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“A transformação digital é um processo contínuo e não um destino final”

João Alvarinho, CIO do Grupo Inapa, explica o processo de transformação digital que a organização sofreu, alavancado por uma maior automação de processos, com recurso à inteligência artificial, numa adaptação a um mundo mais digital e tendo em vista as necessidades dos clientes

“A transformação digital é um processo contínuo e não um destino final”

Com um volume de negócios na ordem dos 1.200 milhões de euros em 2022, o Grupo Inapa posiciona-se atualmente como o principal distribuidor de papel na Europa Ocidental.

Para além da posição de liderança neste mercado, a organização detém ainda posições de relevo na distribuição de embalagem e comunicação visual, com uma oferta recente direcionada a serviços de logística.

João Alvarinho, CIO do grupo, entrou na empresa em 2019 com dois objetivos estratégicos principais traçados: por um lado, ajudar na transformação digital do negócio e, por outro, harmonizar as soluções utilizadas. Com uma operação desenvolvida em dez países, outro dos objetivos passava pela centralização das funções de IT em Portugal, uma vez que cerca de 45% dos colaboradores desta área se encontravam fora do país.

Na visão de João Alvarinho, “a jornada de transformação digital de uma empresa do setor do papel é um projeto que reflete a necessidade de evolução e adaptação de uma indústria tradicional à procura de oportunidades do mundo digital”. Desta forma, a Inapa investiu “em soluções tecnológicas para alavancar a sua competitividade e atender às expectativas do mercado em constante evolução”.

Processo de transformaçao digital: o primeiro passo que leva aos resultados

A primeira fase desta jornada contou com a implementação de um sistema integrado de gestão empresarial (ERP), responsável por unificar e harmonizar os processos internos da Inapa nas mais diversas áreas. Este passo permitiu “uma visão mais holística das operações do grupo, possibilitando decisões mais ágeis e assertivas”.

O grupo investiu também na automação de processos, em inteligência artificial e data science, gerando insights para a otimização de operações e redução de custos.

“A Inapa reforçou uma abordagem colaborativa com os seus parceiros externos, clientes e fornecedores, por meio da implementação de uma plataforma digital de comunicação e colaboração. Essa aposta permitiu uma maior digitalização das operações, facilitando a troca de informações, a gestão de pedidos e a partilha de dados em tempo real”, prosseguiu João Alvarinho.

Para o CIO, a base do sucesso reside nas pessoas: “muito mais do que a tecnologia, as pessoas são sempre o fator-chave para o sucesso de qualquer transformação, seja ela digital ou não”.

Para isso é necessário que os colaboradores estejam envolvidos no processo, desde o impacto às transformações e benefícios das mesmas. “Numa fase mais adiantada do processo é necessário que haja uma formação adequada de modo a capacitar os colaboradores com os conhecimentos necessários para utilizar as novas soluções tecnológicas nos seus processos”, sublinha o CIO.

Na visão de João Alvarinho, o compromisso da liderança neste caminho foi igualmente importante, não só no interior da organização, mas também na alocação de recursos humanos ao projeto.

No global, a jornada de transformação digital do Grupo Inapa “representou uma evolução significativa na forma como a empresa opera, interage com os seus stakeholders e se posiciona no mercado”. A adoção das novas soluções e a utilização dos dados gerados durante o processo transformaram a Inapa numa empresa mais ágil, competitiva e preparada para os vários desafios que o mundo digital acarreta.

O papel do CIO no processo

Com uma maior sofisticação das ameaças e uma maior frequência de ataques, a cibersegurança é, para João Alvarinho, uma das principais preocupações de um CIO, que defende ainda a “aposta forte na passagem de conhecimento e formação de todos os colaboradores”, uma vez que “são eles a primeira linha de defesa das organizações”.

A dificuldade em recrutar e reter talento é outra das preocupações: “os talentos certos não trazem apenas competências técnicas e conhecimento especializado, mas também impulsionam a inovação, a criatividade e a competitividade de uma organização. A abertura de hubs tecnológicos em Portugal por parte de empresas multinacionais, embora traga consigo inúmeros benefícios para o país, tem apresentado desafios consideráveis, nomeadamente no que diz respeito à competição por talentos qualificados”.

O futuro

A inteligência artificial vai continuar a assumir um papel central na transformação digital, com avanços em áreas de data science, machine learning e IA generativa: “à medida que os algoritmos se tornam mais sofisticados e as capacidades computacionais aumentam, podemos esperar que a IA se integre ainda mais profundamente nos nossos sistemas e processos, ajudando a impulsionar a inovação e a potenciar a criação de novos modelos de negócios”.

Em paralelo, a experiência do utilizador é outra das áreas em desenvolvimento, com um “foco crescente na personalização e na entrega de serviços” de acordo com as necessidades individuais de cada cliente. Para isso, os dados serão o maior aliado para compreender os comportamentos dos clientes.

“Esta transformação inicial lançou as bases sobre as quais a iniciativas futuras se vão alavancar e foi marcada por uma série de avanços significativos, incluindo a adoção generalizada de tecnologias como cloud, análise de dados, inteligência artificial e automação de processos. No entanto, é importante reconhecer que a transformação digital é um processo contínuo e não um destino final. À medida que avançamos para o futuro, é provável que vejamos uma série de tendências e desenvolvimentos que ampliarão e aprofundarão o impacto da transformação digital em todas as áreas”, remata João Alvarinho.

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