2019 Predictions

Com um novo ano a começar, chegam as previsões daquilo que serão as tendências, não só para 2019, como também para os próximos anos. Revolução no desenvolvimento de aplicações, explosão de aplicações e blockchain são apenas algumas das várias tendências para os próximos anos

2019 Predictions

1. Economia Digital

A IDC estima que, em 2022, “mais de 60% do PIB mundial seja digital”. Um dos fenómenos e tendências mais recentes é a transformação digital, o processo tecnológico que as organizações estão a tomar para transformarem digitalmente a sua empresa e a sua indústria.

Só a IDC já identificou mais de 600 use cases de transformação digital em mais de 16 indústrias e, diz a organização, esse número não para de crescer. Se juntarmos estas – e muitas outras – iniciativas de transformação digital, o impacto na economia global será enorme.

A transformação digital é um tema cada vez mais presente nas empresas. Os CEO sabem que se não transformarem – ou pelo menos melhorarem – as suas empresas nos próximos quatro anos, terão dificuldades a competir nos seus principais mercados.

Deste modo, não há dúvida de que a corrida para as empresas se reinventarem está prestes a acontecer. Bruno Padinha, Advisory Leader da EY Portugal, afirma que “a digitalização da economia e de quase toda a atividade humana sucede a uma velocidade cada vez maior, pelo que é compreensível que atinja uma penetração muito grande nos próximos anos”.

 

2. IT digitalmente nativo

Nos próximos seis anos, até 2023, 75% de todos os gastos de IT serão em tecnologias de terceira plataforma; simultaneamente, mais de 90% de todos os ambientes IT construídos pelas empresas vão prosperar na economia digital.

Esta não é uma tendência particularmente nova. Na última década que se fala da mudança para tecnologias de terceira plataforma. No entanto, esta tendência irá sofrer uma forte mudança, incluindo cloud distribuída, AI at the edge, hyperagile e interfaces de utilizador controlados por voz, tudo isto dentro do mundo da terceira plataforma.

A IDC prevê que estas tecnologias, que não existiam há 15 anos, vão dominar os gastos de IT. A implicação será clara: todas as empresas têm de ultrapassar a fase da experimentação com tecnologias como cloud, social e big data. As empresas que queiram prosperar na economia digital global têm de ter os seus ambientes de IT centrados nestas tecnologias.

Esta mudança já está a acontecer. De acordo com um estudo da IDC, 46% das empresas indicaram que estão “digitalmente determinadas”, o que significa que já decidiram que vão desenvolver uma estratégia digital integrada.

 

3. Edge Computing

Mais de 40% das implementações cloud das organizações vão incluir edge computing até 2022. Concomitantemente, 25% dos dispositivos e sistemas endpoint vão executar algoritmos de Inteligência Artificial (IA). Isto significa que há uma expansão a acontecer atualmente. As infraestruturas cloud estão a expandir-se para o “edge”.

Os serviços de IA estão entre as primeiras capacidades das clouds públicas a serem implementadas na cloud distribuída/edge. Até 2022, os dispositivos vão começar a treinar algoritmos, permitindo que estes endpoints melhorem os seus próprios algoritmos com base nos dados que processam e nas perceções que geram nessa análise.

Empresas com negócios próximos dos clientes estarão entre as primeiras a implementar verdadeiras clouds distribuídas ou edge. As organizações de serviços financeiros e serviços governamentais, entre outras organizações, vão precisar de suporte tanto para a gestão destes serviços cloud, como para a execução dessas capacidades.

Refere a IDC que a base de distribuição e execução dos serviços das empresas serão baseadas nas infraestruturas cloud e serviços de plataforma que suportam a implementação híbrida, ou multicloud, cada vez mais distribuída em clouds públicas.

Para uma correta implementação dentro das empresas, as organizações devem selecionar fornecedores de cloud que partilhem e suportem esta mesma visão.

“O crescimento do edge computing influencia a relação entre Energia e TI de duas formas relevantes. Primeiro, uma vez que uma maior conetividade leva a volumes mais elevados de tráfego IP em redes alargadas, o crescimento das necessidades de computação vai exigir avanços nas infraestruturas de energia, que terão que ser garantidamente seguras e estáveis”, refere Michael Dallala, Iberian ITD VP da Schneider Electric. “Para além disso, com o crescimento do edge computing, a influência das infraestruturas de energia torna-se crucial para sustentar o tempo de operação dos sistemas informáticos, bem como a continuidade dos negócios”.

A Gartner refere que, a curto prazo, o edge será impulsionado pela IoT e pela necessidade de processar perto do ponto de conclusão, em vez de um servidor cloud centralizado.

