IA ganha peso na gestão de infraestruturas cada vez mais interligadas

Um estudo da Deloitte mostra que 69% dos responsáveis antecipam maior procura por infraestruturas inteligentes e conectadas. Integração, financiamento, resiliência e competências estão entre os desafios

IA ganha peso na gestão de infraestruturas cada vez mais interligadas
Thitichaya / AdobeStock

A crescente interdependência entre infraestruturas físicas e digitais está a obrigar organizações e governos a rever a forma como planeiam, financiam, operam e protegem ativos críticos, segundo o “2026 Future of Infrastructure Survey” da Deloitte.

O estudo, realizado junto de 985 responsáveis por infraestruturas em 21 países, conclui que 69% esperam um aumento da procura por infraestruturas inteligentes e conectadas. Ao mesmo tempo, 45% identificam as dependências entre diferentes sistemas como um dos desafios que caracterizam esta transformação.

A Deloitte descreve esta evolução como a passagem de ativos geridos individualmente para um “sistema de sistemas”, onde redes digitais, energia, água, transportes e outras infraestruturas apresentam um grau crescente de interdependência. As necessidades de conectividade e energia estão entre as principais pressões identificadas, mencionadas por 68% e 64% dos participantes, respetivamente.

Apesar do aumento esperado do investimento em diferentes categorias de infraestrutura, a disponibilidade de capital não é o único obstáculo. Cerca de 31% dos responsáveis identificam as limitações orçamentais como uma das principais barreiras, enquanto 22% apontam a falta de um roteiro claro de implementação e de retorno sobre o investimento.

A complexidade institucional assume igualmente um peso significativo. Cerca de 39% referem políticas, regulamentação e processos de licenciamento complexos como um dos principais desafios à execução dos projetos, enquanto 29% destacam a complexidade dos processos de aquisição. Para a Deloitte, esta realidade aumenta a necessidade de combinar diferentes fontes de financiamento público e privado e adaptar os modelos de partilha de risco às características de cada projeto.

A Inteligência Artificial (IA) deverá também ganhar maior peso na operação das infraestruturas. Atualmente, 61% dos participantes identificam a manutenção preditiva como o principal caso de utilização da tecnologia. Nos próximos três anos, 44% esperam expandir a utilização da IA para a previsão da procura energética e 40% para a gestão da logística das cadeias de abastecimento. A automatização de tarefas é atualmente uma prioridade para 36% das organizações, percentagem que deverá aumentar para 42% durante os próximos três anos.

Esta evolução enfrenta, contudo, limitações relacionadas com recursos humanos. Cerca de 34% dos responsáveis identificam a falta de competências tecnológicas, nomeadamente em IA e cibersegurança, como uma das principais barreiras à expansão destas tecnologias.

O estudo identifica ainda uma diferença entre a perceção dos riscos e as prioridades de investimento dos governos. Cerca de 60% dos responsáveis governamentais colocam a cibersegurança entre as prioridades, tornando-a na principal área de Investimento em resiliência. Em contraste, apenas 33% dão prioridade à preparação para catástrofes naturais e fenómenos meteorológicos extremos, apesar de 56% considerarem estes eventos a maior ameaça às infraestruturas.

Para a Deloitte, a crescente ligação entre ativos físicos e sistemas digitais exige que a resiliência deixe de ser analisada apenas ao nível de cada infraestrutura. Uma falha num componente pode propagar-se a outros sistemas dependentes, aumentando a necessidade de planeamento conjunto e de maior visibilidade sobre as interdependências.

“Os sistemas físicos e digitais convergiram, obrigando os responsáveis a pensar para além dos modelos tradicionais e a gerir a infraestrutura como um todo interligado”, afirma Kelly Marchese, Infrastructure Practice Leader da Deloitte Consulting, em comunicado.

O estudo abrange responsáveis dos setores público, privado e organizações sem fins lucrativos e considera quatro grandes áreas: infraestrutura e redes digitais; energia, água e outros serviços públicos; mobilidade e transportes; e infraestruturas sociais e de entretenimento.

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