Cibersegurança preocupa 41% dos líderes de IT

Apesar de 78% dos responsáveis tecnológicos preverem aumentar o investimento em cibersegurança, um estudo da Experis revela uma diminuição da confiança na preparação das organizações para enfrentar os riscos digitais

Cibersegurança preocupa 41% dos líderes de IT
miss irine / AdobeStock

A cibersegurança continua a ser a principal preocupação dos líderes tecnológicos, num contexto marcado pela evolução das ameaças e pela crescente utilização da Inteligência Artificial (IA). Segundo o estudo CIO 2026 Outlook, da Experis, 41% dos responsáveis de IT identificam a cibersegurança como a sua maior preocupação, apesar de a confiança na preparação das organizações para enfrentar os riscos digitais estar a diminuir.

O estudo, realizado junto de 1.930 CIO, CTO, CISO e outros responsáveis tecnológicos a nível mundial, revela que a cibersegurança assume um peso superior a outras preocupações, como a continuidade das operações, referida por 16% dos inquiridos, e a modernização dos sistemas tecnológicos, apontada por 15%.

Em paralelo, 37% identificam o reforço da cibersegurança como uma das principais prioridades dos CIO, um aumento de dois pontos percentuais face a 2025. Esta prioridade é apenas ultrapassada pelo alinhamento entre as estratégias tecnológicas e os objetivos de negócio, referido por 48% dos participantes.

Investimento aumenta, mas a confiança diminui

A crescente preocupação com a segurança digital reflete-se nas intenções de investimento das organizações. De acordo com o relatório, 78% dos líderes tecnológicos inquiridos preveem reforçar o investimento em cibersegurança em 2026, enquanto 69% apontam a soberania digital como uma das áreas prioritárias.

No entanto, o aumento previsto do investimento não é acompanhado por uma evolução equivalente da confiança na preparação das organizações.

Apenas 72% dos inquiridos consideram que a estratégia de gestão do risco está alinhada com o nível de preparação da sua organização em matéria de cibersegurança, uma diminuição de cinco pontos percentuais face a 2025.

Os resultados evidenciam um desfasamento entre a prioridade atribuída à proteção dos sistemas e a perceção da capacidade das organizações para responder às ameaças.

Nuno Ferro, Brand Leader da Experis, defende que a governação do risco cibernético deve ultrapassar as áreas tecnológicas e envolver diretamente os conselhos de administração.

O responsável considera que as organizações precisam de integrar a avaliação dos riscos nas decisões de transformação digital, combinando investimento tecnológico, desenvolvimento de competências e preparação para responder a incidentes.

Escassez de competências continua a limitar estratégias

A disponibilidade de profissionais especializados constitui outro dos desafios identificados pelo estudo. A cibersegurança lidera a lista das competências tecnológicas consideradas mais importantes pelos CIO, sendo referida por 46% dos participantes.

No entanto, o acesso a talento especializado continua a representar uma dificuldade. Segundo o relatório Global Talent Shortage 2026, também citado pela Experis, 17% dos empregadores a nível mundial identificam as competências tecnológicas entre as mais difíceis de encontrar.

A formação interna apresenta igualmente sinais de desaceleração. Em 2026, 72% dos líderes tecnológicos afirmam que as suas organizações realizam regularmente ações de formação em cibersegurança, abaixo dos 74% registados no ano anterior.

IA aumenta a complexidade da gestão do risco

A evolução da Inteligência Artificial está também a transformar o contexto em que os responsáveis tecnológicos desenvolvem as suas estratégias de cibersegurança.

A utilização destas ferramentas permite acelerar a identificação de vulnerabilidades e apoiar as atividades de defesa, mas também pode ser explorada por atacantes para desenvolver operações mais rápidas e automatizadas.

Segundo os dados do Microsoft Digital Defense Report 2026, citados pela Experis, o intervalo mediano entre a descoberta de vulnerabilidades exploradas ativamente e a sua transformação em ferramentas de ataque diminuiu para menos de 24 horas.

Em contrapartida, a correção de vulnerabilidades críticas em sistemas empresariais expostos à Internet pode demorar entre 30 e 60 dias, aumentando o período de exposição das organizações.

Para os responsáveis de IT, esta diferença entre a velocidade de exploração e o tempo necessário para implementar correções coloca exigências adicionais à gestão de vulnerabilidades, à continuidade operacional e à coordenação entre equipas.

Os resultados do CIO 2026 Outlook apontam, assim, para uma necessidade de integrar a cibersegurança nas decisões estratégicas das organizações, em vez de a tratar exclusivamente como uma responsabilidade tecnológica.

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