Nos próximos cinco anos, chips criados para IA, em conjunto com um melhor poder de processamento, armazenamento e outras capacidades avançadas, farão parte de um maior número de dispositivos edge. A longo prazo, será o 5G a expandir o ambiente de computação edge, uma vez que aumenta dramaticamente o número de nodes por quilómetro quadrado.

“Graças aos avanços na digitalização, o edge computing começa a tornar-se muito mais acessível e economicamente viável. Agora é possível atualizar centenas de Micro Data Centers, responsáveis pela execução de aplicações de edge no terreno, através de um comando simples que é ativado apenas uma vez na cloud, em vez de ser ativado centenas de vezes, em cada um desses locais”, explica Michael Dallala.

O Iberian ITD VP da Schneider Electric afirma, ainda, que “para além de acompanharem as infraestruturas físicas de IT e Tecnologias de Operação (OT), as aplicações edge estão desenhadas para equipar os técnicos de cada localização com a capacidade e a inteligência necessárias para dar uma resposta mais rápida e tomar melhores decisões, e dessa forma impulsionar a rentabilidade das empresas”.

 

4. Hyperagile

“As soluções têm, cada vez mais, de estar preparadas para serem utilizadas em escala, e a utilização de micro serviços endereçam este tema de uma forma muito prática”, indica Sérgio Viana, Partner & Digital Xperience Lead na Xpand IT, explicando que estas soluções “permitem criar serviços que funcionam de forma integrada, mas que podem ser geridos individualmente, seja porque queremos aumentar a capacidade de escala de um deles ou porque queremos realizar algum tipo de manutenção corretiva ou evolutiva”.

Indica a IDC que, nos próximos cinco anos, 90% de todas as novas aplicações vão contar com arquiteturas de micro serviços que melhoram a capacidade de desenhar, atualizar e alavancar código de terceiros. Ao mesmo tempo, 35% de todas as produções de aplicações serão cloud-native.

Esta mudança terá como principal motor a exigência da economia digital de fornecer aplicações de alta qualidade à medida que o negócio – ou os consumidores – pede. As arquiteturas de aplicações tradicionais, operações e ritmo de desenvolvimento são inadequadas na economia digitalizada.

“O que as plataformas cloud permitem hoje em dia é a possibilidade de as empresas se focarem naquilo que é importante para o seu negócio, sem terem de estar preocupadas com questões infraestruturais, não só no que diz respeito à manutenção do parque de equipamentos do ponto de vista de hardware e software mas também na garantia da adequabilidade do mesmo aos requisitos do negócio”, indica Sérgio Viana. “A utilização de serviços PaaS (Platform as a Service), em particular, permite criar arquiteturas altamente escaláveis, com serviços geridos de forma parametrizável e automatizada e com níveis de segurança e garantia que a maioria das empresas não consegue assegurar. E, por esta razão, cada vez mais empresas olham para a cloud como a plataforma de eleição para fazer nascer novas aplicações".

 

5. No code

Ferramentas de desenvolvimento mais simples e mais poderosas vão expandir-se rapidamente. Até 2024, um novo grupo de developers vai produzir código sem script personalizável.

Também a população de developers vai aumentar em 30%, algo que irá fazer com que a transformação digital nas empresas seja mais rápido.

“A aceleração e a intensificação das iniciativas de transformação digital exigem que as organizações ofereçam soluções digitais com frequência cada vez maior”, indica a IDC no seu FutureScape. Os departamentos de IT estão a tentar aumentar a sua lista de developers especializados em scripts personalizados e, ao mesmo tempo, estão a tentar aproveitar cada vez mais os recursos de developers que criam apps sem scripts personalizados.

O novo grupo de developers que vai surgir vão ser um complemento aos developers tradicionais. Este novo grupo vai, essencialmente, alavancar ferramentas de desenvolvimento visualmente orientadas, plataformas de desenvolvimento low code, plataformas de desenvolvimento sem código e, ainda, ferramentas de desenvolvimento orientadas para modelos que permitam criar e refinar soluções digitais.

 

6. Explosão de apps

Com novas ferramentas e plataformas, mais developers e mais métodos Agile, a IDC estima que, entre 2018 e 2023, sejam criadas 500 milhões de novas aplicações, um número igual ao que foi construído nos últimos 40 anos.

Esta tendência é resultado de duas previsões que já foram assinaladas neste artigo: a mudança para tecnologias de aplicações Hyperagile e o aumento da população de developers que irá existir por causa das ferramentas low code ou mesmo no code.

No entanto, há ainda um outro fator que pode contribuir para a explosão de aplicações nos próximos anos: a disponibilidade de repositórios públicos e privados de código específico, o que irá permitir que os developers possam criar aplicações que se conectam a funcionalidades de um sem número de fontes.

