WatchGuard: “Deixou de ser uma guerra de humanos e passou a ser uma guerra de agentes” (com vídeo)

Fábio Ribeiro, da WatchGuard, levou até ao palco da edição de 2026 da IT Security Summit um diagnóstico sobre a nova era dos ciberataques: a IA transformou a ofensiva numa guerra de agentes autónomos, e as defesas tradicionais já não conseguem acompanhar o ritmo

WatchGuard: “Deixou de ser uma guerra de humanos e passou a ser uma guerra de agentes” (com vídeo)

A Inteligência Artificial (IA) transformou o panorama dos ciberataques a uma velocidade que as defesas tradicionais já não conseguem acompanhar. Esta foi a mensagem central de Fábio Ribeiro, Cybersecurity Senior Sales Engineer na WatchGuard, na sua apresentação na IT Security Summit 2026, subordinada ao tema “Modern Threats Need Intelligent Response”.

A mudança, segundo Fábio Ribeiro, é estrutural. “O atacante mudou. A guerra mudou. Já não estamos a falar de uma guerra de humanos em que quem ganhava era quem tinha uma melhor equipa, quem tinha as melhores skills. Agora estamos a assistir a uma guerra de agentes”, explica. Um ataque de morava meses passou a demorar horas e enquanto a equipa de SOC analisa logs e tenta construir o contexto, o ataque já terminou.

O mecanismo por detrás desta aceleração é a proliferação de agentes autónomos de IA no lado ofensivo. “Um ciberataque pode ter começado com um, dois, três agentes e de repente temos milhares a fazer várias ações: reconhecimento, aumento de privilégios, movimentação lateral, tudo em simultâneo”, indica. A largura de banda de um grupo de ransomware deixou de ser uma limitação e passou a estar dependente apenas do poder computacional disponível.

Esta capacidade de escalar é, para Fábio Ribeiro, o elemento verdadeiramente disruptivo. “O que é que eu preciso para atacar esta empresa? Tem várias camadas de segurança; muito bem, eu vou fazer o deployment de milhares”. Cada camada de defesa passa a ser endereçada por agentes dinâmicos criados especificamente para a ultrapassar. O modelo adaptativo que os grupos de atacantes levavam semanas a ajustar acontece agora em tempo real.

O lado da defesa ficou para trás

A consequência direta para os SOC tradicionais é a inoperacional prática. A fadiga de alertas, a visibilidade fragmentada por ferramenta, a dependência da velocidade de resposta humana e a incapacidade de escalar o modelo de deteção a um ritmo equivalente ao do atacante são quatro vetores de falha identificados. “O velho playbook está datado. Se me ouvissem a falar há um ano, ia dar-vos esta mesma framework; ao dia de hoje, essa framework já não é válida”, afirma.

A resposta da Watchguard passa por replicar, do lado defensivo, a mesma arquitetura com agentes que alimenta os ataques. O serviço de MDR assenta num agente principal que orquestra subagentes especializados em correção, análise de rede, análise de endpoint e identidade, com capacidade de criar agentes dinâmicos em função das necessidades de cada incidente. “Conseguimos competir com aquilo que estamos a ver do outro lado. Deixa de ser uma guerra de humanos e passa a ser uma guerra de agentes, mas estamos muito bem preparados”, diz.

Um elemento destacado por Fábio Ribeiro como diferenciador crítico é a supervisão humana sobre os agentes de IA. As alucinações dos modelos, em que um agente executa ações sem sentido, são um risco real em contexto defensivo. A presença de threat hunters humanos com capacidade de auditar o comportamento dos agentes é parte integrante da arquitetura. A aprendizagem contínua fecha o ciclo: os resultados dos analistas retroalimentam o modelo, tornando a deteção progressivamente mais precisa.

Em termos operacionais, os números são significativos: deteção e resposta em menos de seis minutos, com casos documentos de resolução em três minutos, face a uma hora ou mais num cenário de SOC tradicional. O serviço opera em modo 24/7 e integra telemetria de terceiros, sem exigir substituição das tecnologias existentes no cliente.

Há uma nova forma de deteção de ameaças. É a única forma que temos para responder ao que estamos a ver do outro lado”, conclui. A IA deixou de ser uma vantagem competitiva na defesa e passou a ser a condição mínima para estar no mesmo nível do atacante.

Tags

RECOMENDADO PELOS LEITORES

REVISTA DIGITAL

IT INSIGHT Nº 61 MAIO 2026

IT INSIGHT Nº 61 MAIO 2026

NEWSLETTER

Receba todas as novidades na sua caixa de correio!

O nosso website usa cookies para garantir uma melhor experiência de utilização.