O "European Future Readiness" Index da Roland Berger revela que a Europa começa a inverter a tendência de perda de competitividade, com cinco das seis dimensões analisadas em recuperação
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A Europa começa a dar sinais consistentes de recuperação da sua competitividade após vários anos de declínio. Esta é a principal conclusão do “European Future Readiness Index”, um estudo da consultora Roland Berger, apresentado durante a Reunião Anual do Fórum Económico Mundial, que decorreu esta semana, em Davos, na Suíça. A investigação avaliou a competitividade de longo prazo na União Europeia, Noruega, Suíça e Reino Unido ao longo das últimas duas décadas. Pela primeira vez em vários anos, cinco das seis dimensões analisadas — capital humano, sustentabilidade, resiliência, infraestruturas e digitalização/inovação — apresentam uma evolução positiva, situando-se acima das respetivas médias históricas. Segundo a Roland Berger, estes dados indicam uma inversão da tendência negativa, ainda que a partir de níveis que continuam a ser considerados insuficientes para garantir uma posição sólida a longo prazo. “A Europa tem dimensão económica, base industrial e capacidade institucional para recuperar competitividade. Os dados mostram uma inversão da tendência, mas é essencial manter o ritmo de reformas e investimento para consolidar esta evolução”, afirma Pedro Galhardas, Senior Partner e Managing Partner da Roland Berger em Portugal. O estudo destaca o capital humano como um dos principais motores da recuperação, com um crescimento sustentado desde 2018, impulsionado pelo aumento do investimento público em educação. Esta evolução reflete-se no maior número de diplomados do ensino superior e no reforço da presença feminina em posições de liderança. Também a sustentabilidade evidencia uma trajetória positiva, após um período de retração entre 2014 e 2021, acompanhando a retoma de políticas e investimentos associados à transição climática. Já a resiliência económica tem vindo a ser reforçada desde 2020, apoiada pelo aumento da despesa em defesa e pela redução gradual do endividamento empresarial. O índice de infraestruturas, que tinha sido penalizado pelo aumento dos preços da energia, começa igualmente a dar sinais de recuperação em 2024. Em contraste, a digitalização e inovação continuam a ser áreas críticas. Apesar de uma ligeira melhoria recente, o desempenho europeu nesta dimensão permanece baixo e distante dos níveis dos Estados Unidos e da China, sobretudo no que respeita à Inteligência Artificial (IA), digitalização avançada e número de patentes. O funcionamento das instituições é apontado como o principal fator de fragilidade. Após um desempenho sólido em meados da década de 2000, este indicador deteriorou-se de forma significativa, penalizado pelo aumento da dívida pública e por um enquadramento regulatório cada vez mais complexo. “A competitividade europeia continua frágil, apesar dos sinais recentes de melhoria. Os desafios são significativos, mas podem ser superados com uma ação coordenada e decisiva, em particular na IA, onde a Europa tem uma oportunidade clara para valorizar melhor os dados das empresas”, sublinha Pedro Galhardas. Para sustentar a recuperação, a Roland Berger identifica quatro alavancas críticas: a simplificação regulatória e redução da burocracia, a aceleração da inovação e da transferência de conhecimento para o mercado, o reforço da autonomia financeira europeia — incluindo a conclusão da união dos mercados de capitais — e uma melhor utilização dos dados industriais como base para acelerar a inovação em IA. |