Estudo da KPMG mostra que as empresas veem a inteligência artificial como decisiva para a competitividade, com ganhos claros de eficiência e retorno mensurável sobre o investimento
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A Inteligência Artificial (IA) está a afirmar-se como um fator central de competitividade no setor energético. De acordo com o estudo da KPMG “Intelligent Energy – A blueprint for creating value through AI-driven transformation”, 92% das empresas acreditam que a adoção de IA é determinante para garantir vantagem competitiva, enquanto cerca de 80% já registam ganhos claros de eficiência operacional. O estudo, baseado em entrevistas a 163 executivos seniores de oito países, revela ainda que 60% das organizações inquiridas obtêm um retorno superior a 10% em projetos de IA já em produção e que 96% estão a investir em iniciativas futuras assentes nesta tecnologia. “A IA está a transformar a forma como as empresas do setor operam, tomam decisões e prestam serviços aos seus clientes. O que antes era visto como um custo traduz-se hoje em ganhos reais de eficiência, rentabilidade e diferenciação competitiva”, afirma António Pires, Partner para o setor da Energia da KPMG Portugal. O responsável sublinha ainda a importância de investir em dados de qualidade e em adoção efetiva da IA nos processos, como condições essenciais para criar valor sustentável. Apesar do otimismo, o relatório identifica obstáculos relevantes à adoção em larga escala. Questões de segurança e privacidade, escassez de competências especializadas e resistência interna à mudança continuam a travar a transição de projetos piloto para implementações estruturais. A qualidade dos dados surge como um dos principais entraves, com 58% das empresas a reportarem problemas de fragmentação e inconsistência que afetam o desempenho dos modelos de IA. Na vertente operacional, a KPMG destaca o impacto da IA na gestão de ativos críticos, como redes e infraestruturas de distribuição. A utilização de modelos preditivos permite antecipar falhas, otimizar planos de manutenção e reduzir paragens não planeadas, contribuindo para maior disponibilidade dos ativos e proteção das margens. A relação com os clientes é outra área em transformação, com o estudo a apontar que a análise avançada de dados possibilita uma compreensão mais fina dos padrões de consumo que abre espaço a serviços mais personalizados, maior eficiência energética e uma experiência globalmente melhorada. O estudo aponta ainda para a IA com agência como o próximo salto tecnológico no setor. Estes sistemas autónomos reforçam redes mais resilientes, melhoram integração de energias renováveis e permitem respostas mais rápidas à volatilidade da procura e dos preços, o que vem reforçar a eficiência e a robustez do sistema energético. |