Schneider Electric alerta para vulnerabilidade energética da Europa

A Schneider Electric alerta que a Europa continua vulnerável à volatilidade energética e defende uma aceleração da eficiência energética e da eletrificação para reduzir custos e reforçar a competitividade

Schneider Electric alerta para vulnerabilidade energética da Europa

A Schneider Electric apelou à União Europeia para acelerar a implementação de medidas de eficiência energética e eletrificação, defendendo que estas representam a resposta mais eficaz para reduzir a dependência energética externa e proteger a economia europeia da volatilidade dos preços da energia.

O alerta surge numa altura em que os preços globais da energia deverão aumentar 24% em 2026, o que reflete o maior crescimento desde 2022. Segundo a empresa, os custos energéticos na Europa continuam a ser, em média, duas a quatro vezes superiores aos registados noutras grandes regiões económicas.

Para a Schneider Electric, a eficiência energética e a eletrificação não devem ser encaradas apenas como instrumentos de descarbonização, mas como ativos estratégicos para a competitividade e soberania energética do continente. A empresa estima, por isso, que uma aceleração destas medidas possa gerar benefícios económicos superiores a 250 mil milhões de euros por ano até 2040.

De acordo com os dados citados pela empresa, a União Europeia ainda depende de importações para satisfazer cerca de 60% das suas necessidades energéticas, o que representa um custo anual superior a 336 mil milhões de euros.

Perante este contexto, a Schneider Electric defende um conjunto de cinco prioridades políticas para acelerar a transformação do sistema energético europeu. 

Entre as recomendações está a implementação de soluções de eficiência energética de retorno rápido, nomeadamente através de incentivos à instalação de sistemas inteligentes de gestão energética em edifícios e à adoção de tecnologias de monitorização e controlo no setor industrial.

A empresa destaca que a expansão de sistemas de automação e controlo de edifícios poderá reduzir o consumo energético da União Europeia entre 5% e 6%, ao mesmo tempo que contribui para preparar os edifícios para modelos de aquecimento elétrico e gestão flexível da procura.

A aplicação integral da Diretiva de Eficiência Energética (EED) e da Diretiva relativa ao Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD) surge igualmente entre as prioridades identificadas. Segundo a Schneider Electric, a implementação acelerada destas medidas poderá gerar poupanças anuais de 450 TWh, reduzir 64 milhões de toneladas de emissões de CO₂ e diminuir em 36 mil milhões de euros as faturas energéticas.

A eletrificação dos consumos finais é outro dos pilares defendidos pela empresa porqu, apesar do crescimento da produção de eletricidade renovável, a Schneider Electric considera que a Europa continua atrasada na substituição de combustíveis fósseis em setores como os transportes e o aquecimento.

Atualmente, a taxa de eletrificação europeia ronda os 21%, cerca de dez pontos percentuais abaixo da registada na China. A empresa propõe incentivos à instalação de bombas de calor e à eletrificação das frotas empresariais, argumentando que estas tecnologias podem reduzir significativamente a dependência energética externa.

A Schneider Electric defende também alterações fiscais que tornem a eletricidade mais competitiva face ao gás, incluindo a redução de impostos sobre a eletricidade e uma maior mobilização de fundos públicos para projetos de eficiência energética e eletrificação.

Por fim, a empresa sublinha a importância da digitalização das redes elétricas, do armazenamento de energia e da flexibilidade da procura, apontando para o papel dos contadores inteligentes, sistemas fotovoltaicos e tecnologias de gestão energética na redução dos custos do sistema.

Laurent Bataille, Executive Vice President Europe Operations da Schneider Electric, considera que a Europa continua a adiar decisões estruturais fundamentais. “A complacência é o maior risco energético da Europa”, afirma o responsável. “Os planos para subsidiar os custos energéticos são meros paliativos e insuficientes a longo prazo. A Europa precisa de uma mudança estrutural que incentive a adoção de soluções de tecnologia limpa.”

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