Qual o papel do CIO numa economia cada vez mais digital

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Qual o papel do CIO numa economia cada vez mais digital

À medida que os negócios tradicionais evoluem e se transformam em negócios digitais, o papel do CIO muda necessariamente, tornando-se mais complexo e variado. Mas como a maturidade digital das organizações evolui a diferentes ritmos, a função do CIO evolui também de forma gradual e de forma muito específica de cada negócio.

A correta aposta na modernização, transformação ou inovação tecnológica é fundamental para o sucesso de qualquer organização, mas a escolha de um CIO totalmente ajustado à maturidade e necessidades da empresa é absolutamente crucial. Idealmente, os CIO deveriam assumir o papel de visionários, mas a verdade é que nem todas as empresas estão prontas ou precisam de um CIO a esse nível.

No caso das empresas que já estão a desenvolver produtos, serviços e experiências digitais avançadas, estas precisarão certamente de CIO visionários e inovadores, enquanto aquelas que têm menor sofisticação digital pode ser suficiente o CIO apenas ter funções de gestor de serviços ou de infraestrutura serão suficientes, pelo menos numa primeira fase. As funções do CIO serão sempre uma função das necessidades da empresa e dos seus clientes, assim como da capacidade e aspiração do CIO em competir pela liderança digital dentro da sua organização.

Mas a sua função tem de ser obrigatoriamente dinâmica - à medida que as necessidades da empresa mudam, o papel do CIO tem de mudar em conformidade. Num mundo perfeito, o CIO consegue antecipar as necessidades de mudança, e ajustar o seu trabalho para otimizar e impulsionar a mudança organizacional. Mas isso nem sempre acontece, até porque existem barreiras, muitas vezes internas.

O aumento dramático da amplitude e complexidade do papel do CIO torna o conceito de CIO, enquanto Lone Ranger, impraticável, se não impossível. O CEO, o conselho de administração, os executivos de negócio e o próprio CIO têm de estar alinhados. Não podem existir silos. As equipas de tecnologia, operações, financeira, de RH, cibersegurança, e os executivos têm de ser extensões virtuais do papel do CIO.

O acelerado ritmo de mudança exige equipas de liderança quase telepáticas. Qualquer desfasamento entre as reais funções de um CIO e as expectativas da equipa de liderança resulta em atritos e lacunas que impedem o bom desempenho e a rapidez na tomada de decisões. E quais são as reais funções? A IDC identifica cinco tipos em função do nível de maturidade digital das organizações.

Nível 1 – Gestor de Infraestrutura: O CIO gestor de infraestruturas concentra- se na gestão técnica e de operações destinadas a fornecer serviços de TI estáveis e fiáveis. Por esta razão, a sua visão limita-se à melhoria das operações de TI e à relação custo-eficácia. São também os que correm maior risco de enfrentarem, de repente, uma concorrência mais agressiva no mundo digital.

Nível 2 – Gestor de Serviços: O CIO gestor de serviços está focado no controlo, padronização e segurança das aplicações e infraestruturas. Procura um papel mais elevado para a organização de TI para além de “manter as luzes acesas” como a estandardização, segurança das aplicações, controlo dos sistemas e infraestruturas, mas é travado pela falta de conhecimento do cliente e do negócio, o que, por sua vez, limita a capacidade de desenhar uma visão digital viável e convincente. Por isto, correm o risco de serem marginalizados por executivos que confiam em fornecedores externos para as suas necessidades de TI.

Nível 3 – O Arquiteto: Os CIO arquitetos supervisionam o fornecimento de um catálogo estável de serviços digitais que geralmente satisfazem as necessidades atuais da empresa, mas nem sempre estão bem posicionados para satisfazer as necessidades novas e emergentes. Os CIO arquitetos podem ser bem-sucedidos em organizações com necessidades de evolução razoavelmente previsíveis, nas quais os executivos de negócio acabam por conduzir a transformação digital. Os CIO arquitetos são desafiados quando o programa de transformação digital acelera, e acabam por não ser capazes de acompanhar a proliferação de iniciativas digitais.

Nível 4 – O Orquestrador: Os CIO orquestradores desenvolveram uma visão evolutiva para a transformação digital do negócio, as quais são coordenadas e geridas de modo a criar um impacto empresarial sustentado. Os CIO orquestradores “funcionam” melhor com negócios nos quais os executivos de negócio e os CIO têm as suas próprias agendas digitais com algumas sobreposições e trabalham razoavelmente bem em conjunto. O principal desafio para os CIO orquestradores é manter os esforços digitais de toda a organização alinhados e focados.

Nível 5 – O Visionário: Os CIO visionários atuam como cocriadores de empresas, estrategas, visionários e desbravadores de caminhos tecnológicos. São eles que ajudam a definir um novo caminho para o futuro do negócio da sua organização. São membros de pleno direito da equipa de liderança e têm assento na administração das empresas, com competências não só em tecnologia, mas também em estratégia empresarial.

Muitos CIO assumem-se como “Visionários”, mas para além do posicionamento e das competências do líder, a função depende muito do nível de maturidade da organização, e a verdade é que maioria das empresas não estão prontas ou precisam de um CIO Visionário. Mas os CIO, em qualquer um dos níveis de maturidade, devem trabalhar e aspirar ter as características e habilidades dos CIO nos escalões superiores de maturidade para o avanço das suas carreiras profissionais e das suas próprias organizações. Como tubarões, os CIO precisam seguir em frente para sobreviver e prosperar.

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