Estudo da Experis revela que 48% dos líderes tecnológicos consideram o alinhamento do IT com o negócio a principal responsabilidade dos CIO. Apesar dos avanços na adoção de IA, persistem dificuldades na execução
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Os Chief Information Officers (CIO) estão a assumir um papel cada vez mais relevante na estratégia e no crescimento das organizações, mas continuam a enfrentar dificuldades para transformar os investimentos tecnológicos em resultados concretos. Segundo o estudo “CIO 2026 Outlook”, da Experis, 48% dos líderes tecnológicos consideram que o alinhamento da estratégia do IT com os objetivos de negócio é atualmente a principal responsabilidade dos CIO, face aos 34% registados em 2025. O relatório, baseado nas respostas de 1.930 CIO, CTO, CISO e outros responsáveis tecnológicos seniores de diferentes mercados internacionais, identifica uma evolução das prioridades da liderança de IT. A capacidade de demonstrar valor para o negócio está a ganhar importância, num contexto marcado pela adoção de Inteligência Artificial (IA), modernização de sistemas antigos, riscos de cibersegurança e dificuldades na gestão da mudança. Apesar desta evolução, 44% dos inquiridos apontam o ritmo acelerado da transformação tecnológica como o principal obstáculo à sua atividade, um aumento de dez pontos percentuais face ao ano anterior. A necessidade de acompanhar novas tecnologias, responder a ameaças e assegurar a competitividade das organizações está a aumentar a complexidade das decisões de investimento. Embora o alinhamento estratégico seja a principal prioridade dos CIO, a perceção de que este objetivo está a ser alcançado diminuiu. Em 2026, 77% dos líderes tecnológicos consideram que as estratégias de IT e de negócio estão efetivamente alinhadas, menos três pontos percentuais do que os 80% registados em 2025. A cibersegurança mantém-se entre as principais responsabilidades da liderança tecnológica, sendo referida por 37% dos inquiridos, face a 35% no ano anterior. Contudo, foi ultrapassada pelo alinhamento estratégico, refletindo uma maior preocupação com a capacidade de transformar tecnologia em resultados empresariais. Entre as dificuldades identificadas estão a necessidade de demonstrar o valor dos investimentos tecnológicos às partes interessadas, referida por 26% dos responsáveis, e a resistência interna à mudança, apontada por 25%. O estudo revela ainda um aumento da distância entre as áreas tecnológicas e a restante liderança empresarial. Cerca de 61% dos responsáveis de IT consideram que os outros líderes das suas organizações não compreendem suficientemente a função e as responsabilidades do CIO, uma proporção que era de 49% em 2025. “A tecnologia deixou de ser avaliada apenas pela sua capacidade de suportar operações. Hoje, o seu verdadeiro valor mede-se pelo impacto que gera no negócio”, afirma Nuno Ferro, Brand Leader da Experis, em comunicado. O responsável considera que a capacidade de implementar soluções à escala, assegurar a adoção pelos trabalhadores e envolver a liderança empresarial é determinante para o sucesso das iniciativas tecnológicas. IA começa a gerar retorno, mas adoção enfrenta obstáculosA inteligência artificial ocupa um lugar central nas estratégias de transformação das organizações. Segundo a Experis, 66% dos líderes tecnológicos afirmam que as suas empresas já se encontram na fase de implementação de IA, enquanto 54% indicam que começaram a obter um retorno tangível dos investimentos realizados. A intenção de investimento mantém-se elevada, com 66% dos CIO a preverem aumentar os recursos destinados à IA durante 2026. Além disso, 48% dos responsáveis identificam a integração destas tecnologias como uma das maiores oportunidades de criação de valor para as organizações. Apesar destes indicadores, apenas 17% classificam a implementação de soluções de IA como uma das suas principais responsabilidades. O resultado sugere que a tecnologia está a ser integrada em iniciativas mais abrangentes de transformação empresarial, em vez de ser tratada como um objetivo isolado. A adoção das novas ferramentas pelos trabalhadores constitui, contudo, um obstáculo. Apenas 72% dos líderes tecnológicos consideram que existe um nível elevado ou moderado de adoção tecnológica nas suas organizações, uma redução de sete pontos percentuais face a 2025. Esta evolução evidencia uma diferença entre disponibilizar novas soluções e conseguir integrá-las efetivamente nos processos de trabalho. A Experis destaca, por isso, a importância da formação contínua, da comunicação interna e da adaptação dos modelos de governação para assegurar que os investimentos em IA se traduzem em ganhos operacionais. Cloud e infraestruturas digitais lideram retorno tecnológicoA modernização das infraestruturas continua a ser uma prioridade para os CIO, particularmente pela necessidade de suportar aplicações de IA e processos empresariais cada vez mais exigentes. Quando questionados sobre as tecnologias que proporcionam maior retorno do investimento, 41% dos líderes destacam a computação cloud e as infraestruturas digitais escaláveis. Seguem-se a automação e as soluções baseadas em IA, identificadas por 34%, e o Data Analytics e Business Intelligence, referidos por 29%. Os resultados indicam que, apesar da atenção dedicada à IA, as organizações continuam a valorizar as tecnologias que asseguram a capacidade de processamento, a integração de sistemas e a disponibilidade dos dados necessários à sua utilização. A modernização dos sistemas legacy, a cibersegurança e o desenvolvimento de competências surgem, neste contexto, como condições importantes para ampliar a utilização da IA e assegurar que os projetos tecnológicos produzem resultados sustentáveis. Para a Experis, o desafio dos CIO está a deslocar-se da seleção e implementação de tecnologias para a capacidade de gerir a transformação organizacional. A necessidade de demonstrar retorno financeiro, mobilizar equipas e alinhar as decisões tecnológicas com os objetivos empresariais está a reforçar a dimensão estratégica da função. O “CIO 2026 Outlook” conclui, assim, que a criação de valor através da tecnologia depende não apenas da evolução das ferramentas disponíveis, mas também da capacidade das organizações para adaptar processos, desenvolver competências e assegurar uma utilização efetiva dos investimentos realizados. |