Deste modo, os developers modernos terão a opção de construir código de raiz ou descarregar grandes a quantidade de código que necessitam para que sejam integrados nas suas aplicações.

De acordo com a IDC, 75% das novas aplicações a serem construídas até 2022 tenham mais de 50% do código pesquisado e descarregado, em vez de escrito e produzido de raiz.

 

7. Verticalização

Estima-se que as organizações vão passar a escolher aplicações SaaS quase duas vezes mais do que as aplicações horizontais, em grande parte porque foram criados para atender aos requisitos específicos dos seus negócios e da indústria.

Segundo explica a IDC, à medida que as empresas vão otimizando a sua presença digital, as aplicações SaaS verticais “oferecem uma maior eficiência de custos, facilidade de utilização e maior flexibilidade para os clientes”. Este tipo de aplicações não estará disponível nas empresas horizontais de SaaS.

Grandes fornecedores de aplicações continuam a adquirir empresas de SaaS verticais para competir em cada um dos seus mercados verticais. Da mesma forma, muitas grandes empresas de tecnologia também estão a adquirir empresas de software e tecnologia tradicionais.

De salientar, também, que as principais empresas horizontais estão ativamente a recrutar developers para as suas plataformas e mercados para que seja possível expandir a relevância vertical das suas ofertas horizontais.

 

8. Inteligência artificial

"A IA e a automação começam a estar presentes em quase tudo na nossa vida, desde que acordamos até ao deitar, e na maioria das vezes sem nos apercebermos”, explica Ricardo Martinho, Entreprise Sales Executive da IBM Portugal. Uma das previsões feitas pela IDC no seu mais recente FutureScape indica que, até 2024, o user interface com inteligência artificial e o process automation vão substituir um terço das aplicações screen-based atuais.

Não há dúvida de que a IA está a ter cada vez mais impacto e é cada vez mais utilizada. Ricardo Martinho dá vários exemplos: “elevadores que falam com as centrais de assistência, anúncios publicitários que têm em conta as previsões do tempo ou realizados com base em argumentos escritos com a ajuda de sistemas cognitivos, ou ainda campanhas que resultam de uma conversa entre os marketeers e estas novas tecnologias de interface ou os famosos chatbots que ajudam os médicos no diagnóstico e prescrição médica”.

Será difícil para as organizações que não atualizem agressivamente as suas interfaces de utilização com interfaces de conversação e com outras aplicações de IA competir pela atenção do consumidor e de maximizar a produtividade dos seus empregados. Esta tendência é mais clara no mercado das assistentes pessoais, como Siri ou Alexa.

 

9. Blockchain, criptografia e segurança

A Gartner afirma que muitas das iniciativas de blockchain atuais “não implementam todos os atributos de blockchain – como por exemplo, uma base de dados altamente distribuída”. De acordo com a mesma organização, as empresas que escolherem a implementação de blockchain devem “perceber as limitações e estarem preparadas para se mover completamente” para este tipo de soluções.

Por seu lado, a IDC prevê que 150 milhões de pessoas vão ter identidades digitais baseadas em blockchain.

Quando se fala em manter os dados seguros, as empresas têm utilizado ferramentas de criptografia. Com uma mudança para “criptografia penetrante”, a criptografia vai cobrir todas as plataformas, incluindo bases de dados, aplicações, sistemas de ficheiros, APIs e logs de sistema, entre outros. A IDC acredita que, até 2022, 50% das plataformas de servidores vão ter algum tipo de criptografia penetrante embebidos nos seus ambientes operacionais.

A inteligência artificial terá um grande impacto na cibersegurança das empresas e organizações. Atualmente, apenas 30% da gestão de ameaças e gestão de vulnerabilidades foram automatizadas. Nos próximos quatro anos, esse número deverá aumentar para, pelo menos, 50%.

 

10. Multicloud

Nos próximos quatro ou cinco anos, a IDC prevê uma tendência das empresas de mitigar parcialmente os efeitos de aprisionamento da concentração do mercado: adotando ferramentas e estratégias híbridas ou multicloud integradas. A integração de tecnologias que abrangem clouds públicas irá fornecer o ponto de partida para esse modelo de cloud distribuída mais holística.

Estes recursos multicloud focar-se-ão inicialmente em unir as suas próprias ofertas de cloud pública com os locais e periféricos dos clientes.

Pelo menos dois dos quatro participantes de megaplataformas cloud vão estender os seus recursos para fornecer aos clientes uma implementação e gestão mais fáceis em várias plataformas de fornecedores de clouds públicas.

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