A indústria das TIC encontra-se num momento decisivo. Nunca assistimos ao surgimento de uma tecnologia que fizesse tanto “ruído” e conseguisse o apoio executivo, resultados comerciais definidos e uma tão rápida adoção dos utilizadores
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Na verdade, em poucos meses, a Inteligência Artificial (IA) Generativa captou a atenção, imaginação e preocupação da maioria dos líderes tecnológicos e empresariais em todo o mundo. Mas como é que uma tecnologia consegue ter este impacto de forma tão rápida? Bem, podemos dizer que não foi assim de repente. Os elementos fundamentais da IA Generativa estão a ser desenvolvidos ao longo da última década, através de fortes investimentos numa série de tecnologias inovadoras que se tornaram possíveis graças à 3ª Plataforma Tecnológica (ou seja, cloud, social media, móvel, etc.). Com a transição das organizações para o negócio digital, o resultado foi uma enorme quantidade de novos dados digitais: estruturados, semiestruturados e não estruturados. Veja-se, por exemplo, o volume de novos dados gerados pela indústria biotecnológica à medida que foram surgindo registos de saúde eletrónicos inovadores e sequenciação de ADN. Em todos os setores económicos verificamos uma trajetória digital semelhante, em que os dados estarão à disposição da IA Generativa para aumentar o trabalho e simplificar as operações. A rápida adoção da IA Generativa está a fazer com que a IA passe de um elemento de software “embrionário” para uma tecnologia de base no centro das organizações. Acreditamos que a adoção da IA Generativa irá proporcionar os mesmos (se não melhores) tipos de ganhos que vimos nos pioneiros digitais (quatro vezes o crescimento das receitas e cinco vezes a rentabilidade), e isto irá acontecer de forma acelerada. Para se manterem competitivos, todos os CEO terão de desenvolver uma estratégia de IA para abordar a política de utilização, propriedade, inclusão de dados, custos, segurança e implementação da IA Generativa na empresa. Há também a "opcionalidade" que é criada com a aplicação desta tecnologia. Por exemplo, IA Generativa resolve um aspeto da inteligência humana – a previsão – de forma mais fácil e com menos custos. À medida que a previsão se torna um recurso omnipresente, isto mudará os modelos e estratégias de negócio puramente baseados na poupança de custos. Assim, a IA Generativa dá-lhes novas "opções" que não estavam disponíveis. Mas há uma complexidade acrescida: os modelos de IA Generativa carecem de transparência para explicar por que razão produzem os seus resultados, ao contrário do que acontece com os humanos. Esta falta de confiança é um risco real de utilizar esta tecnologia na prática, especialmente quando as consequências dos erros da IA Generativa são significativas. Mas independente da complexidade e riscos associados à IA, a tecnologia nunca foi tão relevante para as empresas e, por isso, as organizações que ainda não o fizeram terão de adotar a IA, Generativa e não só, para acelerar a jornada de Transformação Digital, e desenvolver o seu próprio caminho criando impacto na sociedade. Mas a transformação não será mais o foco principal num mundo digital. Os decisores de topo reconhecem que, em determinado momento, as transformações devem ser substituídas por uma meta maior e mais significativa a longo prazo, ou seja, por negócios digitais com base em IA. Ou seja, onde a criação de valor dos negócios é baseada na utilização de tecnologias digitais e de IA, ao nível dos processos internos e externos; ao nível da relação com clientes, cidadãos, fornecedores e parceiros; até na forma como as organizações atraem, gerem e retém colaboradores; e claro, como desenvolvem os seus produtos, serviços e experiências. É neste contexto que, até mesmo em ambientes financeiros e geopolíticos adversos, tais como, a inflação e a guerra, acreditamos que em Portugal, a Transformação Digital vai representar 50% de todo o investimento nacional em TIC, até o final de 2025. No que toca ao mercado de Tecnologias e Informação em Portugal, após crescimentos anuais de 17,8% e 4,4%, em 2021 e 2022, o mercado irá crescer apenas 0,8% em 2023, influenciado, principalmente, pelo ajuste nas vendas de computadores e tablets, wearables, telefones e monitores, mas também pelo abrandamento de alguns investimentos devido ao aumento das taxas de juros e à incerteza económica. Para 2024 e 2025 prevermos crescimentos de 4,9% e 7,1% respetivamente. As tecnologias mais disruptivas, que são a matéria-prima para os Negócios Digitais, continuarão a crescer dois dígitos! Vejamos alguns exemplos destas tecnologias. Na área do Cloud Computing prevemos que o investimento em deverá ultrapassar os mil milhões de euros em 2024, o que representa um crescimento de 18,8%. Destacamos ainda o investimento previsto para as soluções de Segurança de Informação, que hoje já representam 7,5% do orçamento anual das empresas em TIC. O investimento em Segurança deverá atingir 342 milhões de euros em 2024, um crescimento de 13%. Para a área de Big Data, Analytics, a IDC prevê que as organizações canalizem um investimento de 356 milhões de euros, em 2024, o que significa um crescimento de 11,6%. No que toca à Inteligência Artificial, prevemos um investimento superior a 100 milhões de euros, em 2024, mais 23,2%! E qual a estratégia da sua organização para este novo paradigma? |