Software empresarial: as visões de gestão do negócio

Com o surgimento de múltiplas soluções de software, as empresas necessitam de compreender quais são aquelas que melhor se adaptam às suas necessidades de negócio. Brighten, InCentea, Inovflow, Kofax, Latourrette Consulting, Noesis e Pontual abordam o tema nesta mesa-redonda

Software empresarial: as visões de gestão do negócio

As organizações ganharam uma nova vida com o software de colaboração, de gestão de ativos, de contabilidade e de business intelligence, que permitiram uma digitalização da economia de forma mais rápida. O surgimento de novos modelos de negócio e de trabalho transformou o software empresarial em algo mais do que um ‘simples’ ERP.

A maior diversidade de software e aplicações à disposição pode ser um desafio para as organizações que necessitam de compreender qual o software que se ajusta melhor à gestão do seu negócio numa ótica de maior agilidade e redução de custos.

O software empresarial tem sofrido alterações nos últimos anos. Ainda faz sentido falar em software de gestão, ou, atualmente, o software utilizado já vai para lá da 'simples' gestão da empresa?

 

Nuno Paiva, Diretor de Operações e Unidades de Software, Pontual

Nuno Paiva, Diretor de Operações e Unidades de Software, Pontual: “Nós conseguimos ter, fruto da integração de todos estes sistemas, uma visão muito mais holística daquilo que são os processos das empresas. Isto permite que haja uma maior coordenação, uma maior comunicação entre os diversos departamentos. Podemos ainda falar em software de gestão, mas hoje será um pouco redutor”

Rui Paupério, Chief Office Operations, Inovflow: “São as aplicações que respondem verticalmente ao negócio. Isso é uma realidade já há bem mais do que uma década. E onde é que estamos hoje? Estamos, no fundo, no momento em que a inovação é, muitas vezes, pelo modelo de negócio. E o modelo de negócio, não raras vezes tem sido sustentado na tecnologia. Basta pensarmos, por exemplo, em algumas empresas daquelas denominadas como Unicórnios”

Carlos Latourrette, CEO, Latourrette Consulting: “Já não é só fazer e gerir; é fazer e gerir de uma forma muito mais produtiva. É nessa produtividade que entram também estas novas ferramentas de gestão de processos, de automatização de tarefas repetitivas. Penso que é outra categoria muito importante que tem vindo a ser muito desenvolvida nos últimos anos, que funciona um bocadinho como cola de todas estas iniciativas mais departamentais, que ajuda a fluir a informação de um lado para o outro; que ajuda a criar esses workflows mais humanos, de apoio à decisão”

João Caracol, Sage Service Line Director, Brighten: “Passa um pouco pelas empresas irem procurar algum retorno dos dados que andaram durante anos a colocar no seu software, então de gestão. Na altura, quando começaram a fazê-lo, era ou para desmaterializar processos, largar o papel, largar o Excel, para cumprir requisitos legais que foram surgindo ao longo dos últimos anos. Passaram anos a colocar informação dentro do seu respetivo software, mais concretamente dos seus ERP. Estamos numa fase em que as empresas estão a procurar o retorno”

Os silos de informação e a falta de formação dos colaboradores - de um modo geral - são um problema para a adoção de novo software no seio das empresas? Como é que se pode ultrapassar esse tema?


Fátima Pereira, Enterprise Solutions Associate Director, Noesis

 

Fátima Pereira, Enterprise Solutions Associate Director, Noesis: “Antes, todas as empresas precisavam de um software que tivesse algumas características e esse departamento adquiria esse software e detinha essa informação. Vinha outro departamento que precisava de algo semelhante, voltava a adquirir outro software que fizesse algo muito semelhante, o que faz com que haja silos de informação espalhados por toda a empresa, com muita informação repetida, e que não haja qualquer integração entre estes sistemas”

