Quem comprou Zero Trust, comprou autenticação

Quase todos os fornecedores de segurança falam hoje sobre Zero Trust, mas são poucas as organizações que de facto o adquiriram e o implementaram. O que a maioria comprou, foi um segundo fator de autenticação com um nome mais caro.

Quem comprou Zero Trust, comprou autenticação
Oramix

Nunca confiar, verificar sempre

Há uma pergunta que faço de forma recorrente às equipas de gestão de topo: se a vossa arquitetura fosse testada amanhã, o que resistiria? Durante anos, bastou estar ligado à rede da organização para se ser considerado de confiança. Essa lógica acabou com a chegada do trabalho híbrido, da cloud e com o acesso a partir de qualquer dispositivo. O perímetro, tal como o conhecíamos, simplesmente deixou de existir. O Zero Trust responde com um princípio incómodo: nunca confiar implicitamente, validar sempre. A identidade passa a ser o novo perímetro, quer isso agrade ou não aos donos das redes.

Na prática, isto obriga a responder em contínuo a um conjunto de perguntas: quem pede o acesso, a partir de onde, para quê e com que risco. Nenhuma resposta isolada chega, pois é a combinação que decide se o acesso é concedido, limitado ou negado. É também aqui que a maioria das organizações fica. O multifator e a autenticação adaptativa são o degrau mais fácil de vender e de comprar, por isso aparecem em quase todas as apresentações comerciais como “Zero Trust completo”. Não são. São o primeiro degrau de um percurso bem mais longo.

Privilégios e dados: onde a implementação falha

O princípio de least privilege devia garantir que cada utilizador tem apenas o acesso estritamente necessário, mas, na prática, é aqui que mais organizações falham. Numa auditoria que conduzimos recentemente, uma organização apresentava o seu programa de Zero Trust. Quando questionámos quem tinha acesso ao ERP financeiro, a resposta foi “praticamente todo o departamento, por hábito”.

Do ponto de vista do risco, o que interessa não é o número de controlos implementados, mas o que fica exposto quando um deles falha. Sem saber onde estão os dados críticos, quem lhes acede e como são usados, qualquer política de acesso é um exercício de fé. Classificar e monitorizar os dados ao longo do seu ciclo de vida não é um extra, é o que torna tudo o resto possível.

A estes desafios juntam-se ainda sistemas legacy que nunca vão cumprir os requisitos, acessos mantidos por conveniência histórica e contas de serviço com privilégios permanentes que ninguém revê. Pela nossa experiência são a regra, não a exceção.

A NIS2 acelerou a procura por Zero Trust nos últimos dois anos; no entanto, resolveu poucos dos desafios estruturais. Quando um incidente acontece, é a segmentação e a redução de privilégios que limitam os danos.

Validação, segmentação, visibilidade: o teste real

As avaliações de maturidade que a Oramix realiza no terreno mostram, ano após ano, um gap entre o que se apresenta como Zero Trust e o que resiste a um incidente real.

A validação acontece só no login ou ao longo de toda a sessão? A segmentação chega aos sistemas legacy ou só ao que é fácil e novo? Há visibilidade real sobre os dados mais críticos ou apenas um inventário de aplicações desatualizado?

São as respostas a estas questões, e não a lista de funcionalidades de um fabricante, que separam arquiteturas eficientes das que funcionam apenas como uma fachada. A monitorização contínua de comportamentos anómalos, como uma transferência de dados fora de padrão, é o que deteta uma ameaça real, interna ou externa. Já não interessa quem está dentro ou fora da rede, mas quem tenta aceder a quê, em que contexto e com que risco.

Bem feito, o Zero Trust liberta a organização para adotar cloud, trabalho híbrido e inteligência artificial com mais confiança. Mas essa maturidade não vem numa solução de MFA. Exige que a gestão de topo invista na segmentação, na visibilidade dos dados e na validação contínua, não apenas na porta de entrada, onde quase todos ficaram.

 

Conteúdo co-produzido pela MediaNext e pela Oramix

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