“Quando entra uma nova peça num ecossistema, temos de ter a certeza que todas as funções básicas desse negócio se mantêm”

Nelson Pereira, CTO da Noesis, explica a forma de trabalhar da empresa que, há nove anos, começou a pensar no mercado externo e, atualmente, está presente no Brasil, Estados Unidos, Holanda e Irlanda.

“Quando entra uma nova peça num ecossistema, temos de ter a certeza que todas as funções básicas desse negócio se mantêm”

IT Insight: Qual é a história da Noesis? 

Nelson Pereira: A Noesis é uma empresa 100% portuguesa com mais de 20 anos de mercado e expressão internacional. Nos últimos nove anos, começámos a direcionar mais claramente o nosso posicionamento para o mercado externo – foi também um momento mais difícil para o mercado nacional, com oportunidades crescentes noutros territórios, e acelerámos o processo de internacionalização na estratégia da empresa. 

Pensámos em destinos como o Brasil, Espanha - apesar de, entretanto, não termos avançado - e Holanda. Começámos pela Comissão Europeia, em Bruxelas, na Bélgica, e não tanto na Holanda, que depois se veio a tornar um dos nossos melhores mercados externos. A Irlanda também nos pareceu um mercado atrativo. As grandes empresas americanas começaram a dar nas vistas neste território, e percebemos que seria uma boa aposta: não só por causa do mercado local irlandês, mas também porque seria um hub para os Estados Unidos. 

Iniciámos a nossa prospeção, ainda sem estruturas locais - começámos remotos e a fazer parcerias a partir da sede -, e rapidamente entendemos que a ponte para o outro lado do Atlântico exigia uma aposta mais séria. 

Eventualmente começámos diretamente nos EUA com escritório em Boston, de uma forma aliada à visão estratégica dos nossos parceiros da OutSystems. 

 

A vossa intervenção nestes casos é de natureza mais metodológica ou focada no produto? 

É acima de tudo processual e metodológica, diria à volta dos 70%. Em relação à tecnologia, gostamos de dizer que somos totalmente agnósticos. 

Hoje é muito difícil sê-lo por completo: fazemos parcerias com aqueles que pensamos ser os melhores que podemos entregar, mas dentro disso tentamos ser agnósticos no sentido em que, quando fazemos o estudo ou a análise, não estamos propriamente a olhar para o que é que deveríamos lá colocar em termos tecnológicos. 

Começamos sempre pelos processos e acho que isso agradou, por exemplo, aos clientes que temos agora no Brasil, porque estavam habituados precisamente ao oposto, o modelo tradicionalmente americano de vender algo, com a promessa de colocar produtos para resolver os seus problemas. 

 

Quando fazem o assessment, a ideia da Noesis é continuar a fazer o acompanhamento? 

É continuar, sim. Não somos uma empresa de consultoria de gestão estratégica, e o nosso modelo de consultoria tecnológica diferencia- se por ser direcionado à implementação. 

Gostamos de executar, mas também de acompanhar os nossos clientes, com quem trabalhamos de forma colaborativa. Hoje em dia, quando entregamos estes cadernos, temos equipas de dez a 15 pessoas a fazer acompanhamento constante. 

 

Fazem também o desenvolvimento? 

Sim, sem dúvida, é um dos nossos pilares. A nossa oferta estende-se ao longo de nove áreas de negócio, que percorrem todos os aspetos tecnológicos dos nossos clientes: infraestrutura, software, qualidade e pessoas. 

Qual foi de facto o nosso grande passo? A automatização de testes e RPA, que são áreas nas quais estamos muito fortes fortes, especialmente nos testes automáticos. 

Quando entra uma nova peça num ecossistema, temos de ter a certeza de que todas as funções básicas desse negócio se mantêm, porque se esta peça entra e o resto se estraga, ficamos com um enorme problema em mãos. 

Antes de entrar no ambiente produtivo, tem de correr esta bateria de testes, e em vez de lá estar uma equipa de dez pessoas durante duas semanas a ver se aquilo se mantém tudo e sempre da mesma forma, o processo é feito de forma automática. 

Este é o nosso grande serviço, que temos feito para o Brasil, e acaba por ser tudo o que seja regressão e automatismos. 

