Managing with data

As organizações têm de se mover pelos dados

Muitas organizações, especialmente as maiores, estão a investir recursos para que possam recolher, armazenar e analisar os seus dados. Apesar de os executivos investirem em data analytics, nem todas as organizações veem o retorno do seu investimento. De qualquer maneira, as organizações que se movem por dados têm uma maior probabilidade de conquistar os clientes.

As organizações têm de se mover pelos dados

“Os dados são o novo petróleo". A frase já foi ouvida – e talvez até dita – pelos leitores. Ao longo dos anos, os principais executivos das principais empresas com soluções da data analytics têm vindo a pregar a frase em todas as conferências e palestras onde participam.

Independentemente de ser ou não uma frase feita, a verdade é que os dados podem trazer muito valor para as organizações. Cabe às empresas extrair e tirar o valor desses dados que vão levar a sua organização ao próximo passo.

Perceber o que é um negócio movido pelos dados é essencial para qualquer organização que deseje manter-se relevante na próxima década. Os últimos anos assistiram ao crescimento de novas ferramentas e técnicas, assim como novas fontes de dados, que estão a alterar o horizonte do planeamento e inovação das empresas.

Data analytics

A análise é um dos pontos mais importantes de qualquer organização que pretende mover-se pelos dados. O principal foco das organizações deve ser “adotar uma cultura cada vez mais data-driven, na qual o acesso dos dados é democratizado pelos intervenientes de cada uma das áreas de negócio”, refere Ricardo Pires, Partner & Business Intelligence Lead na Xpand IT. Através da adoção deste modelo é possível “retirar verdadeiro valor dos dados gerados, permitindo ganhos em termos de eficiência e, até, de inovação junto das empresas”, indica.

José Oliveira, CEO na BI4All, explica que o “data analytics surge como uma oportunidade relevante para aumentar o desempenho das organizações” e onde os clientes “reconhecem a importância de ter este tipo de soluções disruptivas que permitem ter toda a informação acessível e estruturada”.

A implementação de soluções de analítica começam, habitualmente, por uma visão de Business Intelligence (BI) que “permite de uma forma clara obter e agregar dados de forma visual, gerando informação útil a essas mesmas empresas”, afirma Luís Gonçalves, Data Analytics & AI Director na Noesis. A utilização de dados para o negócio não está limitada às grandes organizações; na verdade, qualquer empresa, independentemente da sua dimensão ou setor de atividade, pode extrair mais-valias dos dados. Manuel Dias, National Technology Officer - José Oliveira - José Oliveira, CEO na BI4All na Microsoft Portugal diz que “a disponibilização de informação atualizada e com qualidade é um fator de diferenciação e competitividade”.

As soluções atuais permitem, por exemplo, “analisar dados não estruturados, extrair deles elementos que possam ser classificados e prepará-los de forma a que se possa desenvolver análises e/ou modelos que permitem aos gestores tomar decisões melhor informadas”, explica João Oliveira, Principal Business Solutions Manager no SAS.

Entre os objetivos das organizações encontram-se a otimização de processos, aumento da produtividade e a melhoria da eficácia. “Com a crescente necessidade de soluções de data analytics e Inteligência Artificial [IA] no mercado atual, a inovação desbloqueia e alivia algumas das complexidades e discrepâncias envolvidas”, afirma José Oliveira.

As soluções preditivas e de IA “dependem de dados e de arquiteturas mais complexas, necessitam de grandes volumes de dados e baixa periocidade dos mesmos”, refere Luís Gonçalves, que acrescenta que “as empresas apostam cada vez mais neste tipo de abordagem pelo ganho que é possível obter com o acesso a informação e geração de conhecimento”.

Ricardo Pires acrescenta, também, que para atingir estes objetivos, as organizações têm de ter autonomia “no que toca a análise e exploração dos dados”, assim como definir “muito bem” a ação, visando “complementar e melhorar as capacidades de cada organização”.

Dados no centro 

Para que as estratégias baseadas em dados tenham sucesso, a própria liderança deve colocar os dados front-and-center nas suas tomadas de decisão de negócio. No entanto, todas as lideranças têm os seus próprios desafios.

José Oliveira explica que um dos grandes desafios é conseguir, de forma rápida, “aceder a informação crítica, que contenha dados de confiança e em tempo real, para poder analisar investimentos e riscos, antecipar cenários, identificar oportunidades e garantir um total controlo dos indicadores chave para o bom funcionamento da empresa e que permite a tomada de decisões assertivas”.

Para Manuel Dias, “cabe às equipas de liderança incutir e incentivar uma cultura data-driven aos vários níveis da organização”, até porque muitas das empresas já “reconhecem o valor central da informação e algumas estão já a apostar no potencial de aplicação de IA em muitos dos processos de decisão, ao longo da cadeia de valor”.

Ricardo Pires refere que colocar os dados front-and-center é “o caminho e que a criação de uma cultura organizacional verdadeiramente data-driven potencia realmente o sucesso das organizações, independentemente da sua área de atuação”. No entanto, alerta, esta visão no mercado “ainda não está completamente disseminada e a importância atribuída à utilização de dados nos processos de decisão varia muito consoante o estilo de gestão”.

João Oliveira explica que a atenção dada pelas lideranças de topo depende das organizações, do seu estado de maturidade, a necessidade de inovar e a pressão do mercado. Ainda assim, “o bom sinal é a constatação de que há uma cada vez maior aderência à tomada de decisões com base nas informações obtidas através da análise dos dados, através da analítica e da IA”.

