Miguel Stilwell d'Andrade defende que Portugal deve definir as condições para receber investimento em Data Centers. Energia, emprego, fiscalidade e recursos estão entre os critérios apontados
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O debate sobre novos data centers em Portugal deve centrar-se nas condições para receber estes investimentos e não numa escolha entre aceitar ou rejeitar estas infraestruturas. A posição é defendida por Miguel Stilwell d'Andrade, Chief Executive Officer (CEO) da EDP, numa publicação no LinkedIn. Para o responsável, a capacidade computacional tornou-se uma questão estratégica para a Europa, nomeadamente devido ao desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA), da infraestrutura cloud e de outros serviços digitais. Miguel Stilwell d'Andrade considera que a Europa está significativamente atrás dos Estados Unidos e da China em capacidade de data centers e estabelece um paralelo com a dependência energética europeia. Na sua perspetiva, uma dependência semelhante ao nível dos dados e da infraestrutura digital pode criar uma nova vulnerabilidade estratégica. Portugal pode beneficiar do investimentoO CEO da EDP identifica Portugal e a Península Ibérica como regiões com condições para captar este investimento. Entre os fatores apontados estão a elevada penetração de energias renováveis, conectividade internacional de fibra, disponibilidade de terrenos e capacidade para desenvolver geração adicional de energia e armazenamento. A defesa de novos investimentos não significa, segundo Stilwell d'Andrade, aceitar todos os projetos. O responsável considera que devem ser estabelecidas antecipadamente condições relacionadas com padrões energéticos e ambientais, emprego qualificado, receitas fiscais, contratação de empresas locais e investimento em infraestruturas. A utilização de água, o impacto nas redes elétricas e nas comunidades locais e a manutenção de preços de energia acessíveis são outras questões que, segundo o responsável, devem fazer parte da avaliação dos projetos. Stilwell d'Andrade destaca ainda o impacto dos data centers no emprego para além das funções tecnológicas especializadas. Construção, engenharia, energia, manutenção, segurança e operações são algumas das áreas que podem beneficiar da atividade associada a estas infraestruturas. Regulação ganha peso na competição ibéricaA posição surge num momento em que as condições regulatórias para os data centers estão também em discussão em Espanha. O Governo espanhol colocou recentemente em audiência pública uma proposta que prevê novos requisitos energéticos para a instalação e operação destas infraestruturas. Entre as medidas está a exigência de que pelo menos 80% do consumo de eletricidade dos data centers abrangidos seja respaldado por produção de energia renovável, com correspondência horária entre produção e consumo. Está também previsto um princípio de adicionalidade, associando a nova procura de eletricidade à instalação de nova capacidade renovável. O setor espanhol tem alertado para o potencial impacto das medidas na competitividade e na previsibilidade dos investimentos, com Portugal a ser apontado como um dos mercados que poderá beneficiar de uma eventual relocalização de projetos. Não existe, contudo, confirmação de uma transferência de investimentos. Este contexto aproxima o debate espanhol de uma das questões colocadas por Stilwell d'Andrade: como estabelecer exigências energéticas e ambientais e, simultaneamente, oferecer aos investidores regras claras e previsíveis desde o início dos projetos. Para o CEO da EDP, Portugal e a Península Ibérica devem definir antecipadamente essas condições. O objetivo, defende, deve passar por captar investimento tecnológico, mas também determinar os requisitos necessários para aumentar o valor económico e tecnológico que permanece no país. |