Smart Living

A transformação da vida dos cidadãos

As cidades contam com cada vez mais sistemas que procuram melhorar o bem-estar dos cidadãos. As smart cities baseiam-se nos dados e há vários conceitos que, apesar de não serem necessariamente novos, começam a ser adotadas em várias cidades espalhadas pelo mundo.

A transformação da vida dos cidadãos

Uma cidade que dê mais aos seus cidadãos e visitantes melhora o bem-estar das suas pessoas. Planear uma cidade e as suas tendências não é uma obra do acaso; é baseado em dados que permitem perceber de que maneira é que os vários serviços são utilizados ou como é que as pessoas se movem para, depois, melhorar esses mesmos serviços ou o tráfego das ruas mais congestionadas, por exemplo.

Tal como no caso das organizações, que de um dia para o outro se viram obrigadas a transformar digitalmente por força da pandemia de COVID-19, também as cidades tiveram de fazer melhorias que não estavam originalmente planeadas.

Projetos de elevado perfil foram, durante a pandemia, diminuídos ou totalmente colocados de lado, aumentando o foco na recuperação económica e na inclusão digital. A ONU estima que, em 2050, 70% da população mundial viva em áreas urbanas; a pandemia mostrou que é necessário acelerar o planeamento digital das cidades e melhorar as comunicações dos cidadãos para que a população que vai existir daqui a três décadas seja sustentável.

Mas, com ou sem pandemia, há uma série de tendências que já começam a ser vistas nas cidades um pouco por todo o mundo. Nenhum conceito é particularmente novo em termos gerais, mas a sua aplicação a uma cidade inteligente só agora começa a acontecer.

Mobilidade

A mobilidade é um dos pontos centrais de qualquer cidade, vila ou mesmo aldeia. São as estradas que permitem conectar um determinado lugar a um outro.

Carlos Bernardes, Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, explica que o município conta com 47 sistemas inteligentes de controlo de tráfego que trabalham diretamente com os cidadãos.

Estes sistemas são “detetores de bicicletas e peões e sensores origem-destino, mas também de medidores de velocidade que mostram, em tempo real, a velocidade registada”, afirma. Estas ferramentas vão permitir “fazer uma monitorização muito precisa daquilo que se passa na cidade” no que à mobilidade diz respeito.

O objetivo, diz o autarca, “passa por utilizar esses dados para uma melhor planificação de futuros investimentos em infraestruturas”. “Só com esses dados é possível que a cidade de Torres Vedras se adapte às necessidades dos cidadãos”, esclarece.

Falar de mobilidade obriga a falar da rede de transportes públicos e de veículos elétricos. Carlos Bernardes refere que o objetivo do município é “a descarbonização do nosso território”. Para isso, a Câmara Municipal tem criado “uma rede de ciclovias urbanas e uma rede de percursos pedonais acessíveis, cómodos e seguros”, para além da “instalação de paragens de chegada e confluência que fomentem a intermodalidade, garantindo condições para a ligação entre os diferentes modos de transporte”.

A própria Câmara Municipal renovou a sua frota e integra atualmente 32 veículos elétricos, permitindo reduzir as emissões de dióxido de carbono em cerca de 66 toneladas por ano e cerca de 37 mil euros em combustível.

“Verificamos, ainda, que esta aposta dá origem a um efeito de ‘contaminação’ positiva, com a população a apostar, cada vez mais, em veículos elétricos”, afirma Carlos Bernardes. O município de Torres Vedras pretende, até ao final do ano, lançar quase 50 novos postos de carregamento no concelho.

Dados no centro das decisões

Tal como nas organizações, os dados têm uma importância cada vez maior nas cidades inteligentes. Nos últimos anos, os dados têm-se tornado na força viva para desenvolver inovações nas várias cidades inteligentes de todo o mundo.

Muitas cidades estão a tirar benefícios dos dados para conseguir melhores insights sobre as operações do seu território. Muitas dessas cidades abriram mesmo os seus dados à população para promover transparência e encorajar as pessoas a criar serviços que usem os dados já existentes.

