Da manutenção reativa à governação inteligente: AMS como pilar estratégico

Da manutenção reativa à governação inteligente: AMS como pilar estratégico

O contexto empresarial atual demonstra claramente que a tecnologia deixou de ser apenas um suporte operacional para assumir o papel de motor da transformação. Contudo, à medida que as organizações acumulam sistemas, camadas tecnológicas, integrações e aplicações críticas, cresce também a dificuldade de os manter, modernizar e alinhar com objetivos que mudam cada vez mais depressa. É precisamente aqui que a Manutenção e Suporte de Aplicações (AMS) ganha uma relevância estratégica que nem sempre é reconhecida

Durante muito tempo, a AMS foi vista como uma função essencialmente reativa, dedicada a corrigir incidentes, resolver problemas e garantir a continuidade dos sistemas. Hoje, por imperativos estratégicos, está no centro da eficiência operacional, da estabilidade das operações e da capacidade de adaptação das empresas. A evolução da inteligência artificial e da automação reforça essa tendência, mas a verdadeira transformação depende sobretudo da forma como olhamos para esta área e do papel que lhe atribuímos.

A Manutenção e Suporte de Aplicações deve ser entendida como uma camada de governação inteligente, capaz de assegurar que cada aplicação – seja nova, antiga ou em transição – continua a gerar valor, permanece segura e evolui ao ritmo das expetativas dos utilizadores. Quando mais de metade dos orçamentos de IT continuam a ser direcionados para operação e manutenção, e quando grande parte das interrupções resulta de mudanças mal compreendidas ou requisitos incompletos, a forma como gerimos pedidos, requisitos e melhorias torna-se tão determinante quanto a própria tecnologia.

A complexidade em torno das aplicações empresariais é um reflexo direto do que os estudos mais recentes têm vindo a mostrar: as organizações aumentaram substancialmente o número de aplicações que suportam, o que elevou não só o volume de manutenção, mas também o risco de incompatibilidades e falhas de integração.

O mais recente estudo CGI Voice of Our Clients confirma esta pressão crescente. Apesar de se observar uma melhoria no retorno das iniciativas de digitalização, quase metade dos executivos inquiridos identifica os seus sistemas antigos ou obsoletos como uma das principais barreiras à obtenção de sucesso digital. Esta realidade reforça a importância estratégica da Manutenção e Suporte de Aplicações. Num cenário em que os sistemas limitam a modernização e dificultam a obtenção do valor pleno das iniciativas digitais, a forma como se gere a manutenção, a evolução e a integração das aplicações torna-se decisiva.

Ao mesmo tempo, a emergência de tecnologias de Inteligência Artificial, Machine Learning e Processamento de Linguagem Natural está a transformar profundamente este domínio. Hoje, a IA já permite detetar ambiguidades, inconsistências e impactos entre requisitos, algo que antes exigia longas revisões manuais. Sistemas inteligentes adaptam formulários, questionários e pedidos ao contexto específico de cada organização, reduzindo erros e melhorando a qualidade da informação recolhida. A automação acelera tarefas repetitivas, classifica pedidos de forma inteligente e até antecipa incidentes. E, graças aos avanços em linguagem natural, a comunicação informal dos utilizadores pode ser convertida em requisitos claros e estruturados, reduzindo perdas de contexto e aproximando o negócio da tecnologia.

Este movimento não resulta apenas em eficiência. Representa um novo modelo operativo, mais rápido, mais inteligente e mais alinhado com as necessidades reais das organizações. Organizações que continuarem a encarar a manutenção como uma função reativa arriscam consolidar um défice tecnológico difícil de recuperar, perder agilidade e comprometer a experiência dos utilizadores. Pelo contrário, aqueles que encaram a área de AMS como uma plataforma de governação inteligente, suportada por processos modernos e reforçada por capacidades de IA, estarão mais bem preparados para crescer, inovar e modernizar com segurança.

Num contexto marcado pela escassez de talento, pela pressão por eficiência e pela aceleração digital, repensar o papel da área de AMS é uma das decisões mais impactantes que as lideranças podem tomar. Talvez a questão já não seja “como manter as aplicações”, mas antes “como garantir que continuam a gerar valor”. E essa resposta passa, inevitavelmente, por uma nova visão da Manutenção e Suporte de Aplicações: estratégica, integrada e essencial para a transformação digital sustentável.

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