João Diniz, Sales Director Portugal and Partner Development Manager for Iberia, Kofax: “Esta questão dos silos de informação e dos sistemas desconectados é um problema que existe nos dias de hoje. E, infelizmente, não tem tendência para melhorar porque, se nós olharmos para o que aconteceu nos tempos mais recentes, por exemplo com a emergência de tudo o que são tecnologias de robótica, em que muitas das empresas correram a implementar robôs e tentar capitalizar os benefícios da automatização, muitas das vezes isso foi visto numa perspetiva de tarefas”

Como é que o software se integra com as plataformas de dados e qual o impacto de tecnologias como inteligência artificial e machine learning na respetiva estratégia das organizações?

 

Carlos Latourrette, CEO, Latourrette Consulting

Carlos Latourrette, Latourrette Consulting: “Se nós não tivermos qualidade de dados ou se tivermos dados que dizem coisas diferentes para o mesmo objeto de negócio a nossa tentativa de implementar qualquer iniciativa de IA ou baseada em machine learning vai sair furada porque nós vamos ter aqui graves problemas de sincronização dos dados na empresa. A primeira parte: é essencial que todo o software que temos nas empresas use a mesma taxonomia de dados; e depois como é que isto vai ter impacto na estratégia das organizações”

João Antunes, Managing Partner, Incentea: “Todos temos de estar preparados, em termos de formação, para falar a mesma linguagem. Ao nível da qualidade dos dados isto vai explodir, mas vai haver uma facilidade muito grande em obter dados de forma rápida e que vão interferir na estratégia das empresas tal como estamos a falar. Temos, por exemplo, os bots de serviço ao cliente, que vão aprender sozinhos, através dos dados que vão ler por cliente, a informação é automática online e tem geração de conteúdos de marketing”

Nuno Paiva, Pontual: “A integração de dados para a plataforma de análise de dados tem de ser cada vez mais explorada com qualidade, dar formação às pessoas que tratam esta informação para a usar da melhor forma e aqui há um tema que é a segurança e até a ética da utilização dos próprios dados”

Qual é o impacto que a inteligência artificial vai ter no seio das organizações?


João Diniz, Sales Director Portugal and Partner Development Manager for Iberia, Kofax

 

João Diniz, Kofax: “Em vez de substituirmos os trabalhadores com a automatização de tarefas, o objetivo é muito mais criar um utilizador com capacidades aumentadas, em que o utilizador se foca em tarefas de valor acrescentado, que tem tempo para aquilo em que os humanos são bons que é a nível da criatividade e do processo crítico e deixar as tarefas que são repetitivas e que não acrescentam valor por serem feitas por uma pessoa para serem feitas de forma automatizada”

Fátima Pereira, Noesis: “Temos sempre de ter o cuidado da ética dos dados e o que é que estamos a fazer a esses dados e como é que os estamos a usar. Tudo isso tem de ser sempre muito bem precavido e tem de cumprir todas as regras que sejam necessárias”

Se o número de aplicações aumenta, também passa a ser necessário que essas aplicações 'falem' entre si. A integração e a interoperabilidade das aplicações é um tema central na escolha de um novo software?

Nuno Paiva, Pontual: “Com a disseminação das soluções cloud, e fruto destas soluções terem um acesso mais restrito aquilo que são as bases de dados, há um investimento muito forte destas empresas que disponibilizam estas ferramentas naquilo que são as API para permitir essa mesma integração. Se não houver integração dos sistemas, os sistemas não são úteis para as organizações”

Rui Paupério, Inovflow: “Na escolha de um software, esta deverá ser uma característica basilar entre as empresas e os gestores, os compradores destes sistemas porque, no fundo, é aqui que vai residir a capacidade de ir para além daquilo que são as respostas às áreas base da gestão. É aqui que nós vamos conseguir complementar os nossos sistemas, com ferramentas que respondam não só às necessidades financeiras, de contabilidades, do software de gestão, mas às necessidades mais específicas e diferenciadoras do negócio”

 