Escolher os dados é, só por si, um desafio. Tirar informações relevantes é ainda maior. A expansão do IoT traz vários benefícios para as cidades, mas traz, também, mais dados. Tanto os negócios como os governos locais começam a tirar dados relevantes desses dispositivos que começam a inundar as ruas das cidades.

Em 2017, a IDC previa que em 2025 a criação de dados iria atingir os 163 zetabytes de dados. 2025 está apenas a cinco anos de distância e desta enorme quantidade de dados gerados é preciso tirar, primeiro, os mais importantes para a cidade e, segundo, tornar essa informação retirada em realidade e melhorar a vida dos cidadãos.

Os dados já estão e vão continuar a suportar o crescimento das cidades inteligentes. A maneira como uma smart city vai enfrentar as novas tendências e as necessidades das pessoas que habitam nas cidades e das organizações vai determinar o sucesso dos projetos. Os dados mostram o caminho para esse sucesso. As cidades, à semelhança das organizações, precisam de investir na tecnologia necessária para assegurar que esse caminho para o sucesso é o mais rápido e correto possível.

A adoção do 5G

No final de 2019 estimava-se que seria este ano que uma nova geração de telecomunicações móveis iria avançar significativamente. A pandemia atrasou esta adoção em grande parte das cidades; Portugal, por exemplo, adiou o leilão dos espectros destinados ao 5G.

A importância do 5G não diminuiu. Quer a tecnologia ainda seja adotada este ano ou apenas no decorrer de 2021, a verdade é que o 5G promete que os conceitos futuros do IoT e de cidades inteligentes ganham uma nova vida.

Uma área vital de todas as cidades é, como já foi referido, a mobilidade. No que diz respeito à gestão de tráfego, o 5G vai permitir que uma cidade inteligente mantenha um veículo debaixo de olho e o tire das rotas mais congestionadas.

Quer isto dizer que o 5G vai permitir oferecer uma rota que tenha o mínimo de obstruções possíveis. É um facto que várias aplicações já o fazem através de GPS; no entanto, a nova geração de telefonia móvel vai melhorar e tornar estas aplicações ainda mais fiáveis, onde o IoT terá certamente um papel mais importante.

Internet das Coisas e a saúde

O IoT, ou Internet das Coisas, tem um papel cada vez mais importante. Este ponto assume particular relevância nas cidades inteligentes, não só por alguns dos temas que já foram referidos, como a gestão de tráfego, mas também outros, como a saúde.

É expetável que a integração de IoT com a saúde tenha um papel significante. Neste momento, os dispositivos IoT já estão presentes em alguns pontos hospitalares e já fornecem soluções de monitorização e de tracking integrado.

No futuro, é expetável que os pacientes utilizem dispositivos que fazem a monitorização de parâmetros vitais ou de parâmetros específicos para uma determinada patologia. Em tempo real, esses dados podem ser acedidos e analisados pelos médicos e pelos especialistas em determinadas áreas. Vários novos serviços na área da saúde já utilizam IoT e standards. Isto significa que todos estes dados podem ser monitorizados remotamente.

No entanto, a adoção mais abrangente de IoT na área de saúde foi colocada em pausa devido às preocupações com a segurança cibernética. Após a chegada das tecnologias e dispositivos de comunicação 5G, espera-se que o IoT seja capaz de ampliar os seus objetivos e âmbito no setor de saúde.

Transformação sem precedentes

Atualmente, todo o mundo está a experienciar uma transição sem precedentes. A transformação digital que já ocorria há alguns anos foi acelerada por causa da pandemia; muitas empresas cometeram erros, muitas outras fizeram tudo acertado e, ainda assim, não estão no ponto desejável.

Nas cidades inteligentes a realidade é semelhante. Os projetos – que estão sempre dependentes de verbas públicas – já estavam a ocorrer, mas tiveram de ser postos de lado ou acelerados (o que poderá ter levado a erros na sua adoção) para melhorar a vida dos cidadãos.

As cidades continuam a evoluir. Os dados assumem uma importância cada vez maior. Cabe a quem gere esses dados tirar o máximo partido deles e, em conjunto com os cidadãos, melhorar a vida nas cidades.

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