A adoção de IA está a acelerar a execução de tarefas, mas processos internos continuam a limitar os resultados. Um estudo da AWS identifica desafios na governação, investimento e competências
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A Amazon Web Services (AWS) publicou o relatório “Reimagine – Turning AI into Value”, que procura identificar os fatores que condicionam a capacidade das organizações para transformar a adoção de Inteligência Artificial (IA) em resultados de negócio. O estudo resulta de nove meses de entrevistas a 154 responsáveis, incluindo 128 executivos de organizações de 27 países e 23 setores, 23 líderes da Amazon e três investigadores. A análise conclui que a maior velocidade proporcionada pela IA na execução de tarefas nem sempre se traduz numa entrega mais rápida de projetos ou em resultados financeiros. A própria AWS identificou esta situação durante a reconstrução de um dos seus serviços. Um projeto inicialmente estimado para 30 engenheiros durante um ano foi realizado por cinco profissionais em 70 dias com recurso a IA. No entanto, processos como as revisões de segurança e de interface e a implementação continuaram a limitar a velocidade de colocação em produção. O relatório identifica problemas semelhantes noutras organizações. Na Best Buy, uma funcionalidade cuja implementação estava estimada em 14 semanas foi desenvolvida num dia com IA. A empresa optou por manter algumas equipas de IA fora dos processos habituais de entrega e revisão durante a fase de desenvolvimento, integrando posteriormente as verificações de produto e de marca. A investigação aponta ainda para dificuldades em converter ganhos de eficiência em resultados de negócio. Segundo a AWS, quase metade das entrevistas que referiram melhorias de eficiência não apresentaram evidências de impacto empresarial associado. Na ManpowerGroup, por exemplo, a IA reduziu em 60% o tempo utilizado pelos recrutadores na avaliação de candidatos, mas essa poupança ainda não se traduziu em receitas adicionais. O estudo aborda também os modelos de governação. A AWS defende, com base nas entrevistas realizadas, que o nível de supervisão deve ser ajustado às consequências de uma eventual decisão incorreta, em vez de aplicar os mesmos processos de aprovação a todas as iniciativas. Outra questão identificada está relacionada com o desenvolvimento de competências. A automatização de tarefas rotineiras pode reduzir as oportunidades utilizadas pelos profissionais mais jovens para adquirir experiência e desenvolver capacidade de avaliação. Executivos da Haufe, Standard Bank e IQVIA indicaram que ainda não existe uma resposta consolidada para este desafio. O relatório, dividido em dez capítulos, aborda ainda o financiamento de projetos de IA, a utilização de dados próprios como fator de diferenciação, a dificuldade de prever custos associados ao nível de utilização da tecnologia e a evolução das competências exigidas aos profissionais. A análise inclui experiências de organizações externas e da própria Amazon, procurando identificar alterações necessárias nos processos de decisão, financiamento, governação e organização das equipas à medida que a IA reduz o tempo necessário para executar determinadas tarefas. |