“A capacidade de nos transformar tem de ser uma constante”

Sérgio Martinho é CIO na Lusitania Seguros e explica a importância de continuar a utilizar a transformação digital para servir melhor os seus clientes e parceiros de negócio

“A capacidade de nos transformar tem de ser uma constante”

A Lusitania é uma companhia de seguros com capitais 100% portugueses que completou 35 anos de existência recentemente.

Em termos estratégicos, a empresa pretende ter as melhores soluções de seguros não vida e merecer a confiança das pessoas para cuidar do seu bem-estar, património e futuro, contribuindo para as finalidades mutualistas do Montepio Geral. Esta visão enquadra e orienta todos os aspetos da atividade da companhia, sendo a concretização desta visão suportada pela sua missão que tem delineados os seguintes valores:

  • Orientação para o cliente – Trabalham ativamente para promover a satisfação das pessoas;
  • Humanismo – O trabalho é realizado seguindo os princípios humanistas;
  • Confiança – Cumprem integralmente os compromissos e criam relações de confiança;
  • Excelência – Atuam no sentido de fazer sempre melhor, garantindo um serviço de qualidade.

O trajeto

Sérgio Martinho é CIO na Lusitania desde 8 de fevereiro de 2017 e acredita que “desafiante” é o melhor adjetivo para descrever os últimos quatro anos e meio, visto que a Lusitania Seguros é uma empresa que se encontra na área financeira, mais precisamente no vertical segurador que, por isso mesmo, tem especificidades que obrigam a uma atenção diferenciada.

“Para mim, tem sido uma jornada muito interessante porque permitiu uma imersão forte a nível do negócio para melhor o conhecer e com isso estar nas necessárias condições para expandir o impacto do IT em toda a companhia. Antes de aqui chegar não tinha a verdadeira noção da importância das seguradoras no nosso dia-a-dia. Com efeito, a nossa sociedade não seria a mesma, de todo, sem estas companhias que mutualizam os riscos. Têm um peso na economia nacional muito superior ao que eu imaginava e estar a trabalhar para ajudar na transformação é algo que é muito enriquecedor a vários níveis”, esclarece.

A estratégia de transformação digital

“Pessoalmente, não gosto da expressão transformação digital pois é redutora de tão mau uso que lhe tem sido dado. Além do mais, antes de se começar a tratar da questão digital é fundamental ter em conta a vertente da reengenharia dos processos”, explica Sérgio Martinho. Ao longo da sua história, a Lusitania projetou-se sempre como uma empresa de olhos postos no futuro.

O CIO da Lusitania Seguros acredita que a tecnologia não deve ser vista como um acelerador da reengenharia, mas sim como uma unidade desafiadora e promotora da inovação.

Isto significa também ter capacidade para implementar sistemas mais ágeis, criar as condições para maior proximidade com os clientes, com os mediadores e contribuir para que todos os elementos da empresa atinjam os seus objetivos. Em particular, atualmente, em termos tecnológicos, esta agilidade passa por trilhar o caminho dos microsserviços / API e ter uma infraestrutura resiliente, de forma a suportar os constantes desafios que o setor e a empresa enfrentam.

“A capacidade de nos transformar tem de ser uma constante. Primeiro, é olhar para o que mais impacta os principais stakeholders, depois, definir o roadmap, que passa pela escolha das tecnologias mais adequadas, olhando sempre para o futuro de forma a evitar que uma escolha de hoje, comprometa o amanhã. Usar a metodologia agile dado que permite às organizações projetar e construir os produtos e serviços debaixo da premissa: On time, on budget & on best customer expectations. Este exercício é baseado num trabalho de grande colaboração com todos os stakeholders que resulta na criação da visão do que se pretende obter, originado, igualmente, elevada accountability, pois não pode haver dúvida alguma de quem é quem e quem deve fazer o quê e quando”.

O segredo para o sucesso

Para Sérgio Martinho, o fator chave para o sucesso passa por ter todo o Conselho de Administração como principal elemento a apadrinhar este caminho, dado que o lead by example é e continuará a ser, na sua opinião, de capital importância alinhado com a visão, missão e princípios corporativos, tudo devidamente comunicado, de forma que todos se sintam parte da transformação.

Na sua perspetiva, um CIO deve ser visionário e pragmático e estar em constante processo de aprendizagem, pois a agenda tecnologia é de um alcance como nunca visto, o que é fundamental para optar pelo que é melhor para a companhia, agora e no futuro.

Deve também existir um contínuo foco na frugalidade, na perspetiva que seja a garantia dos investimentos necessários para a persecução dos objetivos e que culminará no sucesso da empresa.

Um CIO deve saber lidar com a questão que uma companhia com 35 anos tem, a “dívida técnica”, de encontrar o ponto de equilíbrio, que está em constante movimento pois é necessário “perform while transform”.

Sérgio Martinho chama ainda à atenção para a questão da segurança como um todo, pois o contexto atual veio reforçar a criticidade de se pensar a segurança corporativa by design e by default, envolvendo todos, visto que a segurança dos sistemas de informação passa também pelo vetor humano e é cada vez mais importante consciencializar as empresas sobre esta matéria.

“Gostaria de indicar que a minha pretensão de fundo, alinhado tudo o que indiquei atrás, é atingir a irrelevância pois isso é sinónimo que foi atingido o patamar que ambiciono: estar rodeado por uma equipa autónoma, composta de pessoas motivadas a aplicar os melhores princípios no seu dia-a-dia e com isso, serem profissionais felizes num mundo de enormes desafios”.

“No futuro, a Lusitania pretende continuar a usar a transformação para servir melhor os nossos clientes e parceiros de negócio, bem como todos os que fazem parte da companhia e criar ainda as condições necessárias para existirem produtos inovadores, que superem as expetativas de todos os envolvidos. Usar a tecnologia à nossa disposição, sempre a respeitar as leis e normas e regulamentos, para incrementar o efeito de proximidade, pois seguros somos capazes de tudo”, conclui.

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