela crescente preocupação com a competitividade europeia, com a maioria dos executivos a alertarem para riscos sérios para inovação, emprego e crescimento se não houver mudanças estruturais rápidas
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O otimismo dos líderes empresariais europeus registou uma quebra significativa, de acordo com a segunda edição do European Competitiveness Barometer, divulgado pelo Boston Consulting Group (BCG). O relatório revela um amplo consenso no setor privado quanto à urgência de reformas profundas, com 93% dos executivos a alertarem para consequências potencialmente graves para a competitividade, a inovação e a retenção de emprego na Europa. O estudo baseia-se num inquérito realizado em novembro de 2025 a 850 executivos de topo (C-level) e a mais de 6.400 cidadãos europeus. Os resultados mostram que 96% dos líderes empresariais consideram que a União Europeia tem de agir de imediato para proteger os seus interesses económicos, uma perceção partilhada por 85% dos cidadãos inquiridos. Segundo Matthias Tauber, responsável da BCG na Europa, o debate já não é sobre a existência de um problema de competitividade, mas sobre a velocidade e a profundidade das mudanças necessárias. Tanto líderes empresariais como cidadãos defendem que a resposta passa por “mais Europa”, e não menos, apelando a maior cooperação, alinhamento estratégico e ações coordenadas focadas num número reduzido de setores e países. Mais de 60% dos executivos e dos cidadãos acreditam que apenas uma integração europeia mais profunda poderá restaurar a competitividade do bloco, uma visão transversal a países como França, Alemanha, Itália, Espanha e as economias nórdicas. O relatório indica ainda que 80% dos inquiridos defendem mudanças radicais, enquanto 85% dos executivos consideram que a UE atingiu um “impasse institucional”. Apesar do consenso quanto à necessidade de mudança, existem diferenças relevantes entre países. França e Alemanha apresentam os níveis mais baixos de confiança, com apenas 27% dos cidadãos franceses e 29% dos alemães otimistas quanto à competitividade europeia. Entre os líderes empresariais, o otimismo situa-se nos 61% em França e 60% na Alemanha. Em contraste, o sentimento em Itália tem vindo a melhorar, com 81% dos líderes empresariais a expressarem confiança, apoiados por um forte apelo a uma nova geração de líderes pragmáticos e a um maior envolvimento dos empresários na definição de políticas. O relatório identifica cinco prioridades estratégicas para recuperar a competitividade europeia: tecnologias avançadas, energia, financiamento e mercados de capitais, defesa e soberania das cadeias de abastecimento. Entre as medidas defendidas estão incentivos fiscais direcionados à inovação, a criação de uma agência europeia inspirada no modelo da DARPA norte-americana, um mix energético diversificado e descarbonizado, a integração dos mercados de capitais e uma maior cooperação industrial no setor da defesa. O papel dos líderes empresariais surge também em destaque. Cerca de 93% dos executivos inquiridos e 76% dos cidadãos defendem um envolvimento mais ativo dos CEO na estratégia económica europeia, e 91% apoiam a criação de um grupo de trabalho de CEO a nível da UE. No entanto, persistem obstáculos, como riscos reputacionais e a perceção de fraca abertura política ao contributo do setor empresarial. Para a BCG, o futuro deverá passar por um consenso alargado sobre a necessidade de mudança estrutural e de maior integração europeia. O desafio passa agora por transformar esse consenso em ação concreta, criando espaço institucional para que líderes empresariais e decisores políticos atuem de forma coordenada e eficaz. |