Um estudo da IBM conclui que a maioria das empresas da EMEA desconhece as suas dependências tecnológicas em Inteligência Artificial e enfrenta dificuldades para mudar de fornecedor ou modelo
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A soberania da Inteligência Artificial (IA) está a tornar-se uma prioridade estratégica para as organizações, mas a maioria das empresas da Europa, Médio Oriente e África continua sem visibilidade suficiente sobre as tecnologias de que depende. A conclusão consta de um novo estudo do IBM Institute for Business Value (IBV), realizado em parceria com a Oxford Economics. O estudo, que recolheu respostas de 370 executivos na EMEA e mil a nível global, sugere que o ritmo de adoção da IA está a ultrapassar a capacidade das empresas para manter o controlo sobre os seus ecossistemas tecnológicos. Segundo o relatório The Calculus of AI Sovereignty, apenas 10% dos executivos inquiridos da região afirmam conhecer exatamente os fornecedores, modelos e infraestruturas de IA que suportam as operações das suas organizações. Em sentido inverso, 90% admitem não ter uma compreensão completa dessas dependências. A dificuldade em alterar fornecedores ou modelos de IA surge como um dos principais desafios. Cerca de 73% dos executivos inquiridos na EMEA afirmam que teriam dificuldades em substituir o seu principal fornecedor ou modelo de IA, evidenciando um elevado grau de dependência tecnológica. A complexidade aumenta quando estão em causa requisitos de soberania e localização de dados. Sete em cada dez executivos inquiridos referem que cumprir regras de residência e soberania dos dados em diferentes geografias dificulta a transferência de sistemas de IA ou de informação entre ambientes tecnológicos. Apesar destas limitações, a flexibilidade continua a ser considerada uma prioridade, uma vez que 71% dos inquiridos aceitariam um aumento de 20% nos custos se isso lhes permitisse manter maior liberdade de escolha e reduzir a dependência de fornecedores específicos. A preocupação com a resiliência operacional também está a crescer, com a maioria dos inquiridos a considerar que uma interrupção superior a sete dias num fornecedor estratégico de IA teria um impacto grave ou crítico na atividade da organização. Em média, as empresas reportaram sete interrupções operacionais relacionadas com IA nos últimos dois anos, sendo as falhas de serviços dos fornecedores a principal causa. No prefácio do estudo, Ana Paula Assis, Senior Vice President da IBM e Chair para EMEA e APAC, afirma que existe um crescente desfasamento entre adoção e controlo da tecnologia. “Este estudo mostra que, atualmente, apenas uma pequena parte dos executivos compreende verdadeiramente a sua dependência da IA. O fosso entre adoção e controlo está a aumentar precisamente no momento em que a IA se torna indispensável”, refere. A responsável defende ainda que a combinação entre tecnologias open source e mecanismos de controlo pode ajudar as organizações a alcançar níveis mais elevados de soberania tecnológica sem os custos associados a uma independência total. Embora 73% das organizações descrevam os seus ambientes de IA como multi-fornecedor, a investigação sugere que essa diversidade resulta frequentemente de fatores operacionais e históricos, e não de uma estratégia deliberada. As decisões autónomas das diferentes unidades de negócio e as exigências geográficas surgem como os principais fatores para esta fragmentação, seguidas pela complexidade dos sistemas legados. A análise da IBM conclui ainda que as organizações com maior controlo sobre a sua stack de IA apresentam melhores resultados operacionais. Globalmente, estas empresas registam menos interrupções e conseguem proteger mais 55% do seu lucro operacional perante incidentes relacionados com IA. No entanto, apenas 7% das organizações analisadas atingem atualmente este nível de maturidade. Para a IBM, os resultados demonstram que a soberania da IA deixou de ser apenas uma questão regulatória ou tecnológica, assumindo um papel cada vez mais relevante na resiliência operacional, na competitividade e na capacidade de adaptação das organizações num mercado em rápida transformação. |