Deloitte Portugal: “o nosso foco está no mercado global”

“How Fast gets Faster by Deloitte” foi o tema das duas apresentações feitas pela empresa no AWS Initiate Portugal. Rui Pedro Vaz, sócio da Deloitte, explicou à IT Insight a estratégia que, em conjunto com a AWS, se pretende para Portugal

Deloitte Portugal: “o nosso foco está no mercado global”

À margem do AWS Initiate Portugal, a IT Insight entrevistou Rui Pedro Vaz, sócio da Deloitte e responsável da gestão de Alianças Globais e área de cloud. A relação da Deloitte com a AWS, os setores de atividade onde é possível chegar, e a importância (ou não) da geografia foram temas abordados na conversa.

Como classificaria a vossa presença no AWS Initiate Portugal? A Deloitte teve oportunidade de fazer duas apresentações em nome próprio, mas também existe a possibilidade de ‘networking’ com outros players da indústria...

Temos estado, de forma mais estruturada, a endereçar a questão da Aliança Global [de que faz parte a AWS] no último ano, também devido a uma maior presença da AWS em Portugal. Desde essa altura, designámos internamente um conjunto de pessoas que interagem com a AWS.

Tivemos duas apresentações, uma na área de SAP – porque claramente o tema da migração é uma grande tendência a nível de mercado – e outra sobre a forma diferente como gerimos esta Aliança, relacionada com o nosso investimento no desenvolvimento de determinado tipo de ativos. Neste sentido, apresentámos uma plataforma para a gestão centralizada de cidades ou smart places, em que efetivamente trabalhamos com os principais parceiros tecnológicos, e em particular na parte de infraestrutura e alojamento com a AWS.

A plataforma CitySinergy propõe a gestão inteligente de cidades e espaços ‘smart’. Cascais foi a primeira cidade do mundo onde o projeto foi implementado. Que importância tem Portugal no desenvolvimento desta solução?

A plataforma de smart cities e smart places foi feita para funcionar em escala. Estar alojada em AWS permite ter essa flexibilidade, em que tanto pode funcionar num contexto pequeno, à escala global – como Cascais -, como quando falamos de cidades como Sidney, ou cidades chinesas, onde a escala é completamente diferente...

Há pouco comentava que, na realidade, num edifício como este onde estamos [NOVA Carcavelos], que se pode considerar um smart building, também podia funcionar perfeitamente essa plataforma. Tudo o que sejam ecossistemas que promovam integração de espaços e ambientes faz sentido. É uma plataforma que consolida informação de diversas fontes - as fontes não fazem parte da plataforma, a plataforma correlaciona essas fontes. Não é ‘rocket science’, mas não temos visto muitas plataformas que sejam comparáveis.

A Deloitte faz parte das “big four” da auditoria em Portugal, sendo que estas quatro líderes representam mais de metade da faturação do setor no país. Qual é o contributo da AWS para este cenário?

Somos líderes de mercado na prestação de serviços profissionais, com uma quota de mercado de 40% entre as "big four" em Portugal. E o percurso que fizemos, ao longo dos últimos anos, colocou-nos no mapa dos principais prestadores, com uma aposta clara na área de inovação e transformação tecnológica. Exemplo disso mesmo é esta aliança, que de forma mais coordenada, por assim dizer, só começou no último ano, quando a AWS passou a estar no país de forma permanente.

Na Deloitte Portugal, os novos ecossistemas de tecnologia e de inovação foram desde sempre antecipados, e apoiados na nossa rede global começámos de facto a verificar oportunidades de crescimento na área da consultoria e tecnologia.

Hoje em dia temos um peso em consultoria de tecnologia muito superior dentro do negócio global da Deloitte e que neste momento estará próximo dos 50% da nossa atividade. Conseguimos antecipar o tema no mercado e também, desde cedo, talvez fruto do ADN português - somos relativamente destemidos – percebemos que o nosso target de negócio não tinha que estar limitado por aquilo que é a geografia do país, e que poderíamos trabalhar para fora. Cerca de 60/70% do que fazemos em tecnologia na Deloitte Portugal é, aliás, para clientes fora de Portugal.

A nossa experiência diz-nos que este novo modelo de cloud -  no qual a AWS é um player relevante – tem uma crescente relevância no mercado porque cada vez mais as tecnologias e plataformas que implementamos são baseadas na nuvem e, aqui, uma vez mais, o tema da geografia não é tão relevante.  Temos, efetivamente, uma parte significativa do negócio fora de Portugal, mas a ser feito a partir de Portugal. Dou-lhe um exemplo. O foco do nosso delivery center em Viseu, com cerca de 30 pessoas que trabalham OutSystems, centra-se no mercado internacional.  O nosso foco está no mercado global.

Numa das apresentações foi referido que a Deloitte não é, muitas vezes, reconhecida como player no setor das telecomunicações, em Portugal. Porque é que isto acontece?

Não é só no setor das telecomunicações. Se olharmos para o setor financeiro, retalho, setor energético,... se calhar encontramos um conjunto de setores que, lá fora, estão um pouco mais adiantados nesse contexto de adoção de analítica e machine learning mais avançado. E se calhar em Portugal ainda não estamos despertos para isto, infelizmente, e falo em particular do setor público, life sciences e healthcare.

Se formos ao mercado norte-americano, os dois setores em que mais trabalhamos são precisamente a saúde e o setor público, e na Europa são os setores onde menos trabalhamos.  No entanto, o nível de maturidade é mais ou menos idêntico, ou seja, o que nós notamos é que existe uma grande vontade nestes setores – e em particular também nas telecomunicações – em explorarem novas capacidades analíticas, fazerem-se provas de conceito, etc., mas ainda temos de dar o passo seguinte de adaptar isso à realidade dos negócios. Existe muita experimentação e menos capacidade de operacionalização. No Reino Unido, Alemanha ou Holanda, o nível de maturidade é maior e já estão numa fase de operacionalização e de escala.

O tema da cloud é muito relevante porque tipicamente são tecnologias que têm muita exigência de capacidades de computação, e as empresas naturalmente não têm que ter essa capacidade internamente. Eu não estou a executar os meus processos de machine learning todos os dias: eu tenho casos, um conjunto de dados, e há uma altura em que vou executar. A minha necessidade de utilização dessa capacidade de computação não é contínua, tem picos. Não faz sentido eu estar dimensionado internamente para uma situação de pico se eu vou fazer aquilo periodicamente. Daí serem relevantes players como a AWS, porque permitem às empresas essa flexibilidade.

Já trabalhamos este tipo de modelos para clientes internacionais, e para os nacionais – sobretudo as maiores empresas - há de facto interesse, provas de conceito implementadas, mas é preciso dar o passo seguinte.

A que setores falta chegar?

Estamos a trabalhar nos setores onde existe recetividade. Aquilo que verificamos é que há um conjunto de setores mais recetivos, como telecomunicações, seguros, banca, retalho, energia,... e depois, de facto, temos muita dificuldade no setor público. Não tem a ver com as pessoas que estão do outro lado, mas sim com a dificuldade do processo de contratação pública. Trabalha-se com ciclos anuais e bianuais, mas o mundo tecnológico não funciona a essa velocidade.

Gostava, no que toca à componente analítica, de chegar ao setor da saúde, uma vez que, do ponto de vista do potencial de resultados, apresenta um enorme potencial.

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