“Independentemente do ponto em que a organização se encontre, é fundamental que o entendam o leque de oportunidades”

Vanda Gonçalves, Managing Director, responsável pela área de cloud da Accenture Portugal, aborda o tema da jornada de transformação contínua por parte das organizações, mesmo depois da migração

“Independentemente do ponto em que a organização se encontre, é fundamental que o entendam o leque de oportunidades”

O que é o cloud continuum e como é que pode ajudar as organizações?

Cloud continuum traduz uma jornada contínua de transformação que não para na migração e que visa a expansão contínua do uso da cloud pelas organizações para inovar mais rapidamente e para gerar novo negócio, tirando vantagem da evolução rápida e contínua da cloud.

A primeira etapa para obter valor é a migração para a cloud e a redução de custos surge como o principal motivador, mas seria demasiado redutor assumir que esse deverá ser o único objetivo. Após a migração, é possível executar a visão da organização de forma mais ousada, aproveitando tecnologias de próxima geração baseadas na cloud, como IA, IoT, edge, entre outras, para as necessidades de negócio.

O estudo recente da Accenture revela que as organizações que evoluem no continuum tipicamente são rápidas a adotar novas ofertas da cloud e, talvez até mais importante, a implementar processos ágeis e práticas avançadas que tiram vantagem da evolução rápida e continua da cloud. E a combinação destes dois fatores permite que retirem proveito das vantagens das arquiteturas elásticas da cloud para obter ganhos e para se posicionarem para o crescimento e inovação.

As empresas que continuaram esta jornada, demonstraram ainda maior probabilidade de inovar, de reduzir custos e de cumprir objetivos de sustentabilidade.

De que maneira é que o 5G vai ajudar na transformação digital das organizações?

Com o 5G vem um mundo mais conectado e mais poderoso do que nunca, sobretudo quando associamos a quinta geração móvel a outros desenvolvimentos tecnológicos, como a robótica, a realidade aumentada, a inteligência artificial e a virtualização.

As velocidades recorde, a capacidade para um maior número de conexões e a latência mínima de 5G permitem uma nova fronteira ao nível do IoT, por exemplo. No setor de saúde, já estão a ser desenvolvidos dispositivos 5G para permitir cirurgia remota, o que permite proporcionar uma formação altamente especializada para a próxima geração de médicos.

O 5G, combinado com os avanços ao nível dos sensores, o reconhecimento de fala e a visão computorizada, e com a redução dos custos de hardware tornam a robótica mais acessível às empresas em todas as indústrias e desbloqueia novas oportunidades fora de ambientes controlados.

No seu estudo, a Accenture encontrou um gap entre as ações e as oportunidades. Como é que as organizações devem diminuir esse gap?

Os resultados do estudo da Accenture são expressivos, com cerca de 75% das empresas a revelar ter atingido até 11% em média de redução de custos e com perspetivas animadoras em relação ao futuro, com os executivos a revelar que tencionam migrar para a cloud mais de dois terços dos seus workloads nos próximos três a cinco anos, e cerca de um terço das empresas a perspetivar ter mais de 75% das suas cargas na cloud no mesmo período.

No entanto, apenas metade das empresas está a utilizar a cloud para transformar o dia a dia dos seus negócios e isto significa que há ainda uma grande oportunidade para explorar o potencial da cloud. É notório que, para muitas organizações, continuar a jornada cloud após a migração, no sentido de explorar atividades de maior valor é um processo lento e difícil. No estudo da Accenture ficou patente que algumas empresas veem a cloud apenas como uma forma de ter um data center mais barato, outras têm a ideia de que aproveitar a cloud para alavancar tecnologias da próxima geração é muito experimental e não é para elas.

A questão crítica que se coloca é como as empresas podem avançar no continuum da cloud para recuperar num mundo pós-pandemia e posicionar- se para o crescimento nos próximos três a cinco anos. E uma das descobertas mais interessantes que o estudo da Accenture revelou é que as empresas não precisam ser nativas digitais para se mover de forma rápida e eficaz neste espaço. Há vários exemplos de empresas que não são nativas do mundo digital e que se estão a expandir no continuum para transformar a forma como interagem com clientes, parceiros e colaboradores, fabricam e comercializam os seus produtos e serviços, constroem e operam os seus sistemas de TI e reimaginam a função dos dados e da computação.

Independentemente do ponto em que a organização se encontre no continuum, é fundamental que entendam o leque de oportunidades e expandam a utilização.

Que tipo de práticas é que as organizações devem adotar para suportar e aumentar as suas tecnologias?

Claramente, a implementação da tecnologia de forma isolada não é a resposta.

Para que as organizações tenham sucesso nesta jornada e desbloqueiem o potencial da cloud, é necessário que compreendam profundamente o poder do continuum da cloud e o que ele pode fazer pela organização, desenvolvendo uma estratégia que alinhe uma visão que afirma claramente os valores centrais e as aspirações, a identificação de vulnerabilidades críticas e uma classificação clara de capacidades, atuais e futuras, aproveitando toda a extensão do continuum.

É igualmente crucial estabelecer práticas padrão para apoiar a adoção de novas tecnologias, priorizar a experiência para clientes e colaboradores e ter um compromisso contínuo da liderança adotando e infundindo uma cultura de cloud em toda a organização.

O estudo da Accenture revela que as empresas que continuaram a sua evolução estão a conseguir responder e superar as expectativas dos clientes, a reter talento e a gerar retorno para o planeta e para os investidores.

Hoje, há uma série de estratégias que as organizações podem adotar para ter sucesso nas suas operações. O que é que a organização deve ter em conta no momento de definir essa estratégia?

A pandemia evidenciou as limitações das normas de longa data sobre a forma como as empresas operam e como as pessoas vivem. A crise económica e de saúde geradas pela pandemia deixaram exposta uma nova realidade com acordos de trabalho e operações inflexíveis, cadeias de abastecimento frágeis, informação não confiável e novas necessidades do cliente.

A mudança contínua veio para ficar, e acompanhar o ritmo já não é suficiente para liderar. Os líderes devem não apenas adotar a mudança, mas catalisá-la, e isso requer uma ampliação dos horizontes da liderança e um novo tipo de liderança. Claramente, há que ter em conta que, cada vez mais, as estratégias de negócio e as estratégias de tecnologia estão a tornar-se inseparáveis, e muitas vezes até difíceis de distinguir. Para serem bem-sucedidas no futuro, as empresas precisam unir a liderança da indústria e da tecnologia. A necessidade de liderança exige que as empresas priorizem a inovação tecnológica em resposta a um mundo em mudança radical. As empresas que querem liderar devem tornar-se pioneiras.

As empresas já não competem apenas por quota de mercado; competem pela construção de uma visão do futuro mais rápida do que a concorrência e por isso não esperam que se estabeleça um ‘novo normal’ pós-pandemia para se adaptarem; elas próprias o constroem. E no momento da definição da estratégia, devem considerar expandir a definição de valor e a medição do seu impacto de forma mais alargada, incluindo por exemplo, o quão bem as pessoas prosperam, o impacto deixado no meio ambiente ou a inclusão crescente.

Quando tecnologia, ambição e compromisso com as pessoas convergem, as estratégias tornam- se muito mais potentes e o impossível torna- se alcançável.

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