Aí, introduzimos também uma nova tecnologia, desenvolvida in-house, que chamamos NTX - Ngine Testing Experience. 

Verificámos que as ferramentas de testes automáticos que existiam no mercado, apesar de terem qualidade, eram muito caras e tinham um teor altamente tecnológico que não correspondia às necessidades dos clientes - duas questões levaram as empresas a abdicar deste tipo de solução. Se queremos desenvolver, o que é que é mais importante? 

Desenvolver ou encontrar erros? Quando os recursos são limitados, o IT prescinde um bocadinho da qualidade para ter maior cadência nas novas funcionalidades. 

 


“O seguimento das ferramentas de desenvolvimento terá de conseguir acompanhar o ritmo dos pedidos” 


 

Como é que se passa de qualidade de software para data analytics? 

Entregar uma solução digital terá de ser necessariamente um cruzamento de várias áreas e somos conhecidos assim no mercado. 

O que fazemos, sabemos fazer muito bem. Como é que se passa da qualidade para a analítica... é engraçado porque não foi aí que começou, mas cada vez estão mais ligados. 

A Noesis sempre se focou em apoiar os clientes e acelerar a sua transformação digital, pelo que sempre dotámos as nossas equipas para responder às diferentes necessidades e expectativas. 

O mesmo se aplica a cada uma das áreas: trabalhamos numa lógica de centro de excelência, combinando um conjunto de competências para garantir qualidade na entrega, em qualquer ponto do globo. 

 

A vossa intervenção é dotar o departamento de qualidade de ferramentas para esse efeito? 

Temos parcerias estratégicas com a Qlik e a Microsoft - concretamente na tecnologia de Power BI -, que estão na base da transformação do negócio dos nossos clientes. 

Já temos aceleradores nas farmacêuticas, no retalho e nas telecomunicações, bem como para áreas mais abrangentes como RH, logística, etc.. 

A vasta experiência da Noesis em projetos de diferentes mercados permitiu que começássemos a conceber suportes de KPI e de dados que tornaram claros alguns padrões. Por exemplo, todas as empresas de retalho querem normalmente ver determinado tipo de analítica, pelo que já conseguimos criar aceleradores em que os indicadores já contêm informação operacional, para otimizar esta analítica. 

Há um ano e meio introduzimos a nossa grande evolução na área de Business Intelligence, que hoje em dia evoluiu no sentido de Data Analytics & Artificial Intelligence, porque de facto a analítica é muito mais do que isso: já damos aos clientes a capacidade de desenhar a sua própria data journey. 

Identificámos no mercado a necessidade de percorrer diferentes pontos da maturidade de dados, e estruturámos esta oferta para garantir toda essa jornada, da construção da arquitetura, passando pela transformação dos dados, até chegar à criação de informação com recurso a mecanismos de machine learning, recomendação e artificial intelligence. 

 

Transportam o vosso conhecimento da qualidade do software para a qualidade dos dados? 

Ainda há um caminho a percorrer rumo a uma absoluta sinergia entre todas as áreas de competência. Já atravessámos um conjunto de desafios no mercado que nos permitiram ganhar maturidade tecnológica com o cruzamento de várias equipas – com resultados de sucesso para os clientes. 

Na temática de data science, a perspetiva é a mesma: reunir competências de diferentes áreas, dotando os data scientists das melhores ferramentas para uma resposta eficiente a todos os desafios. 

 

O know how da qualidade do software não poderá ser traduzido para a qualidade dos dados? 

A longo prazo, sim, vai ser quase impossível não unir. Dou o exemplo dos nossos parceiros da OutSystems, onde os developers já não se limitam às tarefas tradicionais, tendo já uma tendência natural para compreender as reais necessidades do negócio. 

Este é o grande fator diferenciador da tecnologia low-code, que se movimenta ao ritmo dos pedidos, eliminando tempos de espera e falhas nas deadlines. Hoje em dia, as ferramentas de desenvolvimento têm de ser capazes de responder em tempo real aos requisitos, diminuindo a necessidade específica de recursos de IT que, como sabemos, são escassos. 

Para evoluir neste sentido, é obrigatório interligar, numa infraestrutura sólida, com equipas especializadas a nível tecnológico e de negócio, a qualidade e o desenvolvimento. 

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