C-Days: benefícios da inteligência artificial para a cibersegurança

O Centro Nacional de Cibersegurança organizou ontem, dia 21, em Lisboa, a sua reunião anual de dedicada à segurança informática, C-Days, onde explorou este tema a nível estratégico, técnico e operacional

C-Days: benefícios da inteligência artificial para a cibersegurança

Nos dias 21 e 22 de junho, o C-Days 2017 traz à capital especialistas na área da cibersegurança para debater o panorama atual da cibersegurança, bem como as oportunidades dentro desta área.

No primeiro dia do evento, a inteligência artificial ao serviço da cibersegurança foi um dos temas em destaque. Arlindo Oliveira, docente e presidente do Instituto Superior Técnico, referiu que embora a inteligência artificial seja já um tema explorado desde os anos 50, hoje não é mais uma tentativa de replicar o comportamento humano, mas sim um sistema que agrega eventos, aprendendo com eles e sendo capaz de categorizar cada um destes eventos. Com a evolução da inteligência artificial, surgiu o machine learning, que estuda a construção de algoritmos que conseguem aprender e relacionar dados.

Embora seja um salto evolutivo que ajuda as organizações a serem mais ágeis, a estarem mais perto dos seus clientes e que ajuda a simplificar o quotidiano dos cidadãos, o facto de todos sermos fontes de informação e de dados traz consigo implicações de privacidade. Para Arlindo Oliveira, a nossa pegada digital é cada vez maior e assegurar a privacidade não é uma tarefa fácil, sendo que num futuro próximo se poderá tornar impossível. Deste modo, para o docente, é imperativo que em vez de se solicitar a total privacidade, se procurem garantias da utilização adequada dos dados, bem como de mecanismos que imponham custos elevados em casos de utilizações inadequadas de dados de utilizadores.

Esta utilização adequada dos dados pode ter na inteligência artificial e no machine learning aliados de peso no combate ao cibercrime, nomeadamente através da deteção e intrusões, tais como conteúdos web maliciosos, ficheiros infetados e e-mails de phishing. As empresas e utilizadores que estejam protegidos com soluções que recorram à inteligência artificial e machine learning terão uma menor possibilidade de serem atacados, pois estas ferramentas permitem antecipar e prevenir infeções por malware.
 

Educação para o digital

Não basta existir a melhor tecnologia, é necessário saber utilizá-la e compreendê-la. No entanto, tal como demonstrou Eduarda Ferreira, psicóloga educacional e docente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa, embora a geração nativa digital tenha à sua disposição uma quantidade infinita de tecnologia que utiliza numa base diária, não é capaz de compreender o que está por detrás desta. Para a professora universitária, é imperativo formar alunos nas escolas a nível tecnológico, apostar na literacia digital, um "gap" que ainda existe atualmente na formação das crianças e jovens e que faz cada vez menos sentido existir, visto que toda a nossa comunicação hoje é realizada com recurso a meios digitais. Para as crianças e jovens ainda mais, pois nasceram na era digital.

Esta formação é de extrema importância, pois a maior porta de entrada para os ataques informáticos continuam a ser as pessoas, porém, se estas tiverem um entendimento completo de como funciona a tecnologia, das suas oportunidades e riscos, conseguir-se-á alterar esta realidade e talvez formar jovens qualificados que poderão desenvolver ferramentas ainda mais eficazes no combate ao cibercrime.

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