"O grande desafio é otimizar as aplicações para que tirem verdadeiro partido da cloud"

A Claranet celebra este ano o seu vigésimo aniversário em Portugal com uma novidade para o novo ano fiscal: uma unidade de negócio dedicada à consultoria. António Miguel Ferreira, managing director, reflete sobre o posicionamento da empresa no mercado e sobre o futuro da infraestruturas de IT na era da cloud

"O grande desafio é otimizar as aplicações para que tirem verdadeiro partido da cloud"

ITInsight - Como opera a Claranet?

António Miguel Ferreira - Nós implementamos e gerimos plataformas de IT que estão nos nossos data centers, prestando um serviço aos nossos clientes, tipicamente as médias e grandes empresas. Gerimos toda a componente de servidores, de storage, LAN, backup, disaster recovery, load balancing, monitorização, gestão de sistemas operativos, updates e bases de dados. Fazêmo-lo nos nossos data centers e prestamos um serviço. Também fazemos alguma operação de plataformas que estão nos data centers dos clientes. Quando a empresa tem os seus servidores dentro de portas também fazemos essa gestão, porque acreditamos que saberemos aconselhá-lo a migrar, ou para data center ou para cloud pública. Há cerca de seis anos, tivemos a noção de que o mundo estava a mudar. Havia uma perceção de segurança errada em torno da cloud pública, que já desapareceu, e hoje a cloud é vista como uma alternativa para os sistemas de informação. O mercado vai inevitavelmente migrar para a cloud pública. Não na totalidade, mas a maioria das aplicações podem perfeitamente aí correr.

 

Como pretende a Claranet afirmar-se, tendo em conta essa realidade?

Temos de focar-nos no serviço que prestamos sobre infraestruturas, nossas ou de terceiros. Neste caso, Amazon Web Services (AWS) e Azure, as únicas plataformas de cloud pública que endereçamos. Recebemos dois anos seguidos a distinção de “Cloud OS Partner of the Year”, da Microsoft, e a nível de AWS somos o único “Premier Consulting Partner” em Portugal. Podemos aconselhar o cliente a migrar para data centers, o que hoje representa 80 a 85% do nosso volume de negócios, ou para a cloud pública. Ou, como acontece na maior parte das organizações, para uma solução híbrida, que exige interligação e formas de operar semelhantes. Pode parecer um contrassenso que a Claranet, tendo cerca de 600m2 de data center em Portugal, aposte muito na migração dos clientes para a cloud. Estamos, no fundo, a canalizar os serviços que já prestamos atualmente. Temos de estar na linha da frente deste processo de migração.

 

Que tipo de serviços propõem a uma empresa de média dimensão?

Por norma, somos contactados pelas empresas que já decidiram renovar o seu prestador de serviços ou as suas infraestruturas, pedindo- nos para analisar o que têm, as suas aplicações de negócio, o que é migrável para data center e para cloud. Oferecemos inicialmente um conjunto de servidores com determinados sistemas operativos (Linux ou Windows) e com bases de dados configuradas por nós, onde as aplicações de negócio da empresa irão assentar. Trabalhamos de forma muito próxima com o departamento de IT do cliente, que reconhece que a complexidade das tecnologias não tem vindo a diminuir, pelo contrário. Para o IT de uma empresa, exceto no caso de uma grande empresa, é cada vez mais difícil distinguir entre IaaS, PaaS e SaaS e em como tudo isto se interliga.

 

O que podemos esperar em breve?

Iniciámos agora, em julho, o nosso ano fiscal de 2017. Pela primeira vez, decidimos criar uma unidade de consultoria. A questão de migrar ou não para a cloud, de como gerir o IT e da própria segurança são temas importantes para as empresas. Sentimos que existe a oportunidade de as ajudar a decidir no futuro. No fundo estamos a evoluir para termos até três unidades de negócio: Managed Services, o nosso core; Claranet SoHo, serviços automatizados; e a consultoria.

 

Para uma empresa que esteja a considerar essa mudança para a cloud, quais os benefícios e o que tem de ser acautelado?

O principal benefício é o enfoque no seu próprio negócio. Deixar de gerir infraestruturas internas é importante, por uma questão de agilidade. Ao receber-se tudo como um serviço, é mais fácil não ficar refém dos ciclos tradicionais de renovação das plataformas, que são cerca de 4 a 5 anos, sejam físicas ou de licenciamento. Por outro lado, há a questão do custo. Tendencialmente, as infraestruturas tendem a baixar de custo, mas só se beneficia dessa vantagem quando se migra para quem tem mais escala, para data centers como os da Claranet ou para cloud pública. A questão da segurança também é importante. Os sistemas de informação estão, hoje, ligados por redes digitais e é muito mais provável que estejam seguros fora da empresa, em operadores que dependem disso para o seu negócio. A grande vantagem da cloud existe quando as empresas repensam as suas aplicações, ou seja, quando deixamos de corrê-las numa lógica de VMs e as otimizamos para que utilizem diretamente serviços de PaaS.

 

As empresas, em Portugal, estão sensibilizadas para essa vantagem?

As startups são as que têm este tipo de otimização, porque já nascem na cloud. Têm “horror” a gerir infraestrutura, sistemas operativos e base de dados e querem focar-se na aplicação de negócio para serem muito mais flexíveis. O grande desafio para os próximos 5 a 10 anos é otimizar as aplicações para tirarem verdadeiro partido da cloud. Aí residirá o verdadeiro benefício a nível de custo.

 

As empresas que migram para a cloud têm a preocupação de ter recursos de IT com esse tipo de competências, de otimização aplicacional?

Para já, não muito. Porém, é um desejo que temos observado em vários clientes. Podemos, com o parecer de desenvolvimento do cliente, aconselhar sobre como se deve migrar e rearquitetar os temas. Mas ainda está muito na fase do desejo, porque isto acaba por mexer mais com o negócio das empresas. À medida que as próprias aplicações se vão renovando, e que os ciclos de renovação do hardware sejam mais longos, isso entrará na equação.

 

O que pode o CIO fazer com o que já dispõe?

Nós, Claranet, podemos olhar para o que tem em casa, aconselhar no sentido de perceber o que pode manter-se internamente e o que deve migrar. Por vezes, até retomamos as plataformas que existem em casa e apenas as migramos fisicamente para os nossos data centers, porque essa pode ser a melhor opção. Fazemos housing dos equipamentos do cliente ou até os adquirimos. E é o que preferimos. Conseguimos, de alguma forma, rentabilizar o investimento feito pelas empresas e, posteriormente, evolui-lo à medida das necessidades das aplicações. É importante deixar de falar de CPUs, de RAM e de storage e passar a falar das aplicações que se pretendem e de como serão suportadas. É uma mudança de paradigma

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