João Caracol, Sage Service Line Director, Brighten

João Caracol, Brighten: “As próprias software houses já estão um passo à frente e já começam a licenciar essas transações e essas integrações. Acho que isso é a prova clara de que estas integrações estão claramente a ser muito interessantes junto do mercado e dos clientes decisores. A partir do momento em que as software houses começam a licenciar essas integrações e essa conexão com o exterior acho que é o melhor sinal que isso passa já a ser um fator decisivo para os clientes”

João Antunes, Incentea: “A escolha não é do software, muitas vezes, mas sim do implementador e do consultor que tem a capacidade de integrar as várias soluções que o mercado disponibiliza. Estamos a passar por uma fase muito interessante em que um cliente pode ter o melhor de vários mundos, desde que nós tenhamos a capacidade de fazer falar as várias aplicações”

A automatização de processos é cada vez mais importante, até para libertar os colaboradores de tarefas repetitivas. Como é que este mercado está a evoluir e no que é que as organizações estão a apostar dentro deste segmento?

João Caracol, Brighten: “Estas automações, ao contrário do que estávamos a falar no ponto das integrações, acho que não têm sido um ponto crítico de decisão, mas depois de terem o seu ecossistema montado acabam por ser umas ‘novidades’ que as empresas começam a procurar para libertar os seus utilizadores para fazer tarefas de valor acrescentado”

João Diniz, Kofax: “A questão principal é que a automação de tarefas, a resposta a como é que nós tiramos partido da automatização de tarefas, é automatizando o processo. Esta parte da automatização destas tarefas é muito importante, mas se nós perdemos o contexto mais geral do que é que está a acontecer naquele processo, o que estamos a criar é um problema maior para gerir”

Fátima Pereira, Noesis: “Na Noesis temos imensos projetos com chatbots de apoio a clientes que têm dado efeitos bastante positivos; os nossos clientes estão extremamente satisfeitos porque resolvem imensos problemas dentro da área de call center e de toda a parte de atendimento ao cliente. Tudo o que possa vir a melhorar o desempenho e trazer ao de cima a criatividade dos colaboradores e automatizar tudo o que sejam tarefas repetitivas que não vão trazer valor acrescentado à empresa acho que é sempre de valorizar”

Carlos Latourrette, Latourrette Consulting: “Há aqui uma quantidade de ferramentas dentro deste chapéu da automação de processos, que gosto mais de chamar de orquestração de processos, em que entram várias tecnologias, entram as tecnologias de IA focadas, por exemplo, na parte de document intelligence, como é que nós conseguimos extrair informações de documentos e como é que nós conseguimos pegar nessas informações e pô-las a agir automaticamente”


Rui Paupério, Chief Office Operations, Inovflow

 

Com o crescimento da necessidade de software houve uma alteração no modo de consumo das soluções, existindo o tema do SaaS e do licenciamento de software, muito importante para qualquer empresas. O que é que as organizações nacionais preferem: ser elas próprios as gestoras desses serviços ou entregar a terceiros?

Rui Paupério, Invoflow: “Estes modelos de subscrição, como Software-as-a-Service, têm tido um crescimento bastante notável, muito também fomentado pela procura e oferta de soluções cloud, com regimes de licenciamento alternativo ao licenciamento perpétuo, em modelos de subscrição, na medida em que os próprios fabricantes estão a apostar nestes modelos e estão até a dar primazia a estes modelos por se acreditar que sejam os mais vantajosos para as empresas suas clientes”

 

João Antunes, Managing Partner, Incentea

Qual é o futuro - a curto prazo - do mercado de software empresarial?

João Antunes, Incentea: “Os clientes vão ter vários fornecedores de software empresarial e acho que vão ser cada vez mais seletivos nos parceiros que encontram para implementar as várias plataformas que eles vão utilizar e para criar um aumento de produtividade e performance na utilização das múltiplas plataformas que vão estar ao seu dispor”

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