Fadiga de compliance? O problema não é a regulação

Novas regulações geram em muitas empresas, acima de tudo, uma coisa: mais trabalho. Quem entende o compliance como o cumprimento contínuo de listas de verificação corre o risco de sofrer de fadiga regulatória. Por outro lado, quando os requisitos são integrados em processos, plataformas e automação, pode emergir uma efetiva vantagem estratégica.

Fadiga de compliance? O problema não é a regulação
Red Hat

NIS2, DORA, a Lei de IA, o RGPD ou a Lei de Ciberresiliência estão a alterar permanentemente os requisitos exigidos às organizações e às suas áreas de Tecnologias de Informação (TI's). Ao mesmo tempo, aumenta o número de controlos, evidências e auditorias. Por isso, o problema já não reside apenas em cumprir normas individuais, mas sim em como as empresas lidam com uma realidade regulatória cada vez mais complexa.

A fadiga de compliance tem muitas causas

Esta fadiga de compliance não descreve apenas o stresse antes da próxima auditoria: quanto mais regras, verificações e obrigações se adicionam, menor é a percepção do benefício de cada atividade de compliance. Um controlo originalmente útil torna-se uma rotina e um instrumento de proteção transforma-se num processo administrativo adicional. A consequência é apenas o cumprimento mínimo estrito; ou seja, aplicar diretrizes de forma mecânica sem compreender os riscos subjacentes, enquanto proliferam acordos informais para contornar processos burocráticos.

Isto surge quando os requisitos não estão integrados nos processos operacionais e de TI existentes. Em vez disso, constroem-se fluxos de trabalho adicionais: tabelas para evidências, tickets para aprovações, sistemas de governação, risco e conformidade (GRC) separados e verificações manual de relatórios. A isto soma-se o facto de os diferentes quadros regulamentares exigirem frequentemente controlos semelhantes, mas organizacionalmente separados, gerando um excesso de carga.

A regulação deve estar no código

A solução para este dilema não consiste em criar mais instâncias de controlo. Uma arquitetura de compliance moderna não trata os requisitos apenas como documentos, mas traduz-os em controlos técnicos. Permissões, configurações, encriptação, regras de rede ou retenção de dados podem ser verificados e aplicados de forma automatizada.

Sob o princípio de Policy as Code, as especificações são definidas de forma legível por máquinas e integradas nos processos de desenvolvimento e operações. Deste modo, ao implementar uma aplicação, verifica-se se cumpre os requisitos de segurança, detectando infrações instantaneamente. Abordagens como CI/CD impulsionam uma governação contínua em toda a área de TI: a validação de configurações, verificação de permissões, detecção de vulnerabilidades e geração de evidências devem ser automatizadas de ponta a ponta.

O papel especial da IA

Uma arquitetura comum permite consolidar numa única instância de controlo técnico normativas com requisitos semelhantes de gestão de risco, rastreabilidade ou cadeia de abastecimento, evitando duplicar projetos de compliance.

Com a IA generativa e agêntica, as exigências intensificam-se: é necessário controlar que modelos são usados, a que dados acedem e que decisões tomam. Ao mesmo tempo, a IA oferece novas vias para automatizar a classificação de dados, a análise de diretrizes ou a preparação de evidências.

De igual forma, as organizações precisam estar atentas para perigo do “shadow AI”:  à medida que as ferramentas tradicionais se mostram menos capazes para fazer face ao volume e complexidade no contexto de compliance, os utilizadores irão procurar sempre formas de circunscrever as regras e procurar usar ferramentas de IA disponíveis e não autorizadas para circunscrever dificuldades operacionais. Daí que a solução passa por oferecer alternativas oficiais, seguras e integradas na arquitetura corporativa.

A verdadeira vantagem competitiva é a velocidade

Uma arquitetura bem executada consolida tecnicamente o compliance e facilita a sua implementação, já que, perante uma nova diretiva, o processo reduz-se ao ajuste das diretrizes e controlos existentes. Isto encurta os processos de decisão e adoção no lançamento de aplicações, onboarding de clientes ou concursos públicos.

A chave para superar a fadiga de compliance não passa por controlar menos. Pelo contrário, passa sim por controlar melhor e com valor acrescentado para as organizações, com mais rigor e identificando onde realmente estão os riscos reais, eliminando tarefas manuais que a TI pode assumir de forma fiável.

 

Conteúdo co-produzido pela MediaNext e pela Red Hat

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