Smart cities exigem uma cultura de dados

Os 100 indicadores da Norma ISO 37120, divididos em 17 categorias, permitem ajudar as cidades a medir o desempenho dos serviços urbanos e a mensurar a sua qualidade de vida ao longo do tempo

Smart cities exigem uma cultura de dados

Todos somos fontes de informação e estamos sempre a gerar dados que podem ser medidos e comparados. Mas apenas uma correta interpretação e utilização desses dados se torna eficaz para servir de incentivo à criação e desenvolvimento de cidades inteligentes, sustentáveis, inclusivas e prósperas.

De acordo com modelos estatísticos de crescimento populacional, o Global Cities Institute estima que atualmente, 757 milhões de pessoas residem nas 101 maiores cidades em todo o mundo. Por outro lado, o World Population Prospects aponta um crescimento contínuo dos processos de urbanização, prevendo que cerca de 70% da população mundial irá habitar em cidades, até 2050. As projeções mostram que os processos de urbanização combinados com o crescimento global da população mundial adicionará mais 2,5 mil milhões de pessoas às populações urbanas nas próximas três décadas.

“A gestão de áreas urbanas tornou-se um dos mais importantes desafios de desenvolvimento do século XXI. As informações e os dados recolhidos pelos municípios são vitais para a definição de prioridades políticas de forma a promover um desenvolvimento inclusivo, equitativo e sustentável tanto para as zonas urbanas como para as rurais. As normas ISO 37120 e ISO 37121 têm por base o ciclo de melhoria contínua: Planear-Fazer-Verificar-Atuar e incentivam as comunidades a tornarem-se mais pró-ativas, garantindo que as partes interessadas desenvolvem e implementam um sistema de gestão adequado para o local em causa”, refere a Engenheira Vera Santos, responsável pelo centro de competência de Gestão da Inovação da Winning.

São 100 os indicadores da Norma ISO 37120, divididos em 17 categorias, que permitem ajudar as cidades a medir o desempenho dos serviços urbanos e a mensurar a sua qualidade de vida ao longo do tempo. Qualquer cidade, município ou governo local que esteja empenhado em medir e compreender os seus dados, de uma forma comparável e verificável, independentemente da sua dimensão e localização. Paralelamente, a recente Norma ISO 37101, publicada em finais de 2016, irá ajudar as comunidades a colocarem em prática uma estratégia de desenvolvimento sustentável tendo em conta o seu contexto económico, social e ambiental. É desenhado para ajudar todo o tipo de comunidades a gerir a sua sustentabilidade, inteligência e resiliência, melhorando a contribuição das comunidades para o desenvolvimento sustentável e avaliar o seu desempenho nesta área.

De acordo com a quantidade de informação recolhida poderão ser obtidos diferentes níveis de certificação para as cidades, sendo o World Council on City Data (WCCD) o organismo internacional responsável por este processo. “Independentemente do nível alcançado, este reconhecimento é benéfico para os municípios pois expõe a sua aposta numa estratégia de maior transparência e melhoria contínua através do city-to-city learning. Daí existirem já 35 cidades certificadas pela ISO 37120 a nível global, sendo o município do Porto a única cidade portuguesa certificada até à data. Estamos a colaborar com outros municípios em Portugal e vamos, seguramente, ter mais cidades portuguesas no mapa desta importante certificação, ainda em 2017”, afirma Vera Santos.

Deste modo, a gestão científica passa a ocupar um papel fundamental neste processo uma vez que, com base em medições precisas e dados empíricos, os municípios são capazes de tomar decisões informadas para traçar planos de ação com o objetivo de melhorar o seu desempenho.

A Winning tem vindo a investir na implementação deste tipo de normas com vários municípios portugueses, garantindo o apoio necessário para fomentar uma política de transparência de gestão e providenciando orientação na recolha de dados para a definição de uma estratégia de desenvolvimento sustentável e para a medição da eficácia de iniciativas de resiliência.

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IT INSIGHT Nº 6 Março 2017

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