O representante do SAS acrescenta que há organizações mais conservadores onde “o peso da análise dos dados” ou “da informação extraída dos dados” não é muito relevante; há outras “em que isso é determinante.

Luís Gonçalves acredita que “estas novas tecnologias permitem ter acesso a diferentes indicadores de forma agregada e intuitiva o que possibilita aos decisores analisar de forma precisa a informação e tomar decisões sobre as mesmas de forma efetiva”.

Gestão dos dados 

A própria gestão dos dados tem os seus desafios. As organizações portuguesas que já utilizam os dados nas suas tomadas de decisão não têm o mesmo tipo de sofisticação na abordagem à gestão dos dados.

Ricardo Pires indica isso mesmo, que “a sofisticação e maturidade na abordagem à gestão dos dados” varia de empresa para empresa, “mesmo dentro do mesmo setor de atividade”. No geral, o Partner & Business Intelligence Lead na Xpand IT acredita que “ainda existe um caminho a percorrer especialmente nos setores mais tradicionais do tecido empresarial”.

João Oliveira concorda com a opinião; a sofisticação “depende da maturidade, posicionamento no mercado e indústria onde operam”. No caso do SAS, os clientes “nas indústrias B2C, por exemplo, serviços financeiros, utilities e retalho, a abordagem é bastante avançada e sofisticada. Noutras indústrias, como na manufatura e produção, onde há uma cultura de recolha de dados para planeamento, começa-se a verificar uma adoção sofisticada de análise de dados, com vista à otimização dos processos e redução de desperdício”.

Manuel Dias afirma que “nos últimos dois anos tem-se verificado um alargamento do espetro e um reforço de competências e recursos humanos dentro das empresas” onde, atualmente, “a grande maioria das empresas possuem sistemas de BI de suporte à decisão, com uma grande parte destas a desenvolver soluções analíticas preditivas e a dotar os decisores de insights mais avançados e com maior valor para o negócio”.

De qualquer modo, o interesse e o empenho na utilização de sistemas de gestão de informação “é transversal na maioria das grandes empresas em Portugal, em todos os setores de atividade”, diz Luís Gonçalves. O representante da Noesis acrescenta que “os imperativos de mercado, de concorrência e de competitividade fazem com que as empresas apostem cada vez mais na otimização e evolução deste tipo de soluções, não só na ótica de BI como também em novas soluções com componentes de IA que permitem passar para um nível preditivo e de automatismo que melhoram e aceleram as tomadas de decisão dessas mesmas empresas”.

José Oliveira partilha que apesar de as organizações reconhecerem a importância da informação para a gestão, “na prática as abordagens poderiam ser ainda mais sofisticadas. Ainda há um logo caminho a percorrer”. Assim, “todas as empresas procuram maior produtividade e menos custos, e para conseguirem alcançar esta premissa é essencial que as organizações e os seus colaboradores tenham um acesso rápido e fiável às informações cruciais para tomarem as melhores decisões”.

Data governance

Todos nós, enquanto pessoas ou enquanto organização, produzimos diariamente um número imenso de dados. O valor desses dados só existe se uma empresa os conseguir tratar de forma correta e transformar em informações relevantes para a sua operação.

João Oliveira nota que existe “uma maior necessidade na captura, recolha e armazenamento dos dados” devido à multiplicidade de pontos de recolha e acrescenta que “a governação dos dados é uma disciplina que é transversal a toda a organização”.

O Principal Business Solutions Manager no SAS dá como exemplo a gestão do ciclo de vida dos dados, algo onde se nota, diz, uma falta de governance; “esta é uma questão crucial já que para garantir que a analítica e a data science trabalham com os melhores dados e os mais relevantes na análise e modelização, é essencial que haja uma estratégia sólida de governo dos dados”.

Manuel Dias acredita que “é fundamental definir uma estratégia global de segurança, privacidade e compliance de todos os dados que circulam dentro da organização e que ultrapassam apenas os requisitos do RGPD”. Neste sentido, “a gestão de acessos, a catalogação de informação, a auditoria automática, o data lineage, são alguns dos pontos de controlo que devem ser implementados de forma transversal”.

Ricardo Pires acredita que o data governance é “uma das áreas onde são necessárias mais melhorias”; por norma, os processos do ponto de vista de segurança “estão devidamente implementados” no que respeita à “qualidade dos dados ou catalogação”, mas, no geral, “ainda existe um caminho a percorrer”.

O representante da XpandIT explica que “a existência de uma cada vez maior diversidade e volume de dados faz com que a adoção de processos baseados essencialmente na intervenção dos utilizadores não seja viável, na medida em que o esforço e foco necessários para os manter sempre atualizados são demasiado altos”.

Luís Gonçalves refere que, habitualmente, “os sistemas de informação das empresas vão evoluindo ao longo do tempo e não são implementados de raiz”. Esta ação ao longo do tempo pode, em alguns casos, impossibilitar “pensar de forma agregada, como um todo, gerando ineficiências nos silos de dados que vão sendo criados”.

Apesar de existirem soluções que permitem centralizar e organizar a informação de forma eficaz, há alguma resistência à mudança dentro das próprias organizações, afirma Data Analytics & AI Director na Noesis.

José Oliveira conclui que “apesar de ainda haver algum trabalho a fazer, as organizações têm aumentado a importância da implementação de determinadas políticas, métodos e técnicas, assim como a privacidade e confidencialidade dos seus dados. É essencial dotar as empresas de mecanismos que suportem a teoria através de processos ágeis, e que realmente passem a ser incluídos na visão estratégica e na cultura da organização”.

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