IBM Think Lisboa: Para onde caminha a disrupção digital?

A conferência anual da IBM viajou até Lisboa no dia 18 de junho e recebeu cerca de 380 participantes, entre clientes e parceiros de negócio. Subordinado ao tema “Where Technology meets Humanity”, o evento debateu o futuro dos negócios em Portugal

IBM Think Lisboa: Para onde caminha a disrupção digital?

Pela primeira vez desde a ascensão da Internet enquanto plataforma de transformação, as grandes empresas tradicionais, a que a IBM chama de incumbentes, assumem o protagonismo da mudança nos seus próprios setores. Se até há bem pouco tempo estas eram as organizações que se mostravam mais apreensivas em relação à transformação digital, hoje verifica-se que são estas estão comprometidas em liderar aquele que era considerada “a praia” das startups.

Efetivamente, de acordo com a 19ª edição do C-Suite Study, um relatório realizado pela IBM que auscultou quase 13 mil executivos de C-Level (CxO), de 112 países (incluíndo Portugal), mais de 60% da disrupção a que assistiremos nos próximos tempos será liderada por incumbentes inovadores. Isto é comprovado pela opinião dos inquiridos no estudo da IBM: 72% acreditam que as empresas tradicionais – em vez dos novos concorrentes digitais – estão a liderar a disrupção e a inovação do seu setor. Em comparação, só 22% acreditam que essa vaga de disrupção virá das startups.

Durante o evento, António Raposo de Lima, presidente da IBM Portugal, afirmou que estamos perante um “momento único”, marcado por um panorama em que os negócios e a tecnologia estão, finalmente, a evoluir ao mesmo ritmo, ao contrário daquilo que se testemunhou nos últimos anos.

O presidente da IBM Portugal, que afirmou que chegou agora o momento de as empresas pensarem “em função da realidade atual”, revelou o empenho das organizações com a digitalização. De acordo com o estudo, 28% dos executivos entrevistados dizem que as suas empresas estão já a alocar parte do seu capital para criar modelos de negócio baseados em plataforma, o que inclui também o investimento em startups, incorporando assim mais inovação, novos talentos e competências digitais, bem como o acesso aos dados que as acompanham.

O investimento na transformação digital, que deve começar pela transformação dos modelos de negócio das próprias organizações, é hoje ainda mais imperativo tendo em consideração o volume de dados com que as empresas t|em de lidar. Apenas 20% dos dados do mundo são públicos, diz o estudo da IBM. Os outros 80% são dados corporativos. Não estão acessíveis nem podem ser pesquisados, estão por detrás das firewalls de organizações e instituições, nos seus fluxos de trabalho, cadeias de abastecimento, etc. As empresas estabelecidas têm em seu poder um profundo conhecimento, experiência e especialização. Estas quantidades elevadas de dados, necessitam da implementação de ferramentas que permitam às empresas tirar partido desses mesmos dados. Inteligência Artificial, blockchain e Cloud – são tecnologias que podem ser usadas a favor dos incumbentes.
 

Quais são as principais preocupações dos executivos de topo?

Os fatores de mercado, que incluem questões como o aumento da concorrência e a mudança das preferências dos clientes, voltaram à primeira posição entre as preocupações do C-Suite, enquanto a tecnologia caiu para o segundo lugar.

Numa era de inovações surpreendentes com recurso a tecnologias de IA, machine learning, realidade virtual e realidade aumentada, parecia quase inevitável que a tecnologia fosse uma das principais preocupações dos líderes de negócio num futuro próximo.

O estudo mostra ainda que o enfoque nas competências e nos colaboradores subiu e reconquistou a terceira posição na lista das principais preocupações dos executivos. Essa preocupação com as pessoas está tanto no interior como no exterior das empresas. Encontrar as pessoas certas, formá-las e retê-las à luz de um crescente consenso de que o talento movimenta as empresas é hoje um imperativo.

A capacidade dos incumbentes em manter a sua posição no mercado e em ter sucesso a longo prazo depende inteiramente da sua capacidade de aproveitar as vantagens do acesso  exponencial aos dados e fomentar a transformação interna da sua cultura  para criar uma empresa que aprende de forma contínua. E isso vai além das competências e da formação. Segundo o estudo, trata-se de criar uma cultura aberta e colaborativa com operações ágeis.

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