O antigo Presidente dos EUA alertou para os riscos associados ao rápido desenvolvimento da Inteligência Artificial, defendendo uma maior supervisão dos modelos e a cooperação internacional
|
A Inteligência Artificial vai provocar mudanças sociais, económicas e políticas profundas nos próximos anos, numa transformação “muito rápida”, quando comparada com anteriores revoluções que decorriam num período entre 30 a 50 anos. Esta foi uma das mensagens deixadas por Barack Obama, antigo Presidente dos EUA, no Game Changers Forum, que decorreu na Meo Arena, em Lisboa. O antigo líder norte-americano foi o orador principal do evento onde a liderança, a inovação e o impacto dos líderes esteve presente ao longo das várias sessões. O antigo Presidente norte-americano chamou a atenção para a rapidez do desenvolvimento tecnológico – um boom e uma mudança que começou no início do seu primeiro mandato, em 2009 – e para as consequências deste ritmo. “A tecnologia move-se muito rapidamente, mas os governos e sociedades movem-se devagar”, relembrou, alertando para os possíveis riscos de segurança inerentes a uma evolução rápida e descontrolada. O líder considera que a evolução dos modelos de IA terá de ser supervisionada de perto para que não se tornem perigosos quando integrados com sistemas críticos. Para Barack Obama, o tema passa não só pela regulação, mas, sobretudo, pela coordenação do tema “entre as duas nações, EUA e China”, num momento em que ambas as potências discutem a disputa pela ordem mundial sobre a IA. Decisões críticas terão de ser sempre supervisionadasNa sua intervenção, Obama enalteceu o cuidado pelos outros como uma das qualidades mais importantes da era da IA. O antigo Presidente dos EUA deu como exemplo as áreas da educação e da saúde para exemplificar como algumas profissões continuarão a estar dependentes do contacto, da criação de relações e da perspetiva humana. Da mesma forma, a capacidade de julgar, discernir e tomar decisões perante episódios críticos deverão manter-se como características sobretudo humanas. Obama recorreu ao exemplo das armas nucleares para sublinhar que uma decisão sobre um eventual ataque não poderá ser colocada à mercê de um modelo de inteligência artificial sem supervisão/intervenção humana. A conversa foi além da tecnologia e abordou ainda temas como liderança política, geopolítica e o futuro da democracia. |