IT Security Conference 2026

Huawei: “Não sabemos se vamos sofrer um ataque, mas precisamos de estar preparados” (com vídeo)

Na IT Security Conference, José Capote, da Huawei, abordou os desafios da implementação da NIS2 nas organizações e a importância de transformar as obrigações regulamentares em medidas práticas de cibersegurança

Huawei: “Não sabemos se vamos sofrer um ataque, mas precisamos de estar preparados” (com vídeo)
Luís Ribeiro / MediaNext

José Capote, Cyber Security and Privacy Officer da Huawei, subiu a palco da IT Security Conference com o tema “Best practices for enterpise compliance with NIS2”, onde apresentou uma abordagem que combina gestão de riscos, mecanismos de proteção e melhoria contínua para abordar os desafios relacionados com a implementação da NIS2 nas empresas.

O responsável começou por destacar que a NIS2 procura garantir a segurança e a resiliência dos serviços essenciais para a sociedade. “Se estes serviços deixarem de funcionar, a sociedade pode ter um problema”, alertou, acrescentando que as entidades abrangidas devem garantir que as suas redes e infraestruturas tecnológicas apresentam “um nível mínimo de resiliência e de cibersegurança”.

Neste contexto, José Capote explicou que as organizações devem identificar os seus ativos, implementar mecanismos de governação e adotar medidas de gestão de riscos. José Capote alertou ainda que “essas medidas de controlo de riscos podem falhar e, se falharem, terão de reportar o incidente”, acrescentando que o incumprimento das obrigações pode resultar em sanções financeiras.

Da conformidade à gestão de riscos

Para responder aos requisitos da diretiva, José Capote apresentou o modelo “6+2+1”, uma arquitetura de segurança composta por “seis linhas técnicas de defesa que se complementam”, duas funções de suporte e um modelo de governação.

O responsável da Huawei explicou que as duas funções de suporte incluem o SOC e as operações de IT, destacando que “não sabemos se vamos sofrer um ataque, mas precisamos de estar preparados caso aconteça”. Por outro lado, as equipas de IT devem assegurar a manutenção das infraestruturas, uma vez que “é necessário manter o ciclo de vida de qualquer solução tecnológica”.

Em relação à governação, José Capote defendeu que as organizações devem estabelecer responsabilidades e disponibilizar recursos adequados. “Precisam de definir responsabilidades, alocar orçamento e recursos, traduzir os vossos requisitos para os fornecedores através de contratos e, depois, supervisionar”, esclareceu.

O responsável acrescentou que esta supervisão deve abranger toda a cadeia de abastecimento. “Enquanto entidade, precisam de supervisionar-se a vocês próprios e aos vossos fornecedores, porque também serão supervisionados pela autoridade”, alertou.

Proteção tecnológica e melhoria contínua

José Capote destacou ainda a importância da gestão de vulnerabilidades e das configurações de segurança dos sistemas. Segundo o responsável, mesmo nas grandes organizações, “nem todos os dispositivos têm as atualizações necessárias”, tornando essencial reforçar estes mecanismos perante a evolução das ameaças associadas à inteligência artificial.

Como exemplo de implementação prática, apresentou soluções de proteção de redes Wi-Fi que acrescentam “uma camada adicional de segurança física”, permitindo proteger a transmissão de informação sensível. O responsável esclareceu que esta proteção funciona como complemento à encriptação, “não como uma substituição”.

Em relação ao ransomware, José Capote defendeu a importância da integração entre diferentes ferramentas de segurança, desde os dispositivos e redes até aos sistemas de armazenamento e backup. “Ao trocar informação entre os dispositivos e a rede, aumenta-se a precisão na deteção de ataques de ransomware”, explicou, acrescentando que esta articulação também permite travar antecipadamente a propagação das ameaças.

Para terminar, o responsável da Huawei reforçou que a conformidade com a NIS2 exige uma avaliação contínua das medidas implementadas. “Quando implementam todos estes requisitos da regulamentação e as medidas técnicas, e os verificam todos os anos, conseguem iniciar um ciclo fechado de melhoria, tal como a regulamentação exige”, concluiu.

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