CFO assumem maior peso na estratégia de IA das empresas

Quase três quartos dos líderes financeiros viram as responsabilidades aumentar no último ano. A gestão da inteligência artificial é apontada como o principal fator para esta evolução

CFO assumem maior peso na estratégia de IA das empresas
Din Nasahrudin / AdobeStock

A Inteligência Artificial (IA) está a alterar o papel dos Chief Financial Officers (CFO), que assumem uma participação crescente na definição da estratégia tecnológica e na avaliação do retorno dos investimentos realizados pelas organizações.

A conclusão consta do “CFO Priorities Report” da Salesforce, realizado junto de 865 líderes financeiros em três continentes. Quase três quartos dos inquiridos afirmam que as suas responsabilidades aumentaram no último ano, sendo a gestão e expansão da utilização da IA apontada como o principal fator para esta mudança.

Metade dos responsáveis financeiros diz desempenhar atualmente um papel decisivo na definição da estratégia de IA da organização. Além de acompanhar o investimento, os CFO passam a estar envolvidos em questões como os casos de utilização, acesso aos dados, controlos e medição dos resultados.

“As decisões relacionadas com IA já não chegam à área financeira apenas como pedidos de orçamento. Chegam-nos como questões de risco, controlo e responsabilidade”, afirma Sam Chung, Chief Customer Officer, Agentforce Revenue Management da Salesforce, em comunicado.

O alargamento das responsabilidades acontece num contexto em que as próprias fontes de receita se estão a tornar mais complexas. Segundo o estudo, 71% dos líderes financeiros indicam que as respetivas empresas vendem através de mais canais do que há um ano. Às vendas diretas juntam-se canais como comércio eletrónico self-service, parceiros, redes sociais e aplicações móveis.

A diversificação também se verifica nos modelos de negócio. Cerca de 65% dos inquiridos gerem atualmente múltiplos modelos de receita, combinando áreas como vendas pontuais, subscrições, serviços profissionais e modelos baseados em consumo.

Esta realidade aumenta o número de variáveis que as áreas financeiras têm de considerar em processos como definição de preços, faturação, cobrança, reconhecimento de receitas e previsão financeira.

Apesar desta complexidade, 67% dos líderes financeiros afirmam que as suas equipas continuam a realizar manualmente pelo menos um em cada cinco processos, recorrendo frequentemente a folhas de cálculo. Os inquiridos estimam que até 40% das tarefas possam ser automatizadas com as condições tecnológicas adequadas.

É neste contexto que os agentes de IA começam a ganhar espaço. Entre os responsáveis financeiros que já utilizam IA, 90% reportam um retorno positivo sobre o investimento. Entre os utilizadores de agentes de IA, mais de 90% identificam benefícios em áreas como poupança de tempo, produtividade, redução de custos e precisão das previsões financeiras. Cerca de metade classifica esses ganhos como significativos.

Além da automatização de tarefas repetitivas, a Salesforce aponta para a utilização da IA na simulação de cenários. As equipas financeiras podem, por exemplo, testar alterações de preços ou mudanças nos canais comerciais e analisar o potencial impacto nas previsões do negócio.

A adoção continua, no entanto, condicionada por diferentes preocupações. A segurança é identificada por 46% dos inquiridos como o principal obstáculo à expansão da IA. Governação e integração com os sistemas existentes são referidas por 42%, respetivamente.

Os resultados apontam, assim, para uma aproximação entre as funções financeira e tecnológica. À medida que a IA passa a ter impacto nos processos e resultados do negócio, os CFO deixam de participar apenas na aprovação do investimento e passam também a acompanhar os controlos, riscos e retorno associados à sua utilização.

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